A evolução tecnológica é um acelerador de competitividade e não uma ameaça

Políticas rigorosas de segurança que regulam o acesso aos sistemas, auditorias internas e externas regulares, requisitos de compliance para todo o ecossistema e mecanismos de monitorização contínua, são apenas algumas características que demonstram o alto nível de serviço que a Cegid oferece aos seus clientes. Soluções como o Cegid Pulse, que integra IA generativa diretamente…
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Paulo Carvalho, General Manager da Cegid para Portugal & África, revela as tendências tecnológicas na gestão de empresas para o futuro próximo e afirma que o fator humano vai ganhar cada vez mais relevância no processo de decisão
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Políticas rigorosas de segurança que regulam o acesso aos sistemas, auditorias internas e externas regulares, requisitos de compliance para todo o ecossistema e mecanismos de monitorização contínua, são apenas algumas características que demonstram o alto nível de serviço que a Cegid oferece aos seus clientes. Soluções como o Cegid Pulse, que integra IA generativa diretamente nos fluxos de trabalho, ajudam a resolver problemas em minutos, com rigor, segurança e total transparência. Profundo conhecedor do mercado e das tendências que a tecnologia apresenta já para 2026, Paulo Carvalho, General Manager para Portugal & África, revela nesta entrevista o que está a acontecer e o que vai marcar a evolução tecnológica nas empresas de Portugal e do mundo.

Quais são as grandes tendências tecnológicas na gestão de empresas para 2026?

Uma das tendências mais marcantes para 2026 será a ascensão da agentic AI: agentes de Inteligência Artificial capazes de executar autonomamente tarefas operacionais de gestão. Esta evolução libertará equipas e profissionais para funções de maior valor, como o planeamento estratégico, a análise avançada e a tomada de decisões suportadas por IA e por dados em tempo real.

O estudo do MIT State of AI in Business 2025 mostra bem este ponto: cerca de 80% das empresas afirmam já utilizar IA generativa, mas 95% ainda não alcançaram um retorno tangível. Isto demonstra que, embora a tecnologia esteja amplamente disseminada, muitas organizações permanecem numa fase experimental, com dificuldade em converter o potencial da IA em resultados concretos.

A diferença está na forma como a tecnologia é aplicada. Outro estudo de 2025 do MIT e da Universidade de Stanford, Humanos + IA na Contabilidade: Evidências do Terreno, analisou 79 PME e demonstrou que, ao automatizar tarefas rotineiras na área da contabilidade, é possível poupar cerca de 90 dias por ano (o equivalente a 7,5 dias por mês) e aumentar em 12% a qualidade dos relatórios. É um indicador claro de que o impacto da IA é maximizado quando aplicada a processos de grande volume e baixa diferenciação.

Este avanço tecnológico traz consigo uma segunda tendência, igualmente determinante: o reforço das exigências éticas e de segurança na utilização de modelos de IA. As empresas terão de assumir compromissos explícitos de transparência, implementar políticas robustas de proteção de dados, realizar auditorias regulares e garantir que os seus fornecedores cumprem elevados padrões de compliance. A responsabilidade não é apenas tecnológica, é também social e ambiental. 

Essas tendências refletem-se sobretudo em que sectores?

Estas tendências são, acima de tudo, transversais. Das grandes empresas multinacionais às micro e pequenas empresas, estamos a assistir a uma adoção generalizada de software de gestão com agentes de IA, independentemente do setor.

A transformação deixou de ser exclusiva dos setores tradicionalmente mais avançados em tecnologia. Hoje, é visível no retalho, em clínicas, em indústrias de todas as dimensões e em organizações que procuram maior eficiência, previsibilidade e capacidade de resposta. A IA deixou de ser uma vantagem competitiva apenas para alguns e tornou-se um catalisador de modernização para toda a economia.

Como a Cegid está a antecipar essas tendências no desenvolvimento das suas soluções?

A Cegid começou a antecipar estas tendências muito cedo. Em 2024, iniciámos o desenvolvimento do Cegid Pulse, um conjunto de agentes inteligentes assentes em IA generativa integrados no nosso portefólio de soluções. Este movimento marcou o início de uma estratégia clara: colocar a IA no centro da experiência de gestão empresarial de todos os nossos clientes.

O investimento no nosso Centro de Excelência de IA, em Braga e Lisboa, tem sido decisivo para acelerar esta visão. Em fevereiro de 2026, o centro celebrará dois anos e já demonstra impacto global. Hoje, disponibilizamos soluções suportadas por mais de 25 modelos de agentes de IA, utilizados em mais de 130 mercados em todo o mundo. Estes agentes automatizam tarefas administrativas, apoiam processos contabilísticos e financeiros, produzem previsões, otimizam a gestão de stocks e apoiam operações de recursos humanos.

Também antecipámos a crescente exigência ética associada à adoção de IA. A Cegid foi uma das primeiras signatárias do Pacto Europeu da IA, assumindo compromissos de transparência, segurança e responsabilidade. Esta visão está presente no desenho dos nossos produtos. Trabalhamos num modelo de colaboração em que a IA amplifica competências e é deste equilíbrio entre inovação, responsabilidade e proximidade ao mercado que nasce a capacidade da Cegid de antecipar tendências e liderar a evolução das soluções de gestão empresarial.

