NASA prepara missões aéreas para estudar eclipse solar total que também será visível em Portugal

No próximo dia 12 de agosto de 2026, cientistas de várias organizações internacionais preparam uma série ambiciosa de missões científicas para acompanhar um dos fenómenos astronómicos mais aguardados da década. Nesse dia, a sombra da Lua atravessará a Terra a cerca de 8.000 quilómetros por hora, criando um eclipse solar total para os observadores localizados…
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A poucos dias do eclipse solar total de 12 de agosto de 2026, cientistas da NASA, da Agência Espacial Europeia e de várias instituições europeias preparam missões aéreas e balões científicos para estudar a coroa solar e os efeitos do fenómeno na atmosfera terrestre.
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No próximo dia 12 de agosto de 2026, cientistas de várias organizações internacionais preparam uma série ambiciosa de missões científicas para acompanhar um dos fenómenos astronómicos mais aguardados da década. Nesse dia, a sombra da Lua atravessará a Terra a cerca de 8.000 quilómetros por hora, criando um eclipse solar total para os observadores localizados na Gronelândia, Islândia, Espanha e numa pequena área de Portugal.

Entre os participantes estão a NASA, a Força Aérea Irlandesa e vários operadores privados de aeronaves, todos em busca das melhores condições de observação e de recolha de dados científicos. De aviões a balões estratosféricos, a campanha promete transformar o eclipse num verdadeiro laboratório voador.

O eclipse nascerá no Ártico russo, atravessará a Gronelândia, a Islândia, Espanha e uma pequena faixa de território português, terminando sobre o Mar Mediterrâneo.

Portugal terá a melhor vista em mais de um século

Em Portugal, o fenómeno será visível em todo o território, embora com diferentes níveis de ocultação solar. Será a primeira vez em mais de 100 anos que um eclipse solar total poderá ser observado a partir do país. O último ocorreu em 1912.

O fenómeno terá início ao final da tarde de 12 de agosto. A partir das 18h30, a Lua começará a cobrir o disco solar. O momento máximo ocorrerá por volta das 19h30, terminando cerca das 20h30.

Em Portugal continental, a percentagem de ocultação variará entre 99,9% em Bragança e 92,8% em Faro. A experiência de eclipse total — com 100% de ocultação solar — será possível apenas numa pequena área do Parque Natural de Montesinho, junto à aldeia de Guadramil, no concelho de Bragança. A totalidade durará aproximadamente 20 a 26 segundos, tornando este local um dos raros pontos da Europa onde será possível observar o Sol totalmente encoberto pela Lua.

A faixa principal de totalidade atravessará o norte da Península Ibérica, desde a costa da Galiza até às Baleares, onde a fase total poderá prolongar-se por cerca de 1 minuto e 30 segundos.

Na Região Autónoma da Madeira, o Sol ficará encoberto até 77,6%, enquanto nos Açores a ocultação oscilará entre 72,5% e 77,6% (pode sempre saber mais sobre o eclipse solar em Portugal nesta página).

Percentagem da “sombra” do eclipse solar de 12 de agosto de 2026 que será possível ver no território português

A ciência da NASA na estratosfera

O destaque da campanha científica da NASA será a utilização do seu avião de investigação de grande altitude WB-57.

A voar a cerca de 15.000 metros de altitude, sobre o Atlântico Norte, a oeste da Islândia, a aeronave transportará no nariz o sistema SCIFLI Multispectral Airborne Imager (SAMI), um conjunto avançado de câmaras capaz de registar a coroa solar — visível apenas durante a fase total do eclipse — a uma velocidade de 20 imagens por segundo, tanto no espectro visível como no infravermelho.

Graças à velocidade do avião, aproximadamente 740 quilómetros por hora, os cientistas conseguirão acompanhar a sombra da Lua e prolongar o tempo de observação da totalidade de pouco mais de dois minutos, ao nível do solo, para quase três minutos em voo.

Os investigadores esperam aprofundar o conhecimento sobre as protuberâncias solares, as temperaturas de milhões de graus existentes na coroa e os mecanismos que originam o vento solar que percorre todo o Sistema Solar.

