Academia: A importância do conhecimento novo e as tentações do Marketing

A Forbes Portugal realizou esta manhã, no auditório do ISEG, em Lisboa, o seu evento de entrega de prémios Forbes Maiores Líderes em Crescimento, em que premeia as maiores empresas que se destacaram em seis categorias de avaliação. No arranque dos trabalhos, Luís Manuel dos Anjos Ferreira, reitor da Universidade de Lisboa, começou o seu…
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Luís Ferreira, reitor da Universidade de Lisboa, e José Veríssimo, vice-presidente do ISEG, deixaram vários alertas à audiência durante as suas apresentações no evento de entrega prémios Forbes Maiores Líderes em Crescimento, que decorreu hoje, em Lisboa.
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A Forbes Portugal realizou esta manhã, no auditório do ISEG, em Lisboa, o seu evento de entrega de prémios Forbes Maiores Líderes em Crescimento, em que premeia as maiores empresas que se destacaram em seis categorias de avaliação. No arranque dos trabalhos, Luís Manuel dos Anjos Ferreira, reitor da Universidade de Lisboa, começou o seu discurso de boas-vindas referindo que a escolha do ISEG para a realização do evento sobre as empresas com os maiores crescimentos foi muito apropriada, pois esta é uma escola de economia e de negócios com uma história longa de sucesso e de grande capacidade de atração ao mundo moderno. E, segundo o reitor, esta ligação dos negócios ao mundo moderno é cada vez mais uma necessidade, é mesmo indispensável. “Sobretudo num tempo de transição digital, que é um caminho doloroso para uns, extraordinário para outros. E dentro desta transição digital temos a Inteligência Artificial (IA), e hoje cada vez mais olhamos para o que representa esta Inteligência Artificial”.

“A Inteligência Artificial ajuda-nos a fazer conhecimento novo, mas não é a fonte do conhecimento novo. Isso é humano, e isso não pode ser transferido para a inteligência artificial”, diz Luís Manuel dos Anjos Ferreira, reitor da Universidade de Lisboa. 

Sobre este tema da IA, Luis Ferreira refere que “Perguntamos muitas vezes para que serve então a universidade, quando o conhecimento está à distância de um clique? E é isso que nós temos de saber responder, e que as universidades também têm de saber responder. Aquilo que o ISEG sabe fazer, e as universidades sabem fazer, é deixar de ter tanto o foco nas respostas e mais nas perguntas. Aquilo que é importante é saber fazer a pergunta certa, a pergunta inteligente, porque depois a inteligência artificial vai ajudar-nos. Mas apenas nos vai ajudar. A inteligência artificial nunca nos irá fazer um julgamento crítico, nunca vai fazer conhecimento novo.”

O especialista refere que a Inteligência Artificial ajuda-nos a fazer conhecimento novo, mas não é a fonte do conhecimento novo. Isso é humano, e isso não pode ser transferido para a Inteligência Artificial”. E continua a explicar que “para ter informação nova, teremos de continuar a trabalhar com os outros. Nós vamos ter de continuar a olhar na face uns dos outros. Vamos ter de continuar a perceber a importância que é o julgamento, o rigor, o lógico, o pensamento crítico. Vamos ter de continuar a perceber o que é a ética profissional, porque a inteligência artificial irá fazer nunca isso.

Referiu ainda que são cerca de mais de mil as startups iniciadas por alunos ou ex-alunos na universidade em Portugal, cujo valor agregado é superior a 24 mil milhões de dólares. E estas empresas não estão todas em Portugal, porque algumas tiveram de rumar para países como os Estados Unidos, a Alemanha, a Holanda, a Bélgica, a Suíça. Dos seis unicórnios que temos em Portugal, quatro nasceram de alunos da Universidade. “Que ambiente é este que nos permite fazer isto? Como é que podemos ainda fazer melhor? É isto que vamos discutir”, referiu.

“O mais correto é entregar o que prometemos”

Seguiu-se a intervenção do keynote speaker do evento, José Veríssimo, vice-presidente do ISEG, que dedica a sua apresentação – e uma vez que o evento é sobre o crescimento das empresas – não aos resultados, mas às causas que levam aos mesmos. “Os resultados são fotográficos. E se nós ficarmos presos aos resultados, não percebemos o que estamos a ver. E há uma coisa que todos já perceberam: é que as vendas do ano anterior não justificam as vendas do ano seguinte. O que justifica a vendas do ano seguinte são outro tipo de variáveis”, explica.

José Veríssimo é vice-reitor do ISEG. Foto/Vítor Machado

O especialista refere que a sua apresentação é sobre as causas para os resultados. E talvez a mais importante seja o cliente, que paga as contas – e faz um exercício com a audiências para que os gestores presentes possam indicar quais os itens a que dão mais importância. A reputação foi a que mostrou mais adeptos, e José Veríssimo faz a ponte entre reputação e a questão da sustentabilidade.

“Quando se fala de sustentabilidade, não é tudo verde. (…) É importante perceber que há uma questão ambiental, mas também há uma questão social e uma questão económica”, explica. E os clientes, sobretudo as novas gerações, esperam que a ética, a preocupação ambiental, e, no fundo, toda a preocupação com o que nos rodeia, façam cada vez mais parte das decisões das empresas. Isso é uma expectativa. “Isto implica que as empresas, as grandes empresas, têm de introduzir estas exigências dos clientes naquilo que são os seus produtos, na forma como eles trabalham, na relação que têm ao nível da cadeia de distribuição. E, portanto, se tiver estas práticas sustentáveis, supostamente, vou conseguir as boas práticas que sustentam vendas. E a reputação faz-se assim”.

José Veríssimo acrescenta que os consumidores têm influência nas empresas, dizendo que 79% dos consumidores se pudessem escolhiam sempre o que é sustentável, com menos impacto para o ambiente. Além disso, o que as empresas estão a fazer hoje, não é para as gerações seguintes, porque as empresas querem ficar por cá mais 50, 60 ou mais 100 anos.

“O marketing é muito tentado a prometer mais do que dá, mas isto é um bumerangue, que volta sempre para as empresas. O mais correto é ser realista no que se promete”, explica José Veríssimo. 

Acrescenta que os clientes não são todos iguais e que há cinco tipo de clientes para a área da sustentabilidade, como os zero waste e os green spenders. “Os clientes têm interruptores, que quando lhes tocamos, respondem”, diz. Mas, também aqui surge a questão monetária. “É que a sustentabilidade sai cara e isto representa um desafio. É que 54% dos consumidores dizem, muitas vezes, que a sustentabilidade lhes custa mais dinheiro. E, portanto, é preciso fazer alguma reengenharia para que esta sustentabilidade não seja assim tão cara para quem tem que comprar os produtos”. Mas há ainda outra questão, revela: a falta de confiança. Nem sempre os consumidores confiam naquilo que as empresas dizem que fazem, e aqui cabe aos negócios conseguirem essa confiança, mostrando a mais-valia da sua forma de produzir, criando o chamado goodwill. “O marketing é muito tentado a prometer mais do que dá, mas isto é um bumerangue, que volta sempre para as empresas. O mais correto é ser realista no que se promete”, explica à audiência.

José Veríssimo diz ainda que a liderança é importante, pois o exemplo vem de cima, e que a sustentabilidade não sirva apenas para fazer um relatório.  “temos de fazer passar essas boas práticas e bons comportamentos que vão impactar as comunidades, o ambiente e, logo, os resultados. Os indicadores financeiros não se repetem, a não ser que se mexam nas causas”, finaliza.

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