O tecido empresarial português está preparado para a IA?

Sim, embora muitos empresários ainda não estejam conscientes disso. O nosso mais recente estudo sobre IA nos locais de trabalho, realizado em Portugal, Espanha, França e Alemanha, mostra que 52% dos trabalhadores portugueses manifestam “curiosidade” e 50% têm confiança no uso da IA. Contudo, apenas 13% das empresas oferece formação nesta área.

Os resultados mostram também que, quando essa formação existe, 42% dos profissionais relatam uma melhoria significativa na sua qualidade de vida no trabalho.

Ou seja, os trabalhadores estão prontos; o desafio está, sobretudo, nas lideranças em assumir a tecnologia como parte integrante do negócio, formar as equipas e integrar a IA nos processos do dia a dia. É aí que se decide quem vai ganhar vantagem competitiva nos próximos anos.

Para a Cegid, como garantir que as empresas utilizam a IA com ética, transparência e de forma realmente útil?

Na Cegid, a responsabilidade no uso da IA começa pela base. Implementámos um conjunto sólido de práticas que asseguram que a tecnologia é utilizada de forma ética e segura: políticas rigorosas de segurança que regulam o acesso aos sistemas, auditorias internas e externas regulares, requisitos de compliance para todo o nosso ecossistema e mecanismos de monitorização contínua que permitem detetar e prevenir qualquer uso indevido em tempo real.

Além disso, na Cegid dispomos de um quadro de conformidade legal e ética que tanto os colaboradores como os parceiros devem cumprir, e que, juntamente com programas de formação, nos permite garantir que a utilização e o processamento dos sistemas e dados sejam eficazes, seguros e completos.

Gostaria ainda de destacar o papel do Cegid Pulse nesta visão. Ao integrar IA generativa diretamente nos fluxos de trabalho, conseguimos responder a necessidades reais das empresas, resolvendo problemas em minutos, com rigor, segurança e total transparência. Para nós, tecnologia responsável significa tecnologia útil: soluções que criam valor, protegem utilizadores e reforçam a confiança no futuro digital das organizações.

Pode dar exemplos?

Claro. Um profissional da área financeira pode pedir aos agentes inteligentes Cegid Pulse, numa das nossas soluções, para calcular um indicador de desempenho, como o rácio de solvabilidade, que indica a capacidade de uma empresa cumprir os seus compromissos de longo prazo.

Se o rácio calculado for baixo, o agente não só́ apresenta o valor como também oferece uma análise contextualizada, identificando sinais de fragilidade financeira e sugerindo possíveis caminhos de melhoria. O papel da IA é apoiar cada profissional a interpretar esses dados, avaliar as sugestões e, com o seu sentido crítico e conhecimento do negócio, propor o melhor plano de ação. Tudo isto assenta num princípio fundamental: os dados devem refletir a realidade tal como ela é.

O fator humano na tomada de decisão vai perder importância com a evolução das ferramentas de IA?

Pelo contrário, vai ganhar relevância. À medida que a IA assume tarefas operacionais e fornece análises mais sofisticadas, aumenta também a responsabilidade humana em interpretar esses dados, contextualizá-los e tomar decisões eticamente sólidas. A IA pode preparar o terreno com informação rigorosa e previsões consistentes, mas não substitui o juízo, a experiência ou a capacidade crítica dos profissionais. Se a tecnologia evolui, a exigência sobre quem a utiliza evolui ainda mais. A metáfora é simples: A IA é o copiloto, mas o humano é o piloto.

Qual é o impacto da Inovação nos desafios que as empresas terão de enfrentar ao adotar tecnologias mais avançadas?

Os principais desafios não são, na verdade, tecnológicos — são culturais e estratégicos. Em Portugal, como no resto do mundo, o que distingue as empresas que evoluem das que ficam para trás é a sua capacidade de transformar a inovação em oportunidade.

As organizações com um mindset flexível, orientado para a criação de valor, tendem a adotar novas tecnologias com mais entusiasmo e rapidez. E, por isso, são estas que prosperam. Percebem que a evolução tecnológica é um acelerador de competitividade, não uma ameaça. Por outro lado, as empresas que resistem, seja por receio, por falta de visão ou por ausência de preparação interna, correm o risco de estagnar. A inovação exige coragem, abertura e vontade de transformar processos. A tecnologia avança inevitavelmente; o verdadeiro desafio é garantir que as nossas organizações avançam com ela.

De que maneira um líder se pode adaptar ao impacto da IA na gestão empresarial?

A adaptação começa pelo exemplo. Um líder deve experimentar as ferramentas de IA, a aprender sobre elas e a integrá-las no seu próprio dia a dia, seja de forma autónoma, com o apoio de especialistas, como a Cegid, ou em conjunto com os seus colaboradores.

O segundo passo é promover a adoção e a formação interna. Programas como o nosso aiDAPT mostram como é possível capacitar equipas para usar a IA de forma prática, responsável e orientada para o negócio.

E há́ um ponto final muito importante: aproveitar as oportunidades que já existem no mercado para acelerar esta mudança. Sabemos o impacto que o Cegid Pulse pode ter nas PME portuguesas e, por isso, estamos a disponibilizá-lo aos clientes Cegid Evolution, ajudando-os a dar o salto tecnológico de forma mais rápida e segura.

 

 

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