A embarcação United by the Ocean, com a portuguesa Mariana Lobato como co-skipper, venceu a primeira edição da Ocean Race Atlantic, que terminou esta quinta-feira na cidade francesa de Lorient.
Sete dias, 23 horas, 39 minutos e 11 segundos depois de ter saído de Nova Iorque, o United by the Ocean, liderada pelo francês Paul Meilhat, conseguiu conquistar o triunfo, após uma luta intensa com o 11th Hour Racing, da norte-americana Francesca Clapcich.
A equipa francesa, da velejadora olímpica portuguesa, cortou a meta oito minutos e 56 segundos antes da embarcação norte-americana.
“Para mim, o importante não é o resultado, mas a forma como o construímos. Por isso prefiro manter na mente os bons momentos e como os podemos repetir no futuro”, assumiu Meilhat.
Na terceira posição, ficou o DMG MORI Global One, do japonês Kojiro Shiraishi, que liderou a corrida durante 48 horas até à manhã desta quinta-feira, 10 de setembro, aguentando a aproximação do Team Malizia, do alemão Boris Herrmann.
O Embrace the Challenge, do suíço Oliver Heer, e o MSIG Europe, do neozelandês Conrad Colman, ainda não atingiram terra em Lorient.
A próxima edição da Ocean Race, prova de circum-navegação, vai correr-se em 2027, com partida em Alicante, em Espanha, e final em Amaala, na Arábia Saudita.
Mariana Lobato destaca resiliência da equipa na conquista da Ocean Race Atlantic
A velejadora Mariana Lobato atribuiu o mérito da vitória na primeira Ocean Race Atlantic à resiliência de toda a equipa da embarcação United by the Ocean, que superou vários desafios entre Nova Iorque e Lorient.
Após sete dias, 23 horas, 39 minutos e 11 segundos no mar, a embarcação United by the Ocean, com a portuguesa Mariana Lobato como co-skipper, venceu a primeira edição da Ocean Race Atlantic, que terminou esta quinta-feira, 10 de setembro, na cidade francesa de Lorient.
Em declarações à Lusa, a velejadora olímpica assumiu dificuldades em descrever a tripulação que tornou a conquista possível, reiterando que não venceram, apenas, a competição: “Chegámos hoje [ontem] a Lorient, França, em primeiro lugar, foi espetacular. Este projeto da Ocean Race Atlantic arrancou um bocadinho à última da hora, há três meses, e portanto, alcançar esta vitória é incrível, obviamente. Não temos palavras para, primeiro, agradecer à equipa que preparou o barco e todo o ambiente que temos na equipa que, sinceramente, sinto que faz mesmo a diferença. Chegar em primeiro lugar não é só ganhar uma regata, é ganhar todo um processo que tivemos que ativar em modo contrarrelógio”, frisou.
Durante a regata atlântica, que iniciou em Nova Iorque, com “uma largada com médio vento, bastante estável”, a equipa liderada pelo francês Paul Meilhat superou condições meteorológicas adversas e diferentes desafios físicos e psicológicos.
“O terceiro e quarto dias foram muito violentos, tivemos muito vento, um mar agitado, andávamos aos saltos dentro do barco, não conseguíamos dormir, praticamente, fazer a nossa comida também era complicado, ir à casa de banho era um verdadeiro desafio. Foi um grande desafio superar estes dois dias, em que tivemos condições adversas, um bocado em modo tempestade, modo sobrevivência, [mas] depois a coisa acalmou um bocadinho, pudemos descansar e recuperar o sono, porque estávamos bastante cansados”, descreveu Mariana Lobato.
Para a velejadora, o trabalho em equipa fez-se notar nestes últimos dias e, sobretudo, na manhã de quinta-feira, uma vez que os três barcos que alcançaram o pódio estavam “lado a lado”.
“Seria impossível dizer ontem [na quarta-feira] ou [esta] manhã quem é que iria vencer, portanto, foi hoje [quinta-feira] mesmo o nosso sucesso em equipa que [permitiu] alcançar a vitória”, destacou.
Embora considere que nunca se está “100% preparada” para uma prova desta dimensão, Mariana Lobato destacou a importância da preparação física em terra e da resiliência emocional.
“Faço bastante ‘crossfit’, muita preparação física em terra, que me ajuda bastante, mas quando não [se] dorme, não há treino físico que [consiga] superar isso. As pessoas pensam que é só o físico, mas é muito a parte mental da resistência psicológica, da resiliência, de saber que não estou completamente a 100%, mas vou continuar a dar o meu melhor, vou continuar a trabalhar e a respeitar a equipa (…). Tivemos sempre um ótimo ambiente a bordo, conseguimos ajudar-nos muito e ser muito tolerantes, isso faz muita diferença também”, afiançou.
A primeira edição da Ocean Race Atlantic serviu, também, de teste à embarcação, que chegou a França quase sem material partido, em bom estado, permitindo à equipa “ganhar confiança” para a volta ao mundo, que começa em 17 de janeiro de 2027, em Alicante, Espanha.
“A ideia é fazer a volta ao mundo em janeiro [de 2027], queremos fazer, mas ainda estamos à procura de apoio financeiro para a poder realizar nas melhores condições. Não é garantido que consigamos estar na linha de largada, queremos estar e já mostrámos que [será] da melhor forma, competitivos, mas precisamos de apoio financeiro. Portanto, a nível de equipa, para já, [queremos] garantir que o barco vai estar e depois definir o resto da equipa, que ainda não está fechada”, adiantou Mariana Lobato.
A velejadora lisboeta, de 38 anos, revelou ainda o desejo de conseguir atrair patrocinadores nacionais, uma vez que a prova passa também por Portugal.
“Vamos ter uma paragem em Cascais e eu gostava mesmo muito de ter marcas portuguesas a bordo, porque é o que faz sentido. Andamos sempre a fazer, basicamente, ‘marketing’ aos outros países e marcas que não são portuguesas e por isso, para mim, não faz sentido. Eu que sou portuguesa e represento Portugal ao mais alto nível, e neste caso, chegando a vitória, gostava de levar comigo marcas portuguesas”, concluiu.
Lusa





