O consórcio, formado pelas operadoras de telecomunicações Bouygues Telecom, o Grupo Free–iliad e a Orange, estava já há alguns meses em negociações com a Altice France para a compra dos ativos da operação de telecomunicações do grupo Altice no mercado francês, a SFR. Desde 2024 que são públicas as dificuldades que a empresa atravessa com o excesso de dívida acumulada, tendo vendido, nessa altura o negócio de media, na tentativa de reduzir passivo. Porém, a venda deste ativo não ajudou na redução da elevada dívida em França. A conclusão desta fusão, uma das maiores na Europa neste setor, reduz o mercado francês a apenas três grandes operadores de telecomunicações.
O grupo Altice, dono da MEO desde 2015, foi fundado em 2001 pelo milionário Patrick Drahi, atual presidente da holding. Este empresário nasceu em Casablanca, Marrocos, em 1963, tendo emigrado aos 15 anos para França com a sua família. Iniciou a sua carreira nas telecomunicações em 1988, como investigador na área da fibra ótica, então na Philips, passando posteriormente para a televisão por satélite e por cabo. Em 1994, funda a sua primeira empresa de televisão por cabo, que vendeu com ganhos significativos. A holding Altice, sediada em Amesterdão, nasceu com o foco das telecomunicações e expandiu-se rapidamente para vários mercados, como França, Israel, Bélgica, Portugal e Estados Unidos.
Nos últimos anos, o crescimento acelerado do grupo trouxe inúmeras dificuldades financeiras, acumulando dívidas elevadas. A operação em Portugal ficou de fora dos contratos de créditos existentes, segundo notícias avançadas no final do ano passado. A operação de venda da empresa francesa, que resulta da necessidade de vender ativos para pagar aos credores, foi aceite por Patrick Drahi em abril último tendo sido agora anunciado os parâmetros do acordo.
A Meo ficou de fora dos contratos de crédito existentes no grupo Altice, salvaguardando dos credores os ativos portugueses.
Os três compradores referem, em comunicado que “a transação proposta visa criar valor a longo prazo para todas as partes interessadas, sejam clientes, sejam colaboradores, parceiros, fornecedores e investidores, e para a França, apoiando o desenvolvimento contínuo das suas infraestruturas e do seu ecossistema digital”. Referem ainda que esta transação preservaria um ecossistema altamente competitivo e reforçaria a capacidade a longo prazo do setor para investir, inovar e antecipar grandes mudanças tecnológicas.
Segundo o memorando de entendimento, o consórcio refere que garantirá o emprego de todo a equipa da empresa até ao início de 2029. Segundo os termos do acordo, a repartição do preço entre os compradores mantém-se inalterada: 42% para a Bouygues Telecom, 31% para o Grupo Free–iliad e 27% para a Orange. Foram igualmente acordadas indemnizações por rescisão, que podem variar entre 100 milhões de euros e, em caso de assinatura, 2 mil milhões de euros, dependendo de quem iniciar a rescisão, bem como dos motivos e do momento da rescisão da transação.
Esta operação de compra terá ainda de ser aprovada pela autoridade da concorrência. Segundo o comunicado, e citando o mesmo, “Nesta fase, não há garantias de que esta transação venha a concretizar-se”.
Já as frequências serão repartidas entre os três operadores e os ativos (em particular as redes fixa e móvel, excluindo Crozon, parte da rede de lojas e os sistemas informáticos) que não forem adquiridos pelos três operadores continuarão a ser geridos no âmbito da SFR SA durante um período de transição de, pelo menos, 30 meses.
A Orange é uma das principais operadoras de telecomunicações do mundo, tendo faturado, no final de 2025, cerca de 40,4 mil milhões de euros. A Bouygues Telecom é uma operadora francesa de telecomunicações e serviços digitais que gerou, em 2025, um volume de negócios de 8,1 mil milhões de euros e o Grupo Iliad faturou cerca de 10,3 mil milhões de euros em 2025
Esta operação de compra terá ainda de ser aprovada pela autoridade da concorrência. Segundo o comunicado, e citando o mesmo, “Nesta fase, não há garantias de que esta transação venha a concretizar-se”.





