Portugal confirmou que continua atrativo para receber investimento no segmento hoteleiro. De acordo com as contas da consultora imobiliária CBRE, o mercado português concentrou cerca de 512 milhões de euros de investimento, o que significa um crescimento interanual de 82%. A consultora revela que a Península Ibérica atingiu 2.600 milhões de euros de investimento neste segmento durante o primeiro semestre, o que representa um aumento de 27% face ao mesmo período de 2025. Este é o volume mais elevado registado num primeiro semestre desde que há registos, sendo que, Espanha atingiu os 2.100 milhões de euros, mais 18% do que no ano anterior.

A CBRE detalha que os dados “confirmam a forte atratividade de Portugal e Espanha para os investidores e consolidam a Península Ibérica como um dos principais focos de investimento hoteleiro na Europa”. Ainda de acordo com os dados, no ano passado, a região representou 19% do volume total na Europa, face aos 14% registados em 2020, “posicionando-se como o segundo mercado mais ativo para o investimento hoteleiro, atrás apenas do Reino Unido”.

Durante o primeiro semestre foram transacionados 88 ativos hoteleiros, face aos 74 do ano passado, o que soma mais de 10.100 quartos, um aumento de 9% face ao mesmo período de 2025.
O Investment Properties (IP) Hotels Senior Director da CBRE Iberia, Duarte Morais Santos, salienta que “a Península Ibérica reforçou o seu protagonismo no panorama hoteleiro europeu. De facto, o seu peso relativo dentro do mercado hoteleiro de investimento na Europa aumentou de forma significativa nos últimos anos, passando de 14% em 2020 para 19% em 2025, e atingindo os 21% no primeiro trimestre de 2026, o último dado disponível”. Duarte Morais Santos destaca que “o volume recorde alcançado no primeiro semestre e o crescente interesse pelos ativos premium refletem a solidez dos seus fundamentos e a confiança dos investidores no potencial de crescimento da região”. E acrescenta que “esta tendência é sustentada pelo estudo European Hotel Investor Intentions Survey da CBRE, que coloca Portugal e Espanha entre os destinos mais atrativos para o investimento hoteleiro na Europa”.
Luxo impulsiona investimento
O segmento do luxo está a dinamizar o investimento hoteleiro na Península Ibérica. De acordo com a CBRE “a aposta nos hotéis de categoria superior continua a ganhar protagonismo. Os estabelecimentos de cinco estrelas e grande luxo concentraram 47% de todo o investimento hoteleiro registado na Península Ibérica durante o primeiro semestre”.
Esta tendência é mais “intensa em Portugal, onde este segmento representou 85% do volume investido, consolidando o posicionamento do país como um dos destinos preferidos para o investimento em ativos premium” refere a consultora que salienta, que entre as operações mais destacadas, estão a venda do Hotel Mongibello Ibiza e do Hotel Penha Longa, que assessorou.
Os investidores ibéricos representaram cerca de 55% do total do investimento hoteleiro registado na região, reafirmando o protagonismo do capital local no crescimento do setor. Em Espanha predominou o investidor nacional com cerca de 1.400 milhões de euros investidos, enquanto em Portugal a quase totalidade da atividade foi liderada por compradores internacionais. Atrás dos investidores ibéricos, destacaram-se os compradores oriundos de França, com cerca de 357 milhões de euros, e os do Reino Unido, com mais de 225 milhões de euros investidos, direcionando uma parte significativa deste capital para o mercado português.
Espanha e Portugal continuam em alta
A CBRE avança ainda com estimativas para esta segunda metade do ano e conclui que as perspetivas continuam favoráveis. Esta conclusão reflete os resultados do European Hotel Investor Intentions Survey 2026, onde “Espanha se posiciona como o mercado mais atrativo para o investimento hoteleiro na Europa, enquanto Portugal ocupa a quarta posição, reforçando o posicionamento da Península Ibérica entre os destinos preferidos pelo capital internacional”.
De acordo com a consultora, a força da procura turística, o crescente interesse pelos ativos premium, a elevada liquidez existente no mercado e a atividade prevista para os próximos meses “apontam para que 2026 possa fechar como um dos melhores exercícios para o investimento hoteleiro na Península Ibérica”.





