Foi uma manhã em que uma sala cheia tomou mais consciência do que poderia ser o mundo de uma parentalidade sem barreiras. Promovido pela Merck, o evento “Carreira + Família, Sonhar é não ter de escolher”, contou com a parceria da Universidade Europeia, da revista Executiva e da Forbes Portugal.
Uma empresa especial
A abrir os trabalhos, Pedro Moura, CEO da Merck Portugal, explicou que a Merck se define como “uma empresa de tecnologia e ciência, com três sectores de atuação e para quem a fertilidade sempre foi uma área prioritária.” A empresa é hoje líder mundial em tratamentos e preservação da fertilidade e, para a família Merck – na empresa há 13 gerações –, este debate mantém-se “porque a família tem consciência da sua responsabilidade corporativa e valoriza a discussão de ideias”.
Universidade Europeia partilha o interesse no debate
O evento realizou-se no Campus Oriente da Universidade Europeia cuja reitora, Hélia Gonçalves Pereira, fez questão de agradecer a oportunidade de dar a conhecer a instituição. “O nosso grande desafio é formar hoje, para profissões que ainda não existem, preparando-os para carreiras bem sucedidas em contextos altamente competitivos”.
Quanto ao conflito entre carreira e família, a reitora deixa claro que “somos todos responsáveis por esta mudança”.
O mito da altura ideal
O primeiro painel do evento, “Carreira e Parentalidade”, moderado por Ana Vale, pivô da TVI/CNN Portugal, jornalista de sucesso e mãe de três filhos, trouxe o testemunho de cinco pessoas com família e carreiras de sucesso: Rita Sá Machado, mãe de gémeos e diretora-geral da Saúde, Carla Tavares, mãe de 3 filhos e presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), Carlos Afonso, pai de uma filha e chef de cozinha, dono de restaurantes e protagonista em diversos programas de culinária na televisão, entre os quais o 24 Kitchen, Rita Reis, mãe de 3 filhos cuja carreira internacional a conduziu ao lugar de Government and Public Affairs Senior Director na Merck Portugal e Rodrigo Gomes, pai de um filho e conhecido radialista na RFM, de cuja família também faz parte o filho da sua mulher, fruto de um anterior casamento.
Em comum, estas cinco pessoas, concordaram que construir família e carreira implica um esforço extra com logística e organização do tempo e de tarefas. Foi exaltada a (preciosa) ajuda dos avós e chamada a atenção para a importância dos cônjuges, sobretudo em casos como o de Carla Tavares, a residir em Aveiro e trabalhar em Lisboa e de Rita Reis, cuja carreira internacional incluiu vários anos em Inglaterra e na Alemanha.
“Até me apetece ter mais filhos”, disse a certa altura um dos participantes do painel. Porque afinal, como todos concluíram, não há uma altura ideal para os ter. Rita Sá Machado, por exemplo, contou que descobriu a sua gravidez — ainda por cima de gémeos — numa altura em que a sua carreira estava prestes a dar um pulo. E a verdade é que, aos 36 anos é Diretora-Geral da Saúde. Das cinco pessoas que compuseram este painel, apenas uma afirmou ter planeado a vinda dos filhos e todas acreditam que sim, os filhos causam aflição, confusão, obrigam a planear os dias com rigor e mudam a vida, mas… para melhor.
Igualdade de género também é tema
Como key-note speaker, a convidada foi Carina Quaresma, presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG). Referiu que o painel descrito acima apontou vários pontos que, segundo a experiência da CIG, ainda é muito importante trazer à discussão, sobretudo quanto aos estereótipos de género. “Desde pequeninos somos imbuídos de ideias que fazem com que as mulheres se sintam culpadas por fazerem opções de carreira”, lembra. Um combate que é missão da CIG mas trabalho de todos os sectores da sociedade.
Os jovens e a fertilidade
O “Carreira + Família, Sonhar é não ter de Escolher” também deu ligar ao Projeto FutURe, a iniciativa da Merck que procura ouvir, dar projeção e fazer passar à realidade os desejos das gerações jovens, nomeadamente GenZ e Millenial. A mesa redonda foi moderada pela médica de medicina geral e familiar Margarida Santos e reuniu as vozes de Bárbara Miranda, diretora executiva da Associação Portuguesa de Fertilidade; Filipa Rafael, Médica especialista em Fertilidade; Tiago Rodrigues, vice-presidente da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos; Daniela Bento, presidente da Associação Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo, ILGA; Sofia Pereira, deputada e secretária-geral da Juventude Socialista; e João Pedro Louro, presidente da Comissão Política Nacional da Juventude Social Democrata.
Para introduzir este importante momento, Marieta Jimenez, vice-presidente da Merck Healthcare para a Europa explicou que este projeto foi criado há três anos e existe porque “cremos que, para criar um futuro mais justo para todos, temos de dar voz aos jovens”.
Firam debatidas as barreiras e os desafios da parentalidade sob os vários pontos de vista e expostas as preocupações quanto à constituição de família, à preservação da fertilidade, a existência de famílias monoparentais ou com casais do mesmo sexo, e tudo o que implica a possibilidade da parentalidade em casos tradicionais ou inovadores. Desta discussão foi produzido um whitepaper que, conforme a prática do Projeto FutURe, será apresentado a autoridades que possam, efetivamente, contribuir para a promoção da mudança.
Ana Polanco, Vice-Presidente de Government e Public Affairs da Merck Europa encerrou o evento, congratulando todos os participantes pela riqueza, honestidade e valor do que foi colocado à luz. E ressaltou a necessidade da participação de todos os sectores da sociedade na promoção da mudança.





