O Barómetro de Conjuntura Económica CIP – Confederação Empresarial de Portugal/ISEG de junho de 2026, divulgado esta segunda-feira, prevê que a economia portuguesa retome o crescimento em cadeia do PIB no segundo trimestre de 2026, depois da estagnação observada no início do ano. As perspetivas de um desempenho globalmente positivo da economia portuguesa encontram-se nos indicadores de atividade setorial, segundo a CIP: os setores dos serviços, construção e obras públicas, comércio a retalho e indústria transformadora evoluíram positivamente, tendo apenas sido registado um decréscimo moderado no comércio por grosso.
A CIP refere ainda que outro dado positivo da economia portuguesa é o crescimento em abril das exportações de bens, as quais excederam o crescimento “também assinalável das importações, abrindo perspetivas positivas para a recuperação do contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB em Portugal”. A produção industrial registou em abril crescimento em termos homólogos em todos os agrupamentos de setor, com exceção da produção de energia.
“Num contexto desafiante, marcado por guerras e pela instabilidade geopolítica, e com a transmissão progressiva dos aumentos no custo da energia às diferentes cadeias de valor, é muito positivo assinalar a forma como as empresas portuguesas reagiram e se adaptaram às condições com que se depararam neste primeiro semestre”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP.
“É muito positivo assinalar a forma como as empresas portuguesas reagiram e se adaptaram às condições com que se depararam neste primeiro semestre”, diz Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP.
“O aumento das vendas ao exterior mostra também que a generalidade das empresas exportadoras portuguesas sai desta crise com a competitividade reforçada nos mercados internacionais”. Rafael Alves Rocha sublinha que esta “performance” está a ser alcançada poucos meses depois de várias regiões do país terem sido devastadas por tempestades que afetaram muitas empresas: “A capacidade que as empresas atingidas revelaram para se reorganizarem, e para aproveitarem de forma eficiente os apoios disponíveis, é a todos os títulos notável”.
Apesar de os indicadores de confiança dos consumidores acompanharem o desempenho do setor empresarial, confirmando a inversão em maio da trajetória de deterioração das apreciações registadas nos meses anteriores, o diretor-geral da CIP mostra-se cauteloso quanto às perspetivas para os próximos meses: “Ainda não é clara a intensidade com que o aumento do preço da energia se está a transmitir ao longo das cadeias de valor, nem a rapidez com que esse impacto se irá desvanecer”, afirma Rafael Alves Rocha. “Mesmo se, como este Barómetro indica, os mercados internacionais já estão a incorporar a perspetiva de um acordo no Médio Oriente, as vicissitudes que o processo de negociação entre os Estados Unidos e o Irão tem registado aconselham alguma cautela”.





