O Brasil vai hoje a votos, ficando assim decidido, numa segunda volta, quem será o próximo presidente deste país. Seja qual for o vencedor, vai enfrentar alguns desafios de crescimento. Esta é uma das maiores economias do mundo, situando-se atualmente na décima posição do ranking, mas que segundo o FMI deverá voltar a ocupar o oitavo lugar em 2027. No entanto, segundo uma análise da Crédito Y Caucion – Atradius há ainda alguns entraves ao seu desenvolvimento económico, nomeadamente, as elevadas taxas de juro e os riscos geopolíticos.
O estudo, intitulado “LAC Economic Outlook 2026-2027” revela que a economia brasileira se tem mostrado bastante resiliente nos últimos anos, mas está a perder força, depois de quatro anos de crescimento acima da tendência. Os analistas da multinacional de seguros de crédito afirmam que se prevê que o crescimento do PIB abrande para os 2% em 2026 e para 1,3% em 2027. Isto à medida que o ritmo de flexibilização monetária desacelera perante uma inflação superior ao previsto, de cerca de 4,4 %.
A política orçamental do Brasil continua a ser a principal vulnerabilidade a médio prazo, diz estudo da Crédito Y Caucion.
Ainda que o Brasil seja exportador de energia, a guerra no Médio Oriente originou uma subida dos preços dos combustíveis e fertilizantes importados, aumentando assim os custos dos transportes e, e como consequência, dos alimentos. A isto juntam-se os intensos efeitos do El Nino, que poderá representar um dos maiores riscos da economia brasileira, já que há que as previsões de secas e de inundações que podem vir a perturbar a agricultura e a produção hidroelétrica.
Já a política orçamental continua a ser a principal vulnerabilidade a médio prazo. O atual quadro orçamental não tem sido suficiente para estabilizar o peso da dívida, e os elevados custos com juros mantêm o défice global acima de 8 % do PIB. Porém, do lado da política comercial, o país encontra-se numa posição mais favorável: trata-se de uma economia grande e relativamente fechada, com exportações que representam cerca de 18 % do PIB. A exposição aos Estados Unidos é baixa: as exportações para este mercado representam menos de 2 % do PIB, o que reduz o impacto macroeconómico do aumento das tarifas norte-americanas.
O El Nino poderá representar um dos maiores riscos da economia brasileira, já que há que as previsões de secas e de inundações que podem vir a perturbar a agricultura e a produção hidroelétrica.
Do lado das vantagens está o facto de que o Brasil se está a posicionar como centro regional para o investimento em Inteligência Artificial (IA). Iniciativas públicas e privadas estão a apoiar o desenvolvimento de centros de dados e de infraestruturas na cloud, enquanto o amplo mercado interno do país e os abundantes recursos de energia renovável proporcionam condições favoráveis à expansão do setor. Neste ponto, os analistas responsáveis pelo estudo referem que a utilização crescente da IA em setores como a saúde e a energia poderá favorecer o aumento da produtividade e reforçar as perspetivas de crescimento a médio prazo.





