“O Sol da Caparica é um evento nacional”

O festival Sol da Caparica arranca já esta quinta-feira e decorre até domingo, dia 16, com um cartaz onde a língua portuguesa é senhora e rainha. Em entrevista à Forbes Portugal os atuais organizadores, o músico André Sardet pela Domingo no Mundo, e António Gomes, pela Music Mov, garantem que o Sol da Caparica já…
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A 11ª edição do Sol da Caparica já está pronta para receber os festivaleiros entre amanhã, quinta, e domingo, dia 16. Os promotores, André Sardet, da Domingo no Mundo, e António Gomes, da Music Mov, falam da dimensão nacional que o evento já conquistou.
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O festival Sol da Caparica arranca já esta quinta-feira e decorre até domingo, dia 16, com um cartaz onde a língua portuguesa é senhora e rainha. Em entrevista à Forbes Portugal os atuais organizadores, o músico André Sardet pela Domingo no Mundo, e António Gomes, pela Music Mov, garantem que o Sol da Caparica já conquistou o estatuto de evento nacional, com impacto positivo na economia e turismo do concelho de Almada e arredores.

Com 60% das vendas de bilhetes a serem feitas em agosto, os dois promotores detalham o impacto que o evento tem tido na economia local e no turismo e destacam como prova o facto de ter sido necessário recorrer a alojamentos fora do concelho de Almada para responder à procura turística.

Os responsáveis do consórcio explicam ainda o que foi necessário, ao longo destes últimos anos, mudar na organização do festival para lhe dar novo fôlego e credibilidade junto do público e dos artistas que sobem a palco.

Sobre as mudanças que colocaram no terreno desde 2024, André Sardet, fundador da Domingo no Mundo, realça que “conseguimos implementar uma dinâmica diferente no festival. Identificámos algumas situações que mereciam especial atenção, nomeadamente a segurança. Sentíamos que havia apreensão da parte dos pais em deixar os filhos. No fundo sentimos, embora não sejam nossos filhos, alguma responsabilidade em acolhê-los devidamente e com segurança e garantir que dentro do recinto tudo corre da melhor forma. Obviamente que também fora do recinto, em articulação com as autoridades, tentámos garantir também essa segurança. Isso foi um dos aspetos que era preciso alterar”.

Melhores condições para o público e artistas

O músico destaca que também que foi “preciso melhorar as condições para os artistas poderem proporcionar ao público melhores espetáculos. E essas condições técnicas foram garantidas logo no primeiro ano com palcos de maior dimensão, com equipamentos de outro nível”. André Sardet detalha que “apostámos num palco principal, que é este ano é o palco Via Verde, que é a cara do festival e que tem um layout e uma cenografia que é, na nossa opinião, muito adequada ao recinto e ao espaço. O sol põe-se exatamente atrás do palco principal. E, portanto, o palco principal tinha de respeitar essa luz dourada que nós temos ao fim da tarde e, por isso, tinha de ter alguma transparência. E foi isso que desenvolvemos e conseguimos”.

O consórcio apostou ainda no conforto e qualidade do recinto que se reflete, por exemplo, “no número de casas de banho que aumentámos substancialmente, no desfasamento dos horários entre os palcos, o que permite que as pessoas não vão todas comer ou beber na mesma altura. O cumprimento dos horários foi algo também que passou a ser muito levado a sério no Sol da Caparica”.

António Gomes, CEO da Music Mov, confirma ainda que “a imagem do festival, efetivamente mudou, ficou mais fresca, mais leve. Demos uma dimensão nacional ao evento. A distribuição de tudo aquilo que está dentro do recinto respira bastante. Portanto, é tudo aquilo que o André disse em termos de credibilidade, de experiência. Foi tudo isso que nós conseguimos alterar e torná-lo um festival nacional”.

André Sardet corrobora esta ideia de se ter dado uma dimensão nacional ao evento. O músico sublinha que “foi algo que conseguimos conquistar e que sentimos que é uma das grandes vitórias dos últimos anos, já que este festival recebe pessoas de todos os pontos do país, inclusivamente das ilhas. Passou a ser parte da agenda dos mais jovens, mas também dos mais velhos, virem ao Sol da Caparica nesta altura de agosto”. O fundador da Domingo no Mundo lembra o facto de que as marcas passaram a olhar para o Sol da Caparica com mais interesse. A prova disso é o facto de “termos um palco em nome da Sagres, um palco Via Verde, temos cada vez mais marcas a estarem connosco, precisamente porque entendem que o Sol da Caparica não só tem essa dimensão nacional, como também está muito consolidada em determinados targets. E essas marcas que querem comunicar com esses targets procuram-nos cada vez mais”.

Garantir o melhor cartaz em português

Enquanto António Gomes salienta o equilíbrio que se tem conseguido em várias áreas ao salientar, por exemplo, que a lotação do Sol da Caparica é de 35 mil pessoas e “temos um parque de restauração com capacidade de resposta a todos os festivaleiros, o que também dá alguma tranquilidade, bem-estar a quem vai cedo, que consegue comer, beber, sem grandes preocupações”.

