A unificação do modelo de vendas Xerox–Lexmark foi apresentada como uma forma de eliminar redundâncias e aumentar eficiência. Na prática, o que muda para um grande cliente empresarial na Europa Ocidental?
Para os clientes empresariais, fundamentalmente, o compromisso não muda, a continuidade e a fiabilidade do serviço mantêm-se como a nossa prioridade. Assim, continuam a trabalhar com as mesmas equipas e estruturas, não se verificando qualquer interrupção nos serviços à medida que a integração avança.
O que muda é a escala, a consistência e a amplitude daquilo que a Xerox pode oferecer. A fusão da Xerox com a Lexmark fortalece a nossa presença global e a consistência dos serviços em todas as regiões, com a manutenção de uma forte presença local e relações próximas. Do ponto de vista empresarial, isso significa menos lacunas, responsabilidades mais concretas e um parceiro mais bem equipado para oferecer a longo prazo todo o apoio a ambientes complexos e de multinacionais.
Quais são os principais desafios culturais e operacionais na fusão de dois portefólios com históricos e posicionamentos distintos?
Qualquer integração entre duas organizações bem estabelecidas no mercado requer disciplina e clareza. Tanto a Xerox como a Lexmark trazem consigo uma forte herança, profunda experiência e relações duradouras. O objetivo é integrar seletivamente, ao combinar pontos fortes complementares e manter uma continuidade.
Em termos operacionais, isso significa alinhar modelos de entrega, padrões de governance e processos de gestão de contas, para que os clientes tenham uma experiência de trabalho mais consistente e de forma transversal em toda a organização. Culturalmente, o foco está nas prioridades partilhadas, como simplificação, compromisso e execução disciplinada.
A reinvenção, neste contexto, diz respeito realmente à execução, com a garantia de que a organização opera com maior estabilidade junto de clientes e parceiros, enquanto reforça as suas capacidades nos bastidores.
Fala-se numa “reinvenção” da Xerox. O que significa isso além da reorganização estrutural?
A nossa reinvenção vai além da mudança estrutural. Trata-se de simplificar a forma como executamos, com o intuito de facilitar a realização de negócios junto da Xerox. Isso inclui percursos mais específicos para o mercado, um modelo simplificado e maior disciplina operacional em toda a estrutura.
Ao mesmo tempo, a reinvenção baseia-se nos pontos fortes da Xerox. Continuamos a investir no nosso negócio de impressão e serviços de impressão, enquanto expandimos para áreas adjacentes, como serviços de fluxo de trabalho digital e gestão de serviços de TI, que ajudam as entidades a modernizar os processos de documentação em ambientes de trabalho híbridos.
Muitas grandes empresas falam hoje em “simplificação”. O que é que isso realmente significa do ponto de vista da gestão de impressão, documentos e fluxos digitais?
A simplificação é frequentemente mal interpretada como uma redução tecnológica. Na realidade, trata-se de reduzir a complexidade. Em grandes ambientes com uso intensivo de documentos, a complexidade geralmente tem origem em sistemas fragmentados, com vários fornecedores, processos duplicados e um governance inconsistente.
Da nossa parte, a simplificação começa um passo atrás, para observar como as informações fluem pela organização, desde a captura até ao processamento, armazenamento e saída. Isso pode envolver a consolidação de dispositivos, integração da automatização do fluxo de trabalho, introdução de tecnologias de captura inteligentes ou padronização do governance de serviços entre países. O objetivo é eliminar a duplicação, criar uma maior responsabilização e proporcionar resultados mais previsíveis.
É importante ressalvar que a simplificação não significa a integração de outra camada de software à complexidade existente. A verdadeira simplificação ocorre quando a tecnologia reduz a fragmentação e otimiza a forma como o trabalho é realmente realizado.
A IA está no centro da agenda empresarial. Onde é que, concretamente, já está a gerar ganhos mensuráveis em ambientes com uso intensivo de documentos?
A IA oferece valor mensurável quando aplicada a fluxos de trabalho claramente definidos com grandes volumes de documentos. Nos serviços de captura e conteúdo, a IA e a aprendizagem automática são utilizadas para classificar documentos, extrair dados estruturados e automatizar o encaminhamento. Isso reduz o manuseamento manual, melhora a velocidade de processamento e aumenta a precisão.
Nos serviços de impressão, os painéis de IA preditivos monitorizam a saúde dos dispositivos e o risco de falhas em tempo real. Isso permite que as organizações antecipem os problemas antes destes se agravarem, o que reduz o tempo de inatividade e de intervenções desnecessárias no local.
