UEFA boicota provas da FIFA em protesto contra plano de comercialização dos Mundiais

As federações europeias vão mesmo boicotar as provas de clubes e seleções organizadas pela FIFA em protesto contra o modelo de comercialização dos Mundiais proposto pelo organismo regulador do futebol mundial, anunciou hoje a UEFA. Ontem, a possibilidade já estava a ser equacionada como, de resto, avançávamos na Forbes. Agora, a notícia é oficial: “Como…
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As federações europeias vão boicotar as provas de clubes e seleções organizadas pela FIFA em protesto contra o modelo de comercialização dos Mundiais proposto pelo organismo regulador do futebol mundial, anunciou hoje a UEFA.
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As federações europeias vão mesmo boicotar as provas de clubes e seleções organizadas pela FIFA em protesto contra o modelo de comercialização dos Mundiais proposto pelo organismo regulador do futebol mundial, anunciou hoje a UEFA.

Ontem, a possibilidade já estava a ser equacionada como, de resto, avançávamos na Forbes. Agora, a notícia é oficial: “Como resultado da discussão de hoje, nenhuma associação da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam abandonadas por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá a sua governança ou as competições à propriedade privada”, pode ler-se em comunicado publicado no sítio oficial da confederação europeia na Internet.

A UEFA pronunciou-se no fim de uma reunião com as suas 55 federações-membro, após ter contestado nos últimos dois dias a intenção revelada na terça-feira pela FIFA de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações dos Campeonatos do Mundo a privados.

O jornal britânico The Times avançou na quarta-feira que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.

Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ligas Europeias contestam proposta da FIFA e acusam organismo de opacidade

A Associação de Ligas Europeias (EL) opõe-se ao plano da FIFA de vender participações do Mundial de futebol a investidores privados, adiantou o secretário-geral e diretor-executivo da organização, Alberto Colombo: “As Ligas Europeias rejeitam firmemente esta proposta”, lê-se numa nota enviada à agência Lusa, na qual, o dirigente italiano lembra que “o valor do campeonato do mundo da FIFA é construído todos os dias pelas ligas, pelos clubes, pelos jogadores e pelos adeptos, que estão a ser deixados sem voz nem direito de voto nesta matéria”.

Alberto Colombo critica a condução do processo, que descreve como “opaca” e inserida “num padrão de longa data na tomada de decisões da FIFA”.

O responsável recorda que esse padrão levou a EL a apresentar uma queixa junto da Comissão Europeia, sobre decisões relativas ao calendário internacional, que constituíam “um abuso de posição dominante e viola o direito europeu da concorrência”.

Para Alberto Colombo, qualquer proposta que altere competições ou calendário deve ser construída “através de processos transparentes, responsáveis e inclusivos, com envolvimento significativo e consentimento de todos os ‘stakeholders’”, tal como solicitado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia na decisão de 2023 sobre a Superliga Europeia.

O dirigente sublinha que a organização mantém “reuniões produtivas com a Comissão Europeia” e expressa confiança de que as decisões jurídicas futuras “continuarão a servir os melhores interesses dos adeptos e das comunidades do futebol”.

A EL junta-se assim à crescente contestação internacional ao plano da FIFA, já criticado por várias federações e confederações continentais.

com Lusa

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