A computação quântica ainda está longe de fazer parte da operação diária da maioria das empresas, mas o seu potencial impacto em setores como a cibersegurança, a indústria, a banca, a saúde ou a logística começa a colocar uma questão na agenda dos líderes: como preparar hoje uma organização para uma tecnologia cujo verdadeiro impacto poderá surgir nos próximos anos?
É a partir desta questão que Rui Ribeiro, professor universitário, investigador, autor e Partner da aiteris, lança “Leading the Quantum Economy: The Executive Playbook for Strategy, Security and Responsible Transformation”, um guia dirigido a CEOs, CIOs, administradores e outros decisores empresariais.
A obra chega ao mercado em duas versões, inglesa e portuguesa, esta última com o título “Liderar a Economia Quântica: O Guia Executivo para Estratégia, Segurança e Transformação Responsável”. O livro resulta de cerca de um ano de investigação, reflexão e escrita e dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo autor em “Bizgital Transformation”, publicado em 2025.
“Não escrevi um livro de física. Escrevi um livro para líderes que precisam de perceber o que devem proteger, onde faz sentido experimentar e quando uma tecnologia emergente começa a justificar decisões estratégicas”, afirma Rui Ribeiro, em comunicado.

Um dos princípios centrais da obra é resumido numa frase: “Não se deve exagerar o futuro quântico, mas também não se deve subestimar a preparação para ele”. A proposta passa, assim, por evitar tanto o entusiasmo excessivo em torno de uma tecnologia ainda em desenvolvimento como a atitude de esperar até que as suas aplicações estejam totalmente maduras.
Para Rui Ribeiro, o maior risco não está necessariamente numa organização avançar demasiado cedo ou demasiado tarde. Está em não desenvolver a capacidade necessária para reconhecer o momento em que o quantum deixa de ser apenas uma tendência tecnológica e passa a constituir um tema de gestão.
A publicação desta obra surge num momento em que governos, universidades e empresas de tecnologia estão a intensificar a investigação e o investimento em tecnologias quânticas, tornando questões como soberania tecnológica, segurança e preparação de talento cada vez mais relevantes para as empresas.
O livro aborda a computação quântica aplicada aos negócios, mas também temas que poderão ter impacto nas organizações antes de os computadores quânticos atingirem uma utilização empresarial generalizada. É o caso da criptografia pós-quântica, uma das áreas a que Rui Ribeiro atribui particular importância. Segundo este docente, a evolução da computação quântica poderá colocar em causa alguns dos sistemas criptográficos atualmente utilizados. A obra aborda ainda a geopolítica e a soberania tecnológica, talento e liderança, sustentabilidade, inovação responsável e novos modelos de governação.
O livro explica o chamado ponto de inflexão quântico e os conceitos fundamentais que um líder deverá compreender, antes de avançar para a economia e a geopolítica associadas à tecnologia. Depois identifica os setores em que o impacto poderá surgir primeiro e dedica especial atenção à segurança e à transição para a criptografia pós-quântica. Os capítulos finais centram-se na preparação organizacional, talento, liderança, inovação responsável e numa agenda prática para CEOs e CIOs.
A questão não é, segundo o autor, convencer todas as empresas a investir imediatamente em computação quântica. É ajudá-las a responder a perguntas mais concretas: o que deve ser protegido desde já? Onde faz sentido experimentar? Que competências devem ser desenvolvidas? Que parceiros podem ser relevantes? E que sinais devem levar uma organização a passar da observação para o investimento?
Um framework para medir a preparação
Entre os instrumentos apresentados no livro está o “Quantum Readiness Framework”, concebido para ajudar as organizações a avaliar o seu nível de preparação para a economia quântica. A ferramenta pretende apoiar diferentes etapas do processo, desde a identificação das áreas prioritárias até à estruturação de projetos-piloto, avaliação de fornecedores e análise dos resultados. O objetivo é também ajudar os gestores a separar sinais concretos de criação de valor das expectativas excessivas que frequentemente acompanham tecnologias emergentes.