Internamente, também utilizamos automação e automação de processos robóticos (RPA), com o processamento de mais de 6,5 milhões de transações automatizadas por trimestre. Essa experiência influencia a forma como implementamos soluções de IA para os nossos clientes.
Em última análise, a IA oferece valor quando aplicada a dados limpos, um governance concreto e casos de uso bem definidos, e não quando tratada como uma sobreposição genérica.
Que papel desempenha a cibersegurança no desenho de novas soluções de impressão e gestão documental?
A cibersegurança já não é uma funcionalidade adicional nas soluções de gestão de impressão e documentos, é um princípio fundamental de design.
Nas organizações modernas, as impressoras e os fluxos de trabalho de documentos fazem parte de uma infraestrutura de TI mais ampla. Isso significa que a segurança deve ser incorporada na arquitetura desde o início, incluindo segurança dos dispositivos, transmissão de dados encriptados, autenticação de utilizadores e automação segura do fluxo de trabalho. Isso é particularmente importante em ambientes empresariais e altamente regulamentados, onde os sistemas de documentos frequentemente lidam com informações confidenciais.
Para muitas grandes organizações, a prioridade não é a velocidade de implementação, antes a integração previsível e segura na infraestrutura existente. Nesse contexto, a segurança e a conformidade não são barreiras à inovação, são, antes, os princípios de design que a tornam possível.

Existem diferenças relevantes entre mercados da Europa Ocidental na forma como abordam transformação digital e gestão documental?
Embora os mercados da Europa Ocidental partilhem muitas prioridades comuns, existem grandes diferenças na forma como as estratégias de transformação digital e gestão de documentos são executadas.
As organizações do setor público e de saúde, por exemplo, colocam muitas vezes o governance e a conformidade no centro das suas agendas de transformação. Em contrapartida, as multinacionais do setor privado podem avançar mais rapidamente em áreas específicas onde veem um impacto imediato.
Em toda a região, os ambientes regulatórios, as estruturas de aquisição e as prioridades setoriais também podem influenciar o ritmo e a estrutura dos programas de transformação. Isso também depende em larga medida da forma como os países estão organizados. Alguns têm uma abordagem mais centralizada, enquanto outros têm um sistema mais federal.
Apesar dessas diferenças, as prioridades gerais permanecem amplamente consistentes: reduzir a complexidade operacional, fortalecer a resiliência organizacional, apoiar forças de trabalho cada vez mais distribuídas e garantir uma proteção de dados robusta.
É fundamental encontrar o equilíbrio certo entre consistência global e execução local. Os clientes empresariais esperam soluções escaláveis e modelos de governação que funcionem perfeitamente além-fronteiras, ao mesmo tempo que continuam a exigir um forte apoio local e um profundo conhecimento do setor para responder às necessidades específicas do mercado.
Que tendências específicas está a observar na região EMEA que podem influenciar a estratégia nos próximos anos?
Várias mudanças estruturais na região EMEA estão a moldar a estratégia corporativa. Uma das mais significativas é a crescente convergência entre serviços de impressão, TI e digitais, à medida que as organizações procuram modelos mais integrados e simplificados. Em simultâneo, as organizações estão a dar maior ênfase à resiliência e continuidade operacionais.
A pressão regulatória também está a aumentar, particularmente em áreas como proteção de dados e sustentabilidade. Paralelamente, a procura por software e serviços habilitados para IA está a aumentar, mas com expectativas mais fortes em relação ao governance, transparência e controlo.
Em toda a região EMEA, muitas organizações estão a modernizar os seus ambientes tecnológicos, sem deixar de continuar a gerir infraestruturas significativas. Como resultado, as estratégias bem-sucedidas devem equilibrar inovação com realismo.
A verdadeira oportunidade reside em ajudar as organizações a modernizar-se de forma controlada e orientada para os resultados, ao combinar o progresso tecnológico com uma execução disciplinada.
Quais são as suas prioridades nos primeiros 100 dias?
Nos primeiros 100 dias, a prioridade é o envolvimento, a disciplina operacional e a entrega visível. O meu foco imediato é ligar-me aos clientes, parceiros e equipas em toda a Europa Ocidental. Isso significa ouvi-los atentamente, para entender onde é que a complexidade está a criar atrito, garantir a continuidade durante o processo de integração e reforçar o compromisso sob o novo modelo.
Operacionalmente, o foco está em alinhar as equipas, manter a estabilidade do serviço e fornecer o portfólio combinado da Xerox-Lexmark de forma consistente em toda a região. O sucesso será medido, em última análise, não por anúncios, mas pelos resultados diários. Os primeiros 100 dias são dedicados a construir credibilidade através da execução e garantir que os clientes experimentem em primeira-mão o impacto do nosso trabalho.





