Morreu Luís Represas: Músico deixa 50 anos de canções a solo e com os Trovante

O cantor Luís Represas, que integrava os Trovante, morreu hoje aos 69 anos vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava. O cantor Luís Represas comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo atuado em março com a banda no Meo Arena, em…
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O cantor Luís Represas, que integrava os Trovante, morreu hoje aos 69 anos vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava.
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O cantor Luís Represas, que integrava os Trovante, morreu hoje aos 69 anos vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava.

O cantor Luís Represas comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo atuado em março com a banda no Meo Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Em 2005 foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador.

Funeral do músico realiza-se na sexta-feira

O velório do músico Luís Represas está marcado para quinta-feira, na Basílica da Estrela, em Lisboa, e o funeral realiza-se na sexta-feira, disse à Lusa fonte da agência que o representa.

De acordo com aquela fonte, o velório na quinta-feira na Basílica da Estrela, em Lisboa, será público entre as 16:00 e as 22:30.

O funeral realiza-se na sexta-feira, depois de uma cerimónia religiosa às 15:00, naquela basílica, e é reservado à família.

Músico deixa 50 anos de canções entre os Trovante e a solo

O músico Luís Represas, que morreu hoje aos 69 anos, dizia que o essencial de um artista é ter-se uma identidade, contruída em 50 anos de carreira entre os Trovante e em nome próprio, ao lado de dezenas de outros músicos.

“A minha impressão digital, aquilo que me faz ser eu e que me faz ser diferente dos outros, é o fundamental. Isso é que é o meu barco, o meu barco é esse e é nesse barco que tenho que navegar. E que eu quero e que gosto de navegar”, afirmou à agência Lusa em 2024, quando editou o álbum “Miragem”.

Para celebrar os 50 anos de carreira, Luís Represas tinha anunciado dois concertos para abril de 2027 nos coliseus de Lisboa e do Porto. Em março passado tinha atuado com os Trovante em concertos esgotados na Meo Arena (Lisboa) e no Pavilhão Rosa Mota (Porto).

Luís Represas nasceu em Lisboa em 1956 e pouco antes de completar 20 anos, no verão de 1976, fundou os Trovante com os amigos e o irmão – João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e João Represas – e um ano depois saiu o álbum “Chão Nosso”.

Esse disco de estreia assinalou a identidade musical do grupo, fortemente influenciado pela música de cariz popular e tradicional e pelo rock. Trovante era ainda “uma mistura de trova, músico ambulante, e avante, para a frente, no melhor sentido da palavra”, como contou Manuel Faria numa biografa da banda publicada em 2003.

Os Trovante permaneceriam ativos até aos anos 1990, editando, por exemplo, “Baile no Bosque” (1981) e “Cais das Colinas” (1983), e até hoje reuniram-se algumas vezes depois, nomeadamente em 1999, em 2006 e em 2017.

Luís Represas lança-se a solo em 1993, com o álbum “Represas”, fruto de uma viagem a Cuba, onde foi gravado, e onde tocou com vários músicos, entre os quais Pablo Milanés (1943-2022).

Com músicas como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”, este álbum foi fundamental no seu percurso: “Foi um reencontro comigo próprio”, como contou à agência Lusa em março passado, quando anunciou os concertos de 2027.

Esses dois caminhos no percurso musical contaminaram-se um ao outro, disse.

“A primeira fase é a do aparecimento do Trovante, em 1976, e toda essa fase, até 1992, a história já foi mais do que contada, está mais do que contada, fez-se espetáculos [o grupo voltou a juntar-se ao vivo algumas vezes, a última das quais em março deste ano], onde a história se contou ainda mais”, referiu.

Desde o final dos Trovante até hoje “vem uma história que se calhar não foi tão contada, mas foi muito vivida”.

“Foi necessário arranjar uma distância em relação ao passado, sem me divorciar do passado, porque o passado faz parte daquilo que sou artisticamente e musicalmente. Mas foi preciso encontrar essa distância para não continuar a fazer coisas que fazia antigamente, ou de repente começar-me a baralhar e perder o meu norte”, partilhou.

