Criar experiências que transformem teoria em competência prática é um caminho inovador para formar líderes, e isso exige mais do que transmitir conhecimento, já que a única constante no mercado é a mudança.
Assim sendo o ensino superior, muitas vezes centrado na aula expositiva e na avaliação majoritariamente memorística, revela-se insuficiente na formação de profissionais para contextos mercadológicos onde a volatilidade, a incerteza, a complexidade e ambiguidade dão as cartas. A liderança na contemporaneidade requer muita análise de informação, e nunca se produziu tanta, como também pensamento crítico, domínio analítico, decisão sob pressão e, não menos importante, orientação para resultados.
É, pois, neste âmbito que o modelo académico imersivo assume particular destaque, ao estruturar a aprendizagem em torno de metodologias ativas que replicam, com rigor pedagógico, os desafios do mundo empresarial.
O Problem-Based Learning (PBL) constitui um primeiro pilar desta mudança. Ao partir de problemas complexos, esta abordagem incentiva os estudantes a diagnosticar cenários ou situações, identificar variáveis críticas e construir caminhos de solução. Desloca-se, portanto, da receção passiva de conteúdos para a construção ativa de conhecimento. Desenvolvem-se, assim, competências de análise sistémica, autonomia intelectual e capacidade de trabalhar colaborativamente — competências essenciais para quem ambiciona liderar equipas e organizações.
Se o PBL estimula a análise, o Challenge-Based Learning (CBL) revela-se uma dimensão de impacto verdadeiro. Ao trabalhar desafios reais, frequentemente em sinergia com empresas ou organizações, os estudantes deixam de operar num plano abstrato e passam a enfrentar condições concretas de mercado. Esta transição é decisiva, pois, aprender deixa de ser um momento académico isolado e passa a ser um processo de cocriação de valor. Consolidam-se, deste modo, competências de execução, comunicação estratégica e responsabilização.
Contudo, liderar não é apenas analisar e executar; é decidir em cenários incertos. O Scenario-Based Learning (SBL) responde a essa exigência ao simular contextos dinâmicos, de forma simples ou complexa (quando usamos no cenário atores profissionais) em que cada decisão produz consequências encadeadas e até mesmo não previstas. Por meio de simulações estratégicas, os estudantes treinam observação, julgamento, respostas imediatas e no debriefing tem a oportunidade de analisar, debater e perceber a aprendizagem. Esta prática desenvolve visão sistémica e capacidade de adaptação — atributos determinantes num ambiente competitivo.
A consistência dessas decisões depende, porém, de uma fundamentação sólida. É aqui que o Research-Based Learning (RBL) assume um papel estruturante. Ao integrar investigação aplicada, análise de dados e validação de hipóteses, esta metodologia reforça o rigor teórico. O estudante aprende a sustentar decisões e argumentos com arcabouço teórico, evitando enviesamentos intuitivos ou simplificações excessivas. Num contexto empresarial cada vez mais orientado por dados, esta competência distingue líderes estratégicos de gestores meramente reativos.
A lógica do modelo imersivo reside precisamente na articulação destas abordagens. E assim sendo, o percurso é cumulativo: o PBL desperta a análise crítica; o CBL liga essa análise à criação de impacto; o SBL introduz a variável da incerteza; o RBL assegura rigor e fundamentação. Cada metodologia amplia a anterior, formando um ciclo integrado de aprendizagem experiencial.
É importante ressaltar que o modelo académico imersivo não elimina a teoria; redefine o seu papel. A teoria deixa de ser um fim em si mesma e passa a ser instrumento de ação estratégica. Ao aproximar a universidade do ecossistema empresarial, cria-se um espaço formativo onde o erro, a reflexão e a interatividade fazem parte do processo de desenvolvimento. Os resultados vão além de profissionais tecnicamente competentes, mas líderes capazes de interpretar contextos, mobilizar equipas e gerar impacto real.
É no encontro do saber e do fazer que nasce a liderança que o futuro exige.
Patrícia Gonçalves,
professora IPAM





