Doing Business Angola: o caminho passa pela criação de parcerias

As relações económicas entre Portugal e Angola estão no bom caminho, mas há espaço para melhorar e estabelecer verdadeiras parcerias entre as empresas e não se ficar apenas numa lógica de exportações. Este foi o denominador comum que prevaleceu no painel ‘Angola –Portugal: a nova agenda económica e as oportunidades de parceria’, no âmbito da…
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No painel ‘Angola –Portugal: a nova agenda económica e as oportunidades de parceria’, da quarta edição do ‘Doing Business Angola’ ficou clara o bom momento que se vive no relacionamento entre os dois países. Mais do que simples exportações é tempo de criar parcerias efetivas.
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As relações económicas entre Portugal e Angola estão no bom caminho, mas há espaço para melhorar e estabelecer verdadeiras parcerias entre as empresas e não se ficar apenas numa lógica de exportações. Este foi o denominador comum que prevaleceu no painel ‘Angola –Portugal: a nova agenda económica e as oportunidades de parceria’, no âmbito da quarta edição do ‘Doing Business Angola’, organizado pela Forbes África Lusófona e pelo Jornal Económico.

O painel juntou em palco Arlindo Chagas, PCA da AIPEX, Madalena Oliveira e Silva, PCA da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e João Traça, Presidente Câmara de Comércio e Indústria Portugal – Angola (CCIPA).

A presidente do conselho de administração da AICEP foi perentória em assumir que entre os dois países “estamos com excelentes relações. Estamos convencidos de que as relações se vão aprofundar”.

Apesar de reconhecer que, durante este ano, Portugal desceu enquanto fornecedor de Angola, Margarida Oliveira e Silva referiu que “é preciso ter em conta que as nossas exportações até subiram nestes primeiros meses. Subiram percentualmente em relação ao período homólogo”.

A presidente da AICEP fez questão de salientar, numa mensagem para as empresas portuguesas, “que as exportações não são tudo, antes pelo contrário. Neste momento, temos de apostar – e nós estamos muito empenhados – na internacionalização que passa por uma presença mais estável e nas parcerias”. E destacou ainda que há setores, em que, Portugal e as empresas portuguesas “não só têm conhecimento como têm condições para estabelecer uma presença efetiva no mercado e aumentar como o setor agroalimentar”.

O PCA da AIPEX, Arlindo Chagas, também confirmou que “de uma de uma forma geral, as relações são boas, mas há sempre espaço para se melhorar. É nesta melhoria que colocámos o nosso enfoque”, lembrando que a linha de financiamento tem vindo a ser aumentada.

Arlindo Chagas garantiu que “nós queremos investimento direto, nós queremos que as empresas invistam diretamente em projetos”. E destacou que “a relação entre Angola e Portugal é mais do que conhecida. Portugal conhece bem Angola, conhece os investimentos de Angola. Ou seja, é o país indicado para poder apostar mais em Angola”. O PCA da AIPEX realçou que há outros países que já tomaram dianteira face a Portugal no que se refere ao investimento no mercado angolano. Por isso, Arlindo Chagas salientou que, “o facto das relações serem boas devemos aproveitar o espaço que temos para melhorar ainda mais. E é uma oportunidade para as empresas portuguesas investirem diretamente quer em projetos novos, quer em investimento de participações como foi aqui apresentado pelo PCA do IGAPE”.

Numa altura em que Angola tem apostado na diversificação da economia, o presidente do conselho de administração da AIPEX lembrou que “muitas vezes é dito que o setor não petrolífero é residual. Hoje o setor não prolífero já representa 36% do Produto Interno Bruto, portanto, não é assim tão residual como se diz”.

A relação Portugal e Angola não pode ser medida em ciclos de um ano. A convicção foi deixada pelo Presidente Câmara de Comércio e Indústria Portugal – Angola, João Traça que lembrou que “continuamos a ter muitos milhares de empregos em Angola criados por empresas portuguesas. Continuamos a ter muitas empresas em Angola que trabalham com níveis de excelência, que são as que têm investimento português”. João Traça destacou que é “importante chamar a atenção para o facto de que o desenvolvimento da economia angolana, com esta redução da relevância do setor petrolífero, acaba por representar uma oportunidade para as empresas portuguesas”.

Na sua intervenção, o presidente da CCIPA não esqueceu a importância dos aspetos como a redução da dependência alimentar. “A segurança alimentar em Angola é muito importante porque os indicadores mostram que há uma redução da percentagem de importações no setor alimentar”. Socorrendo-se dos números referiu que “a estrutura das importações de bens alimentares, em 2018, era de 19%, e, em 2025, foi 14%. Esta diferença parece pequena, mas não é. Estamos a falar em todo o conjunto das importações, na prática é quase 25%, com população para crescer”.

Sobre a troca de conhecimento e de investimento com valor acrescentado, citou uma sondagem com base na sua experiência, em que, “95% das empresas portuguesas que estão em Angola estão para ficar. Não falo com ninguém que me diga que “mais um ano ou dois e vou-me embora”. Isto não existe. As empresas portuguesas estão para ficar e a transferência de conhecimento está a ocorrer”.

Margarida Oliveira e Silva também destacou a aposta de longo prazo das empresas portuguesas em Angola realçando que “tradicionalmente, não vão para Angola só por ser um mercado que estão a descobrir ou uma oportunidade que nasceu. As empresas portuguesas estão em Angola e vão cada vez mais, mas é uma relação que não é momentânea. É uma relação estável, é uma relação para ficar”. A presidente da AICEP acredita que, neste momento, há condições para que “essa estabilidade seja ainda maior e passarem da exportação tradicional para o estabelecimento, para as parcerias”. A gestora não tem dúvidas que: “Angola é estratégica para Portugal. Angola pode desempenhar um papel de impulsionar a CPLP em conjunto, que é muito importante no esquecer”. Há um espírito de colaboração entre a AICEP e a AIPEX e, nas suas palavras, “queremos fazer mais iniciativas conjuntas para dar a conhecer as oportunidades em Angola. Oportunidades crescentes para estabelecer as tais parcerias, que são aquilo que é o futuro”.

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