A Temas e Debates, editora do Grupo Bertrand, prepara os últimos meses do ano com uma seleção de livros que atravessa diferentes áreas do conhecimento, da economia e da política à história e à filosofia. Entre análises sobre o futuro da globalização, as grandes revoluções, as relações entre judeus e muçulmanos ou o papel da Europa no mundo, há também espaço para novas leituras do pensamento político e da própria história portuguesa.
Um dos títulos que chega às livrarias é “Economia de Exílio — Tarifas, Guerras Comerciais e o Futuro depois da Globalização”, de Ben Chu. O autor parte de uma transformação que se tornou particularmente evidente nos últimos anos: o afastamento entre as grandes economias mundiais e a crescente aposta na autossuficiência nacional.

A pandemia, a crise energética, os conflitos comerciais e a rivalidade entre grandes potências vieram colocar em causa décadas de crescente interdependência económica. Chu mostra como produtos tão diferentes como semicondutores, aço, soja ou painéis solares dependem de complexas cadeias de produção e comércio internacional. A chamada “economia de exílio” representa, neste contexto, uma rejeição dessa interdependência e da cooperação multilateral, levantando a questão sobre os riscos de um mundo mais isolado. Ben Chu é analista político e correspondente da BBC, tendo sido editor de economia do Newsnight e jornalista do The Independent.
Em setembro, chega “Revoluções — Uma Nova História”, de Donald Sassoon, uma análise de longo prazo sobre algumas das grandes revoluções que marcaram a história. A Guerra Civil Inglesa, a independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa, os processos de unificação de Itália e da Alemanha e as revoluções russa e chinesa são colocados lado a lado com revoltas esquecidas, golpes de Estado e motins.

Mais do que reconstituir episódios históricos isolados, Sassoon procura perceber o que transforma uma revolta numa verdadeira revolução e quais são as condições que permitem que determinados movimentos alterem profundamente a organização política e social. Nascido no Cairo, em 1946, o historiador foi professor de História Europeia Comparada na Queen Mary University of London e é autor de várias obras dedicadas à história política, social e cultural da Europa.
As relações entre duas das grandes tradições religiosas e culturais do mundo estão no centro de “Filhos de Abraão — A História de 1400 Anos das Relações entre Judeus e Muçulmanos”, de Marc David Baer, com lançamento previsto para outubro. O autor questiona a ideia de que judeus e muçulmanos tenham vivido sempre numa situação de conflito e procura recuperar uma história muito mais complexa, marcada tanto por períodos de tensão como de convivência.

A partir da atual violência no Médio Oriente, Baer coloca também questões sobre a representatividade dos protagonistas contemporâneos: serão Netanyahu e o Hamas representantes de todos os judeus e muçulmanos? E terão estas comunidades estado permanentemente em guerra ao longo dos últimos 1400 anos? O historiador reconstrói uma história entrelaçada que atravessa o Médio Oriente e a Europa, procurando afastar mitos e contramitos. Marc David Baer é professor de História Internacional na London School of Economics e autor de “Os Otomanos – Cãs, césares e califas”, também publicado pela Temas e Debates.
Também em outubro, “Se Deus é a Resposta, Qual é a Pergunta?”, de Christopher Insole, propõe uma reflexão sobre Deus, a religião e os limites da razão. O autor cruza o pensamento de filósofos como os estoicos, Spinoza e Kant com a experiência religiosa, procurando perceber de que forma a fé pode contribuir para responder a algumas das questões fundamentais sobre o sentido da existência.

A obra não se limita ao debate racional sobre a existência de Deus, explorando também dimensões como a empatia, a reverência e a procura de significado. Christopher Insole é professor de Teologia Filosófica e Ética na Universidade de Durham e autor de obras como Negative Natural Theology, Kant and the Divine e The Intolerable God.
O pensamento político no feminino é o ponto de partida para “A Revolução Invisível — Como as Mulheres Revolucionaram o Pensamento Político no Século XX”, de Mariana Dimópulos, também com chegada prevista para outubro. A autora recupera o percurso e as ideias de figuras como Rosa Luxemburgo, Hannah Arendt, Simone Weil, Simone de Beauvoir, Iris Murdoch, Ágnes Heller e Judith Butler.

Entre história, biografia e filosofia, a obra procura mostrar de que forma estas mulheres contribuíram para transformar conceitos como liberdade, justiça e poder e para renovar o pensamento político ao longo do século XX. Nascida em Buenos Aires e residente em Berlim, Mariana Dimópulos tem um doutoramento em Filosofia e desenvolveu trabalho académico ligado à tradição alemã e ao pensamento de Walter Benjamin.
Em novembro, a economista Mariana Mazzucato regressa ao catálogo da Temas e Debates com “A Economia do Bem Comum — Uma Nova Bússola”. A autora parte da ideia de que o atual sistema económico enfrenta problemas estruturais, da crise climática à desigualdade, passando pela concentração de riqueza e pela perda de confiança nas instituições.

Depois de defender o papel do Estado empreendedor e de propor uma economia orientada para missões, Mazzucato apresenta agora uma teoria centrada no bem comum. A proposta passa por repensar a forma como governos, empresas e sociedade criam valor, colocando no centro a ação coletiva, a participação e a reciprocidade. Professora na University College London e fundadora e diretora do Institute for Innovation and Public Purpose, Mazzucato é autora de “O Valor de Tudo”, “Economia de Missão” e “O Grande Engano”, todos publicados pela Temas e Debates.
Também em novembro, Timothy Garton Ash procura condensar séculos de história e complexidade política em pouco mais de uma centena de páginas com “A Europa em 7 ½ Capítulos — A mais Breve Introdução ao mais Antigo e mais Novo Continente”.

O historiador e comentador britânico parte de uma questão aparentemente impossível: como explicar a Europa, com toda a sua diversidade, conflitos e contradições, num livro tão curto? Depois de mais de 50 anos a estudar o continente, Garton Ash defende a importância de uma Europa forte e livre, capaz de equilibrar unidade e diversidade e de defender interesses e valores comuns num mundo que deixou de ser predominantemente ocidental. O autor, professor de Estudos Europeus em Oxford e Senior Fellow da Hoover Institution, em Stanford, é também colunista do The Guardian. Entre as suas obras publicadas pela Temas e Debates estão “Liberdade de Expressão – Dez Princípios para um Mundo Interligado” e “Pátrias – Uma História Pessoal da Europa”. Em 2026, recebeu o Prémio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais.
A fechar esta seleção está “História Global da Monarquia Portuguesa”, obra dirigida por José Eduardo Franco e coordenada por Paulo Drumond Braga, que propõe uma nova leitura da monarquia portuguesa através da perspetiva da história global.
Em vez de olhar para a monarquia apenas dentro das fronteiras nacionais, a obra acompanha as redes de família, poder, legitimidade e prestígio que a ligaram a diferentes territórios e continentes. A proposta é compreender a monarquia portuguesa como uma instituição inserida em redes europeias e intercontinentais, acompanhando a sua longa duração e as diferentes formas que assumiu ao longo do tempo.
José Eduardo Franco é historiador, investigador e professor da Universidade Aberta, diretor do Centro de Estudos Globais e titular da Cátedra UNESCO-CIPSH de Estudos Globais. Doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, recebeu a Medalha de Mérito Cultural em 2015 e um doutoramento honoris causa pela Universidade Paris-Panthéon-Assas em 2025. Paulo Drumond Braga é historiador, investigador da Universidade Aberta e autor de cerca de 30 livros e mais de 250 textos científicos.