“O Sol está sempre a mudar”, afirmou Amir Caspi, investigador principal da missão no Southwest Research Institute. “Cada eclipse é diferente. Por isso, poderemos observar fenómenos que nunca vimos antes.”

A aposta científica irlandesa

Os eclipses totais observados na América do Norte em 2017 e 2024 deixaram um importante legado científico apoiado pela NASA, mas o eclipse de 2026 será sobretudo um acontecimento europeu. Por isso, uma equipa do Dublin Institute for Advanced Studies, em colaboração com o Trinity College Dublin, a TU Dublin, a Força Aérea Irlandesa e o Instituto Nacional de Astrofísica de Itália, prepara uma missão própria a bordo de um avião C-295.

A aeronave voará a cerca de 3.000 metros de altitude, aproximadamente 350 quilómetros a oeste da costa irlandesa, dentro da faixa de totalidade.

A bordo estará o novo instrumento E-CorMag, desenvolvido a partir de componentes de reserva utilizados nas missões espaciais Proba-3, da Agência Espacial Europeia (ESA), e Solar Orbiter, da NASA.

“O nosso objetivo é medir a polarização dos campos magnéticos para compreender melhor os campos magnéticos existentes na coroa solar”, explicou Laura Hayes, professora assistente do Dublin Institute for Advanced Studies. Segundo a investigadora, este tipo de observação só é possível durante os breves momentos de totalidade de um eclipse solar.

“É um daqueles projetos que começou como uma ideia aparentemente impossível e acabou por ganhar dimensão até se transformar nesta missão extraordinária”, afirmou Hayes, que irá assistir ao seu primeiro eclipse solar total.

Perseguir a sombra da Lua

Também o setor privado quer aproveitar o fenómeno. Um avião turboélice King Air, com capacidade para nove passageiros, fretado pela companhia islandesa Norlandair, irá descolar do aeroporto de Reiquiavique para uma missão denominada Umbracept, concebida especificamente para intercetar a sombra da Lua.

Ao voar ao longo da trajetória da totalidade, a aeronave conseguirá aumentar a duração da experiência de eclipse total de 2 minutos e 18 segundos para aproximadamente 2 minutos e 40 segundos, a mais de 9.000 metros de altitude.

Os passageiros, que pagaram até 5.250 dólares (4.500 euros) por lugar, poderão observar o Sol totalmente eclipsado através das janelas do lado direito do avião.

O voo terá uma duração aproximada de 1 hora e 45 minutos.

“Se o céu estiver completamente encoberto quando nos prepararmos para descolar, não há sensação melhor do que saber que podemos simplesmente ultrapassar as nuvens”, afirmou John Beattie, conhecido caçador de eclipses, ao portal Eclipse2026.is.

Balões científicos para estudar a atmosfera

Paralelamente às missões aéreas, a NASA apoia o Nationwide Eclipse Ballooning Project, uma iniciativa que envolve equipas universitárias norte-americanas.

Investigadores e estudantes deslocar-se-ão à Islândia e a Espanha para lançar balões científicos antes, durante e após o eclipse.

Na Islândia, serão libertados 80 balões meteorológicos ao longo de um período de 26 horas para estudar a forma como o eclipse afeta a camada limite atmosférica, a região da atmosfera mais próxima da superfície terrestre.

Observações realizadas durante eclipses anteriores sugerem que esta camada pode encolher temporariamente sob condições de céu limpo, mas os cientistas pretendem perceber se a longa duração da luz diurna durante o verão islandês produzirá resultados diferentes.

Em Espanha, outras equipas lançarão seis balões equipados com câmaras de 360 graus e instrumentos de monitorização do ozono.

Além de proporcionarem imagens espetaculares da sombra da Lua projetada sobre a Terra, estas missões permitirão medir alterações na concentração de ozono atmosférico, cuja formação depende diretamente da radiação solar.

À medida que se aproxima o eclipse de 12 de agosto, a comunidade científica internacional prepara-se para aproveitar alguns dos poucos minutos de escuridão total que a natureza oferece. Para investigadores, observadores e entusiastas da astronomia, será uma oportunidade rara de estudar o Sol, a atmosfera terrestre e um fenómeno que, em Portugal, não era observado em versão total há mais de um século.

com Forbes Internacional

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