Em 1996, editou “Cumplicidades”, álbum que contou com a colaboração do pianista Bernardo Sassetti (1970-2012). Seguiram-se “A hora do lobo” (1998), “Código Verde” (2000), “Reserva Especial” (2001) e “Fora de Mão” (2003).

Em 2008 voltou a editar um álbum gravado na íntegra em Cuba, “Olhos nos olhos”, e em 2011 volta a juntar-se a João Gil, cúmplice dos Trovante, para um álbum conjunto: “Luís Represas e João Gil”. Depois, editou “Cores” (2014), “Boa hora” (2018) (distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores), “Miragem” (2024) e vários álbuns ao vivo.

Da história de Luís Represas faz parte ainda o apoio à independência de Timor-Leste.

Foi convidado pelo então Presidente da República Jorge Sampaio para o acompanhar na visita oficial a Timor-Leste. Mais tarde, seria condecorado com a Medalha da “Ordem de Timor-Leste” pelo Presidente Taur Matan Ruak.

Em 2005 foi igualmente distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito – grau de Comendador.

A agência que o representa lembra que Luís Represas colaborou com Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre muitos outros músicos.

Ao longo da vida, Luís Represas também enveredou pela restauração, tendo liderado a gestão de um bar-restaurante em Lisboa, editou um livro infantil, “A coragem de Tição”, e apresentou o programa de televisão “Língua Mãe”.

PM lamenta morte de uma das maiores referências musicais do país

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, lamentou a morte de Luís Represas, hoje aos 69 anos, considerando o cantor como uma das maiores referências musicais do país, cujo óbito representa “uma grande perda”.

“Luís Represas é uma das nossas maiores referências musicais. A sua partida é uma perda para o país e para a nossa cultura, mas o seu legado permanecerá tão contagiante como numa vida cheia de “sede de infinito… e dizê-lo cantando a toda a gente”, escreveu o primeiro-ministro nas suas redes sociais.

Luis Montenegro apresenta as suas “mais sentidas condolências”, à “família, aos amigos e a todos os que foram tocados pela sua obra”.

Seguro chora morte de amigo e afirma que “Portugal, em dor, canta as suas canções”

O Presidente da República, António José Seguro, lamentou hoje a morte do cantor Luís Represas, afirmando estar, em Cabo Verde, a chorar a morte de um amigo e um dos maiores artistas do país.

“Os maiores deixam um país a cantar. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções”, lê-se numa longa nota de pesar publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet.

António José Seguro, que está em Cabo Verde em visita de Estado, escreve que “há vozes que não pertencem apenas a quem as canta”, mas “pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo”.

“Em nome de Portugal, curvo-me perante a sua memória com gratidão. E abraço, com profunda solidariedade, a sua família, os seus amigos, os seus companheiros dos Trovante e todos aqueles que hoje sentem que perderam alguém da sua própria casa, da nossa própria casa”, acrescenta.

No fim desta mensagem, o chefe de Estado refere: “Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida. Recordo a noite fantástica do Coliseu, no passado dia 21 de março. Recordo tantos momentos bons ao longo dos anos. Saudades do futuro, Luís… Talvez um dia te encontre…”.

Ministra da Cultura lembra “uma das vozes mais icónicas da música portuguesa”

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, lamentou hoje a morte do músico Luís Represas, “uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea”.

“Desaparece uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea, além de um talentoso compositor. A solo e com os Trovante, deixa uma marca inesquecível na nossa memória coletiva”, escreveu a ministra na rede social X.

Portugal perdeu uma das suas vozes mais marcantes – PS

O Partido Socialista (PS) lamentou hoje a morte do cantor Luís Represas, considerando que Portugal perdeu uma das suas vozes mais marcantes, um artista que soube transformar a música em memória, emoção e compromisso.

“O seu legado permanecerá vivo nas canções que atravessaram gerações e, de forma muito especial, em ‘Timor’, um hino de esperança, liberdade e solidariedade que acompanhou a luta de um povo e marcou profundamente a consciência de tantos portugueses”, destacou o PS em comunicado.

Na nota, o PS evocou a obra de Luís Represas “com gratidão e respeito”, esperando que a “sua voz e a sua música continuem a inspirar as gerações futuras”.

Lusa

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