FIFA investiga Argentina devido a uma faixa controversa sobre as Malvinas

A Comissão Disciplinar da FIFA abriu um inquérito à Federação Argentina de Futebol por violação das regras da organização relativas a manifestações políticas, depois de a sua seleção ter exibido uma faixa controversa durante o Mundial 2026 afirmando que as Ilhas Malvinas — um território ultramarino britânico no Atlântico Sul — "são argentinas". Depois de…
ebenhack/AP
Depois de derrotar a Inglaterra nas meias-finais do Mundial 2026, a seleção argentina exibiu uma faixa com a mensagem "As Malvinas são argentinas", também conhecidas como Ilhas Falkland, administradas pelos britânicos.
Sports Money

A Comissão Disciplinar da FIFA abriu um inquérito à Federação Argentina de Futebol por violação das regras da organização relativas a manifestações políticas, depois de a sua seleção ter exibido uma faixa controversa durante o Mundial 2026 afirmando que as Ilhas Malvinas — um território ultramarino britânico no Atlântico Sul — “são argentinas”.

Depois de a Argentina ter garantido uma vitória por 2-1 sobre a Inglaterra nas meias-finais do Mundial, os jogadores da equipa celebraram em campo e exibiram uma faixa com a mensagem “Las Malvinas son Argentinas” (“As Malvinas são argentinas”).

“Las Malvinas” é o nome espanhol do arquipélago do Atlântico Sul conhecido como Ilhas Falkland, que é administrado pelos britânicos, mas reivindicado pela Argentina como parte do seu território soberano.

Vários jogadores argentinos, incluindo Giovani Lo Celso, Lisandro Martínez e Nicolás Otamendi, foram vistos a erguer a faixa antes de a colocarem com a face voltada para cima no relvado do Mercedes-Benz Stadium.

A manifestação levou a apelos por parte de políticos britânicos, incluindo o então primeiro-ministro Keir Starmer, para que a FIFA investigasse quais as regras que possam ter sido infringidas quando os jogadores argentinos exibiram a faixa, tendo a entidade anunciado na passada quarta-feira que iria investigar “a exibição de mensagens inadequadas pela equipa e pelos espetadores”.

Ao mesmo tempo, a FIFA anunciou que estava a investigar três jogadores argentinos (Leandro Paredes, Nahuel Molina e Thiago Almada) e o treinador adjunto Roberto Ayala por ações relacionadas com um confronto entre jogadores argentinos e espanhóis após o jogo (o médio espanhol Gavi também está a ser investigado).

Caso sejam considerados culpados, a Federação Argentina de Futebol poderá enfrentar multas, repreensões, ordens para implementar medidas corretivas e restrições relacionadas com jogos futuros. No entanto, casos semelhantes no passado resultaram geralmente em multas, em vez de sanções desportivas. Os jogadores acusados de agressão poderão enfrentar suspensões de jogos e multas, caso sejam considerados culpados.

Por que razão as Malvinas constituem uma questão política para o Reino Unido e a Argentina?

Embora tenham existido muitos pretendentes ao arquipélago ao longo dos últimos séculos, este permaneceu sob controlo britânico desde 1883, com exceção de dois meses em 1982. Uma força militar enviada pelo governo argentino liderado pela junta militar tomou o controlo das ilhas em abril de 1982. Os argentinos argumentaram que sempre mantiveram as suas reivindicações sobre as ilhas e que a ação militar foi simplesmente uma recuperação do seu território soberano. A ação desencadeou uma resposta militar da Grã-Bretanha, levando à Guerra das Malvinas. O conflito terminou em junho com a rendição argentina e a retomada do controlo das ilhas pelos britânicos. A guerra resultou na morte de 649 soldados argentinos, 255 soldados britânicos e três civis residentes nas ilhas. Apesar da derrota militar, a Argentina continua a defender as suas reivindicações sobre as ilhas e, em 1994, alterou a sua Constituição para refletir esta posição. Os residentes das ilhas realizaram dois referendos sobre a soberania desde a guerra, um em 1986 e outro em 2013. Em 1986, 96,45% dos eleitores apoiaram a soberania britânica e, em 2013, 99,8% votaram a favor de que a situação se mantivesse inalterada.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles

Mais Artigos