Ageas Cooljazz: “O maior desafio é continuar a evoluir sem perder a identidade”

O festival Ageas Cooljazz regressa hoje ao Hipódromo Manuel Possolo e Parque Marechal Carmona, em Cascais, com a promessa de, ao longo de oito noites de julho, trazer a melhor proposta musical para os mais de 45 festivaleiros que normalmente atrai. Neste primeiro dia, o festival traz um dos nomes incontornáveis da cultura brasileira, Gilberto…
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O Ageas Cooljaz arranca hoje em Cascais para a 22ª edição que ganhou uma oitava noite de concertos e um recinto mais ampliado. CEO da Live Experiences, produtora do evento, Karla Campos realça que hoje o desafio está em inovar mantendo a autenticidade que distingue o festival há mais de 20 anos.
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O festival Ageas Cooljazz regressa hoje ao Hipódromo Manuel Possolo e Parque Marechal Carmona, em Cascais, com a promessa de, ao longo de oito noites de julho, trazer a melhor proposta musical para os mais de 45 festivaleiros que normalmente atrai. Neste primeiro dia, o festival traz um dos nomes incontornáveis da cultura brasileira, Gilberto Gil, sem esquecer Maria Luiza Jobim, filha do maestro Tom Jobim. Até 31 de julho passam pelos palcos do Ageas Cooljazz artistas como David Byrne, Jamiroquai, Moullinex, o regresso de Diana Krall, Franz Ferdinand, Scissor Sisters ou Chet Faker.

Em entrevista à Forbes Portugal, a fundadora e CEO da Live Experiences, produtora do evento, Karla Campos detalha as novidades desta 22ª edição, que já tem algumas noites esgotadas, e detalha a estratégia para continuar a crescer sem comprometer a qualidade e identidade do Ageas Cooljazz. Quanto ao legado que pretende deixar às novas gerações de promotores espera seja o de ter contribuído para elevar os padrões do setor dos festivais e dos eventos em Portugal, mostrando que é possível conciliar criatividade com uma gestão rigorosa, ambição internacional com raízes locais e sucesso comercial com responsabilidade social e ambiental.

Sobre como equilibra a necessidade de inovar com a responsabilidade de preservar a essência que carateriza o Ageas Cooljazz, Karla Campos realça que procura manter presente a razão pela qual criou a Live Experiences assente no propósito ‘Creating New Emotions’ que continua a orientar todas as decisões que adota.

 

Este é o cartaz completo das principais atuações do Ageas Cooljazz 2026:

8 de julho — Gilberto Gil + Maria Luiza Jobim

14 de julho — David Byrne + Bia Maria + Bardino

15 de julho — Loyle Carner + Ana Lua Caiano + Marta Rodrigues

18 de julho — Jamiroquai + Moullinex (DJ Set) + Maria Carvalho & Bruno Ponte

22 de julho — Diana Krall + Gisela Mabel

25 de julho — Franz Ferdinand + Bombazine

29 de julho — Scissor Sisters + Saint Caboclo

31 de julho — Chet Faker + Luís Severo

 

O Ageas Cooljazz chega a mais uma edição consolidado como uma das referências do panorama musical português. Que inovação ou novidade desta edição de 2026 considera mais transformadora para a experiência do público e porquê?

Acredito que a maior inovação desta edição é a evolução da experiência do público. Em 2026, o festival cresce com uma oitava noite de concertos, um recinto ampliado, uma nova entrada junto à Marina de Cascais, novas zonas de restauração e de convívio e uma maior integração com o Parque Marechal Carmona.

Num contexto em que os festivais enfrentam uma crescente concorrência, que desafios se colocam hoje à curadoria e produção de um evento que procura manter uma identidade tão própria como o Ageas Cooljazz?

O maior desafio é continuar a evoluir sem perder a identidade. Num mercado cada vez mais competitivo, é fácil seguir tendências, mas o Ageas Cooljazz sempre privilegiou uma curadoria coerente, assente na qualidade artística e numa experiência diferenciadora para o público. Essa identidade vai muito além do cartaz. Reflete-se também na forma como concebemos o festival, com uma aposta contínua no conforto, na sustentabilidade e na acessibilidade, desenvolvida em conjunto com parceiros como a Fundação Ageas e a Câmara Municipal de Cascais. Ao mesmo tempo, enfrentamos uma crescente complexidade na produção, desde a disponibilidade dos artistas aos custos e às exigências técnicas. O desafio está em inovar continuamente, mantendo a autenticidade e a personalidade que distinguem o festival há mais de duas décadas.

