Quando olhamos para os principais desafios das PME em Portugal, é impossível não falar de tecnologia e transição digital, ou de sustentabilidade e transição energética. Amplamente discutidos, estes temas vão continuar nas agendas dos gestores pelos próximos anos.
Mas há um outro desafio, a jusante, que precisa assumir protagonismo nas prioridades das empresas – a profissionalização da gestão. Ou seja, a capacidade dos nossos gestores tomarem decisões estratégicas, no momento certo, e com base em informação relevante.
Ter acesso a esta informação – indicadores, métricas consistentes, dashboards periódicos e análises financeiras – é essencial não só para garantir o funcionamento operacional e comercial do negócio, mas sobretudo para tomar decisões mais estratégicas, relacionadas com investimento, financiamento, internacionalização ou otimização fiscal. Para poder antecipar tendências e ajustar objetivos, para incorporar inovação na estratégia, e para, por exemplo, investir nas tão faladas transição digital e energética.
A OCDE tem vindo a destacar que a capacidade de gestão é um dos fatores determinantes para o crescimento das PME. Segundo o relatório Equipping SMEs with the skills to navigate the twin transition (2025), as PME que conseguem escalar rápido tendem a investir mais em competências, tecnologia e produtividade – reforçando a importância de práticas de gestão profissionalizadas para promover crescimento sustentável.
Mas nada disto se faz sem indicadores e métricas bem definidos e sem uma equipa dedicada, muitas vezes numa complementaridade muito profícua entre o know-how interno e o dinamismo do outsourcing.
E neste capítulo, o dinamismo está ainda mais presente, com a afirmação recente de sociedades multidisciplinares, que permitem incorporar competências complementares, equipas especializadas, uma capacidade de resposta ampliada e um único ponto de contacto com o cliente.
Por isso, a multidisciplinaridade pode trazer muitos benefícios para a transparência, colaboração e profissionalização do mercado, mas será especialmente relevante para entregar ao cliente um serviço mais completo e eficiente. Porquê criar barreiras, quando podemos criar pontes?
Vânia Marques Soares,
Dower Business Services