Sobre os desafios para colocar de pé a edição de 2026 do Sol da Caparica, André Sardet refere que o primeiro e maior “é fechar o cartaz, é um trabalho que tem mais de um ano de desenvolvimento. Fechar o cartaz para nós é muito importante porque o Sol da Caparica é um evento que vive muito da língua portuguesa e ao mesmo tempo é um evento que vive da diversidade de estilos musicais. E, portanto, esse equilíbrio que tentamos fazer durante todos os dias faz com que os mais jovens e os mais velhos se revejam no nosso cartaz ou nos nossos cartazes”.

 

O cartaz de 2026 do Sol da Caparica.

Depois desse, o desafio foi “tentar fazer melhor, tentar trazer novidades, tentar trazer um recinto ainda mais organizado e mais bonito, e obviamente também criar condições técnicas aos artistas que nos pedem todos os anos para fazer espetáculos que não acontecem em mais nenhum sítio e que todos se preparam de uma forma diferente”.

A este facto, António Gomes acrescenta “um dado muito importante: este é o festival mais barato do país. Não há nenhum festival que tenha tantas bandas como tem o Sol da Caparica ao preço que tem”.  André Sardet remata lembrando que está “associado também o desafio garantir as contas”.

Perante a pergunta se já estão a conseguir a sustentabilidade financeira do projeto desde que assumiram a promoção, André Sardet é direto na resposta: “Não inicialmente, mas agora sim”, escusando-se a divulgar os números por considerar que são privados. No entanto, refere que “não dependemos de dinheiros públicos, inclusive pagamos à Câmara Municipal a concessão”. Na altura da assinatura do contrato, em 2024, foi divulgado que o município de Almada receberia uma contrapartida de 41 mil euros por cada festival realizado desde então.

Manter a identidade lusófona do festival é uma obrigatoriedade contratual. António Gomes garante que o consórcio cumpre esse ponto e “tentamos sempre estar atentos às tendências, às evoluções. Por exemplo, este ano apostámos no Palco Sagres mais na música eletrónica, em produtores nacionais de uma outra vertente”. E acrescenta que “todos os anos tentamos ter sempre diversificação de estilos musicais, mas sempre dentro da lusofonia. Este também é um dos grandes desafios, porque os artistas também mudaram a sua forma de estar no mercado, há muito mais produções, e por isso às vezes estamos mais limitados com contratações de A, B ou C”. O CEO da Music Mov diz que “é inegável que, tanto eu como o André, recebemos o contacto de todas as agências a quererem colocar sempre artistas no Sol da Caparica, mas infelizmente não conseguimos satisfazer a todos. Temos também de olhar para o equilíbrio das contas, e olhamos para cada artista também para ver a melhor rentabilidade que nos possam dar. Porque o equilíbrio das contas é fundamental”.

Conquistar os patrocinadores

Sobre o interesse que o Sol da Caparica já desperta junto das empresas, André Sardet é perentório em realçar que “destruir a reputação de um festival demora um segundo. Construí-la demora anos. Isto é um processo em curso, não é um PREC, mas é quase porque temos vindo ao longo dos anos a falar com as marcas”. O músico salienta que “este ano, por exemplo, temos a Coca-Cola que andámos a falar desde o primeiro momento. Foi uma negociação, foi um trabalho desenvolvido ao longo de três anos. Até que, de facto, esta marca decidiu querer estar connosco e estar junto do nosso público. O que nos deixa muito felizes e ao mesmo tempo é o reconhecimento do trabalho desenvolvido. As marcas são, de facto, muito exigentes onde investem. E nós tentamos não defraudar as expectativas delas e, ao mesmo tempo, acolhê-las da melhor forma que conseguimos e sabemos”. E acredita que “a Via Verde vai abrir autoestradas para o público que quer ficar na linha da frente e que quer ter experiências únicas, como conhecer os seus artistas favoritos, como tirar fotografias com eles, etc. É estarem atentos à Via Verde, que divulgará em breve toda essa dinâmica”.

Quanto ao futuro do festival, André Sardet admite que “é importante agora fazer uma avaliação a cada ano e, portanto, no final desta edição vamos avaliar. Temos planos, temos sempre uma vontade insaciável de fazer melhor e fazer diferente, tanto eu como o António. Acredito que depois do balanço deste evento olhemos para o futuro com perspetivas de fazer diferente e fazer melhor, obviamente”.

António Gomes sublinha que “aquilo que nós pudemos dar de contributo ao festival nós demos, já está provado. Conseguiremos eventualmente fazer melhor, mas precisamos também que o parceiro e dono do festival também se alie de uma forma mais coesa e que estejamos alinhados nessa possibilidade de crescimento”.

As boas práticas de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social não são esquecidas pela organização. O Sistema Volta vai estar presente no recinto, em que, as pessoas terão a possibilidade de utilizar as suas garrafas de água e receber os 10 cêntimos do depósito que pagaram. André Sardet destaca ainda que “temos também reguladores de ruído e temos reciclagem em toda a linha de restauração, temos este ano um especial destaque, mas sempre o tivemos. Eu e o António fazemos vários festivais como o Mar Me Quer, por exemplo, que teve sempre uma palavra a dizer na sustentabilidade e, portanto, somos pessoas atentas a essa situação sempre”. Numa altura em que proliferam as notícias sobre a falta de água no concelho de Almada, o fundador da Domingo no Mundo salienta que “este ano tomámos algumas medidas para reduzir drasticamente o consumo de água no Sol da Caparica. Embora, a informação que temos, é que a situação está normalizada”.

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