Por detrás de cada concerto existe uma enorme máquina organizativa. Qual foi o maior desafio que a sua equipa teve de superar na preparação desta edição e que lição de liderança retirou desse processo?

Esta edição trouxe-nos um desafio particularmente exigente: crescer sem comprometer a qualidade da experiência. Alargámos o recinto, acrescentámos uma noite de concertos e introduzimos novas dinâmicas operacionais, o que obrigou a uma coordenação ainda mais rigorosa entre todas as equipas e parceiros. A principal lição de liderança foi confirmar que o crescimento só é sustentável quando existe uma equipa alinhada, com responsabilidades bem definidas, confiança mútua e uma comunicação clara. São as pessoas que transformam um projeto ambicioso numa experiência de excelência.

Enquanto fundadora da Live Experiences, como equilibra a necessidade de inovar com a responsabilidade de preservar a essência que caracteriza o Ageas Cooljazz?

Procuro manter sempre presente a razão pela qual criei a Live Experiences. Com o propósito – Creating New Emotions – e que continua a orientar todas as decisões que tomo e o Ageas Cooljazz é uma das expressões mais fortes dessa visão. Para mim, inovar não é mudar por mudar. É acrescentar valor sem perder a identidade que o público reconhece e aprecia. Cada nova edição introduz melhorias e novas experiências, mas sempre respeitando os princípios que definem o festival desde o primeiro dia: a qualidade artística, o conforto, a proximidade e uma experiência diferenciadora. Acredito que a inovação mais consistente é aquela que reforça a essência de um projeto. É esse equilíbrio entre evolução e autenticidade que tem permitido ao Ageas Cooljazz crescer ao longo de mais de duas décadas, mantendo uma identidade própria.

A liderança no setor dos eventos implica gerir talento, pressão e imprevisibilidade. Que características considera indispensáveis para liderar equipas de alta performance num ambiente tão exigente e dinâmico?

Liderar uma equipa num setor como o dos eventos exige muito mais do que capacidade de organização. Exige visão, resiliência, capacidade de decisão e, sobretudo, a confiança das pessoas. Acredito em equipas onde existe exigência, mas também autonomia e sentido de responsabilidade. Quando cada pessoa conhece o objetivo comum e percebe o impacto do seu trabalho, consegue responder melhor à pressão e à imprevisibilidade, que fazem parte do nosso dia a dia. Ao longo de 25 anos, aprendi que os melhores resultados não se alcançam apenas com talento individual, mas com equipas alinhadas, que comunicam bem, confiam umas nas outras e partilham o mesmo compromisso com a excelência.

Quando olha para o percurso da Live Experiences e para a evolução do Ageas Cooljazz, qual é a marca que gostaria de deixar no setor dos festivais em Portugal?

Gostaria que a Live Experiences fosse reconhecida por ter demonstrado que é possível construir um projeto cultural de referência sem perder identidade, qualidade ou sustentabilidade. Nunca acreditei que crescer significasse apenas aumentar a dimensão; para mim, crescer é criar mais valor para o público, para os artistas, para os parceiros, para o território e para toda a cadeia de profissionais que torna um festival possível. No Ageas Cooljazz procurei sempre fazer diferente, apostando na experiência, na qualidade artística, na integração com Cascais, na inovação, na acessibilidade e na construção de relações de longo prazo assentes na confiança. Acredito que essa consistência é um dos maiores ativos do festival.

E que legado espera construir para as próximas gerações de profissionais da área?

Se conseguir deixar um legado, gostaria que fosse o de ter contribuído para elevar os padrões do setor dos festivais e dos eventos em Portugal, mostrando que é possível conciliar criatividade com uma gestão rigorosa, ambição internacional com raízes locais e sucesso comercial com responsabilidade social e ambiental. Se essa for a marca que conseguir deixar, espero também inspirar as próximas gerações de profissionais a perceber que os projetos mais sólidos não são necessariamente os que crescem mais depressa, mas os que crescem com uma visão clara, coerência nas decisões e a coragem de evoluir sem perder a sua identidade.

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