IMAX bate recorde de bilheteira no verão com salto de 73%. E “A Odisseia” não fez tudo sozinho

A IMAX Corporation estabeleceu um novo recorde mundial de bilheteira durante o verão, com $728 milhões (620 milhões de euros) arrecadados entre o Memorial Day (feriado norte-americano que assinala a memória dos militares dos EUA mortos em combate que é celebrado na última segunda-feira de maio e que este ano se celebrou a 25 de…
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A IMAX arrecadou $728 milhões (620 milhões de euros) nas bilheteiras mundiais entre o Memorial Day e o Labor Day, superando em 73% o anterior recorde de verão. “A Odisseia”, de Christopher Nolan, foi responsável por uma parte significativa do resultado, mas a recuperação das salas de cinema no pós-pandemia também está a ganhar força.
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A IMAX Corporation estabeleceu um novo recorde mundial de bilheteira durante o verão, com $728 milhões (620 milhões de euros) arrecadados entre o Memorial Day (feriado norte-americano que assinala a memória dos militares dos EUA mortos em combate que é celebrado na última segunda-feira de maio e que este ano se celebrou a 25 de maio) e o fim de semana do Labor Day (feriado norte-americano dedicado aos trabalhadores celebrado na primeira segunda-feira de setembro), nos Estados Unidos. O valor representa um salto de 73% face ao anterior recorde de verão da empresa e confirma uma recuperação particularmente forte da marca depois dos anos mais difíceis para o cinema provocados pela pandemia.

Uma parte significativa deste desempenho deve-se a “The Odyssey” (“A Odisseia“), o novo filme de Christopher Nolan. A produção, protagonizada por Matt Damon, Tom Holland e Anne Hathaway, gerou $485 milhões (413 milhões de euros) em receitas IMAX nas primeiras oito semanas de exibição.

Segundo a empresa, o filme bateu “praticamente todos os recordes IMAX” que encontrou pelo caminho e proporcionou também o melhor fim de semana de Labor Day da história da companhia.

Os $485 milhões obtidos por “The Odyssey” em IMAX são quase o dobro do segundo filme com maior bilheteira da história da marca, “Avatar”, de James Cameron, lançado em 2009. E o filme de Nolan ainda tem ainda algumas semanas de exibição pela frente.

O peso da IMAX é particularmente impressionante quando comparado com a dimensão da sua rede. A empresa tem cerca de 1.800 ecrãs em todo o mundo, menos de 1% do total de ecrãs de cinema existentes globalmente. Ainda assim, esses ecrãs foram responsáveis por 5,8% da bilheteira mundial durante o verão — a maior quota de mercado alguma vez alcançada pela IMAX nesse período do ano.

No caso de “The Odyssey”, a concentração é ainda mais evidente: cerca de 30% dos $1,6 mil milhões (1,36 mil milhões de euros) de bilheteira mundial acumulada pelo filme foram gerados nas sessões IMAX.

O fenómeno “A Odisseia”

O desempenho do filme está diretamente relacionado com a forma como foi realizado. “The Odyssey” é o primeiro filme de longa-metragem filmado integralmente com câmaras de película IMAX de 70 mm. É uma distinção importante num momento em que muitos estúdios promovem filmes como “filmados para IMAX”.

Nesses casos, as produções podem utilizar câmaras digitais certificadas pela IMAX ou filmar apenas determinadas sequências de ação em película IMAX, recorrendo a formatos de câmara mais pequenos nas cenas de diálogo e noutras partes menos exigentes. Nolan foi mais longe. “The Odyssey” foi filmado a 100% em película IMAX e, para tornar isso possível, foram desenvolvidos novos equipamentos de filmagem.

A aposta parece ter criado precisamente o tipo de experiência que o público está disposto a procurar numa sala de cinema.

Depois da pandemia, os espectadores tornaram-se mais seletivos relativamente aos filmes que justificam uma ida ao cinema. A dimensão do ecrã, a qualidade da imagem e a sensação de estar a assistir a algo que dificilmente poderá ser reproduzido da mesma forma em casa passaram a ter um peso maior na decisão.

No caso de “The Odyssey”, a utilização integral do formato IMAX ajudou a transformar essa diferença numa parte da própria experiência do filme.

O IMAX pode continuar a crescer

A empresa prevê arrecadar $1,4 mil milhões (1,19 mil milhões de euros) em bilheteira mundial este ano, apoiada por uma série de grandes produções que ainda chegarão às salas. Entre elas estão “Resident Evil”, “Digger”, “Street Fighter”, “Godzilla Minus Zero” e “The Further Mis-Adventures of Cliff Booth”. E há ainda “Dune: Part Three”, que só estreia em dezembro, mas já está a registar algumas das maiores pré-vendas de sempre para um filme IMAX.

O desempenho da empresa também se tem refletido em Wall Street. As ações da IMAX valorizaram cerca de 70% nos últimos 12 meses e acumulam uma subida próxima dos 250% desde setembro de 2021, numa altura em que Hollywood ainda enfrentava fortes dificuldades provocadas pela pandemia.

Apesar do sucesso de “The Odyssey”, Christopher Nolan continua praticamente sozinho na decisão de filmar uma longa-metragem inteira em película IMAX de 70 mm. Nenhum outro realizador anunciou, até agora, uma produção que siga integralmente esse caminho.

Há, no entanto, vários cineastas a aproximarem-se desse modelo. Denis Villeneuve, com “Dune: Part Three”, Ryan Coogler, com “Black Panther 3”, e J.J. Abrams, com “The Great Beyond”, estão a utilizar em partes significativas dos seus próximos blockbusters as câmaras IMAX mais silenciosas desenvolvidas para “The Odyssey”.

O regresso das salas de cinema

O recorde da IMAX acompanha uma recuperação mais ampla das bilheteiras norte-americanas. No fim de semana do Labor Day, a bilheteira doméstica de verão atingiu um novo máximo histórico, com $4,76 mil milhões (4,06 mil milhões de euros) arrecadados desde o Memorial Day.

O resultado ultrapassou o anterior recorde, estabelecido em 2013, de $4,75 mil milhões, e ficou também bastante acima dos $4,3 mil milhões de 2019 — um valor que, desde a pandemia, era considerado a referência a superar.

Spider-Man: Brand New Day”, lançado a 31 de julho, liderou o verão, com $924 milhões (787 milhões de euros) de bilheteira nos Estados Unidos até agora. “Toy Story 5”, “The Odyssey”, “Backrooms” e “Obsession” contribuíram também para o regresso do público às salas.

É apenas a segunda vez desde a pandemia que a bilheteira de verão norte-americana ultrapassa os $4 mil milhões. A primeira aconteceu em 2023, quando “Barbie” e “Oppenheimer”, outro filme de Christopher Nolan, ajudaram a levar o verão a esse patamar.

Há, contudo, um dado ainda mais significativo: é a primeira vez na história que cada um dos quatro meses do período de verão — maio, junho, julho e agosto — ultrapassou individualmente os $1 mil milhões de bilheteira.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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