Paulo Garcia, o português que chega à liderança financeira da Pandora

O executivo português foi escolhido para suceder a Anders Boyer como Chief Financial Officer (CFO) da Pandora, numa mudança que coloca um gestor português à frente da área financeira de uma das maiores marcas mundiais de joalharia. Garcia entra formalmente na empresa a 1 de outubro e assumirá as funções de CFO a 1 de…
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Depois de 25 anos em posições de topo na Unilever, Ahold Delhaize e Walmart, o executivo português prepara-se para assumir a posição de CFO da Pandora, uma das maiores marcas mundiais de joalharia.
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O executivo português foi escolhido para suceder a Anders Boyer como Chief Financial Officer (CFO) da Pandora, numa mudança que coloca um gestor português à frente da área financeira de uma das maiores marcas mundiais de joalharia. Garcia entra formalmente na empresa a 1 de outubro e assumirá as funções de CFO a 1 de dezembro de 2026. Boyer, que deixa o cargo após mais de 14 anos ligados à Pandora, permanecerá na companhia até 31 de março de 2027 para assegurar a transição.

A nomeação representa o próximo capítulo de uma carreira internacional de cerca de um quarto de século, construída sobretudo nos setores dos bens de consumo e do retalho. Antes de chegar à Pandora, Paulo Garcia era CFO da Walmart México e América Central (Walmex), subsidiária cotada do grupo Walmart, onde liderava a área financeira desde 2021. A empresa apresenta cerca de 50 mil milhões de dólares de receitas e 240 mil trabalhadores.

O percurso que o levou até aqui começou, contudo, muito longe do México.

De Lisboa para o mundo

Licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa, Paulo Garcia passou também pela Universidade de Tilburg, nos Países Baixos, ao abrigo de um programa de intercâmbio Erasmus. A experiência internacional acabaria por ser muito mais do que uma etapa académica: tornou-se uma característica definidora da sua carreira. Em 1997, entrou na Unilever como trainee. Seria o início de duas décadas numa das maiores empresas mundiais de bens de consumo. Ao longo dos anos, passou por diferentes geografias e funções financeiras, trabalhando em Portugal, América Latina, Reino Unido, Espanha, Polónia e Países Baixos. Entre as funções desempenhadas esteve a de CFO da Unilever para a Europa, depois de ter assumido posições como CFO da operação espanhola e da região da Europa Central e Oriental. Foi uma escola particularmente exigente para um executivo financeiro: mercados distintos, culturas empresariais diferentes e operações de grande escala.

Em 2019, Garcia deixou a Unilever para assumir o cargo de CFO da Ahold Delhaize para a Europa e Indonésia. Na função, liderou as equipas de Finanças, Estratégia, M&A e Business Services, com uma operação que abrangia mais de 27 mil milhões de euros. Dois anos depois, chegaria o desafio americano.

O CFO português da Walmart

Em agosto de 2021, Paulo Garcia foi nomeado CFO da Walmart México e América Central. A escolha assentava precisamente na combinação de experiência internacional, conhecimento da indústria de bens de consumo e passagem pelo retalho que marcava o seu percurso. A mudança levou-o para a Cidade do México, onde a família o acompanhou. Num testemunho publicado em 2023, o executivo descrevia essa mudança como uma nova aventura pessoal e profissional e explicava que a experiência mexicana lhe tinha reforçado uma convicção: não existem culturas melhores ou piores; existem culturas diferentes, às quais um líder precisa de saber adaptar-se. Essa dimensão humana parece ser uma constante na sua filosofia de liderança. Numa entrevista concedida durante a passagem pela Walmart, Garcia identificava a gestão de pessoas como o ativo mais importante de uma empresa e defendia uma liderança pelo exemplo. O seu princípio pessoal e profissional era resumido numa expressão: “Spark the light at the end of the tunnel  encontrar a luz no final do túnel e manter uma visão positiva mesmo perante os desafios.

Também o desenvolvimento de talento ocupava um lugar relevante na sua agenda. Enquanto CFO da Walmex, patrocinou iniciativas dedicadas ao desenvolvimento de mulheres na área financeira e destacou publicamente a importância de construir e desenvolver talento dentro das organizações.

Da Walmart à Pandora

Agora, Garcia regressa à Europa para assumir um dos lugares-chave da estrutura executiva da Pandora. A escolha surge num momento em que a empresa dinamarquesa procura continuar a sua trajetória de crescimento e transformação. A Pandora é atualmente apresentada como a maior marca mundial de joalharia, está presente em mais de 100 países, conta com cerca de 7.000 pontos de venda e emprega aproximadamente 39.000 pessoas. Em 2025, registou receitas de 32,5 mil milhões de coroas dinamarquesas, cerca de 4,4 mil milhões de euros.

Para a CEO Berta de Pablos-Barbier, Garcia traz uma combinação particularmente relevante para a próxima fase da empresa: experiência financeira e comercial, conhecimento profundo da indústria de bens de consumo e retalho, foco em pessoas e cultura e experiência em transformação digital e aplicação de inteligência artificial aos processos empresariais.

O próprio executivo vê na Pandora uma empresa com “significativo potencial de crescimento” e considera o modelo de negócio, as margens e a capacidade de geração de caixa particularmente atrativos. A sua missão será trabalhar com a organização para desbloquear a próxima fase de crescimento sob a liderança de Berta de Pablos-Barbier.

Uma carreira entre números e pessoas

A história profissional de Paulo Garcia é, por isso, menos a de um CFO tradicional e mais a de um executivo moldado pela internacionalização. Começou em Portugal, passou pela América Latina, viveu na Holanda, trabalhou no Reino Unido, Espanha e Polónia, assumiu responsabilidades europeias e acabou por liderar a função financeira de uma das maiores operações de retalho da América Latina. E, apesar de ter passado grande parte da carreira fora de Portugal, a ligação ao país manteve-se. Garcia integra desde 2023 o Conselho da Diáspora Portuguesa, organização que reúne profissionais portugueses com carreiras internacionais.

Fora da sala de reuniões, a vida parece ser deliberadamente mais simples. Casado e pai de dois filhos, o executivo apontava o futebol, a corrida, o padel e o tempo com família e amigos entre as atividades que ocupavam os seus tempos livres. Aos 25 anos de carreira internacional, Paulo Garcia prepara-se agora para trocar o retalho de grande escala da Walmart pelo universo da joalharia global da Pandora.

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