Jovem de 25 anos torna-se o mais jovem bilionário self-made da Europa com chips para IA

Em 2017, James Dacombe abandonou o ensino secundário para fundar a CoMind, uma startup dedicada à monitorização cerebral. Quatro anos depois, decidiu não frequentar a universidade e aceitou uma Thiel Fellowship (programa de dois anos criado em 2011 pelo empresário e investidor Peter Thiel, cofundador do PayPal, que paga a jovens para suspenderem a universidade…
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James Dacombe abandonou o ensino secundário para criar a primeira startup. Aos 25 anos, uma nova ronda de financiamento para a empresa de chips de IA Olix, avaliada em $3,3 mil milhões (2,8 mil milhões de euros), transformou-o no mais jovem bilionário self-made da Europa.
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Em 2017, James Dacombe abandonou o ensino secundário para fundar a CoMind, uma startup dedicada à monitorização cerebral. Quatro anos depois, decidiu não frequentar a universidade e aceitou uma Thiel Fellowship (programa de dois anos criado em 2011 pelo empresário e investidor Peter Thiel, cofundador do PayPal, que paga a jovens para suspenderem a universidade e se dedicarem a criar empresas, projetos científicos ou iniciativas sociais) para se dedicar à construção da sua empresa. Agora, aos 25 anos, tornou-se o mais jovem bilionário self-made da Europa graças à Olix, uma empresa de chips para inteligência artificial que fundou há apenas dois anos, e a uma participação não divulgada na CoMind, que continua a gerir separadamente.

Fundada em 2024 e sediada em Londres, a Olix triplicou a sua avaliação em apenas seis meses, chegando aos $3,3 mil milhões (2,8 mil milhões de euros) no início de agosto, depois de captar $312 milhões (267 milhões de euros) numa ronda de financiamento.

Entre os investidores estão a empresa de investimento nova-iorquina Fundomo, a fabricante de chips Arm, cotada na Nasdaq, o fundo quantitativo Hudson River Trading e Reed Hastings, cofundador da Netflix. O fundo Sovereign AI do Governo britânico também participou na ronda.

Dacombe detém uma participação estimada de 30% na Olix, o que o colocou no clube dos bilionários. O empresário possui ainda 12% da CoMind, que captou $102,5 milhões (88 milhões de euros) em agosto de 2025, embora a empresa não tenha divulgado a sua avaliação.

A Olix e a CoMind não responderam aos pedidos de comentário da Forbes.

Um dos 11 bilionários self-made com menos de 30 anos

Dacombe é um dos apenas 11 bilionários self-made em todo o mundo que ainda não chegaram aos 30 anos e um dos quatro que vivem fora dos Estados Unidos.

O europeu mais jovem a seguir a Dacombe é Arvid Lunnemark, cofundador da popular empresa de edição de código baseada em IA Cursor. O sueco foi para os Estados Unidos para estudar no MIT e criou a empresa em 2022 com três colegas de universidade.

Agora residente em São Francisco, Lunnemark, de 26 anos, e os seus três cofundadores praticamente duplicaram as suas fortunas para uma estimativa de $2,4 mil milhões (2,1 mil milhões de euros) na sexta-feira, depois de a SpaceX ter adquirido a Cursor por $60 mil milhões (51,5 mil milhões de euros).

O cofundador mais velho da Cursor, o cidadão paquistanês Sualeh Asif, também tem 26 anos.

Há ainda outro sueco de 26 anos a acompanhar esta nova geração de jovens bilionários. Fabian Hedin, cofundador da Lovable, com sede em Estocolmo e apenas alguns meses mais velho do que Lunnemark, tornou-se bilionário em dezembro, quando a sua startup de vibe coding captou financiamento com uma avaliação de $6,6 mil milhões (5,7 mil milhões de euros).

No início desta semana, a Lovable anunciou uma nova ronda de $400 milhões (343 milhões de euros), com uma avaliação de $13,3 mil milhões (11,4 mil milhões de euros). O negócio fez praticamente duplicar o património estimado de Hedin, para $3,1 mil milhões (2,7 mil milhões de euros).

A corrida para criar o próximo grande chip de IA

A ascensão destes jovens empresários acontece no contexto de uma vaga global de investimento em startups de inteligência artificial que está a criar novos bilionários a uma velocidade pouco habitual.

Nos Estados Unidos, o título de mais jovem bilionário self-made mudou de mãos várias vezes apenas no último ano. Atualmente, o mais jovem do mundo é o norte-americano Surya Midha, que tinha 22 anos quando a Mercor, startup de recrutamento com IA que cofundou, captou financiamento com uma avaliação de $10 mil milhões (8,6 mil milhões de euros) em outubro.

O negócio elevou a fortuna estimada de Midha para $2,2 mil milhões (1,9 mil milhões de euros). Midha ultrapassou Shayne Coplan, da Polymarket, de 28 anos, que semanas antes tinha assumido o título a Alexandr Wang, da Scale AI, então com 29 anos.

A aposta de Dacombe contra a dependência da Nvidia

A aposta de Dacombe passa por uma ideia simples: nem todas as tarefas de inteligência artificial precisam dos poderosos chips da Nvidia.

Em vez de recorrer a um único tipo de processador para todas as fases de um modelo de IA, a Olix pretende desenvolver chips especializados para diferentes componentes da fase de inference — o momento em que um modelo processa informação e produz uma resposta.

Os chips da empresa utilizam ainda tecnologia fotónica, fazendo com que os dados se movimentem entre os diferentes componentes através de luz, em vez de sinais elétricos. A tecnologia pode ajudar a reduzir tanto a latência como o consumo energético.

A Olix pretende também evitar a utilização de dispendiosa memória de elevada largura de banda (high-bandwidth memory), um componente que atualmente enfrenta uma oferta limitada.

A empresa prevê colocar os seus primeiros chips nas mãos de clientes durante a segunda metade de 2027.

Uma corrida com muitos concorrentes

A Olix entra num mercado cada vez mais disputado. A norte-americana d-Matrix, apoiada pela Microsoft, já comercializa os seus chips Corsair, enquanto startups como MatX, Etched e a britânica Fractile também captaram rondas de financiamento significativas no último ano.

A própria Nvidia está a entrar neste segmento. Em dezembro, a fabricante de chips assinou um acordo de licenciamento de $20 mil milhões (17,2 mil milhões de euros) com a Groq, empresa fundada por Jonathan Ross, que trabalhou nas primeiras gerações dos chips TPU de inteligência artificial da Google.

Dacombe não tinha experiência anterior na indústria de semicondutores quando fundou a Olix. A sua experiência na área da fotónica, adquirida através da CoMind, é, no entanto, uma das vantagens que acredita poder diferenciar a nova empresa face à Groq e a outros gigantes do setor.

Há capital suficiente para financiar várias destas apostas. O grande prémio, contudo, ficará para a tecnologia que conseguir demonstrar que funciona melhor e a um custo mais baixo.

Como Dacombe explicou recentemente ao Financial Times, “quando existe um prémio económico tão grande por conseguir executar modelos de linguagem de grande dimensão de forma rápida, para um grande número de utilizadores e a baixo custo, compensa realmente desagregar e ter silício personalizado que seja bom nisso”.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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