Alice Kellen: “Fiquei emocionada, apesar de já conhecer a história”

No dia 3 de junho chega aos cinemas o filme "Tudo O Que Nunca Fomos", uma adaptação do primeiro livro da série "Deixa Acontecer", da autora espanhola Alice Kellen. Com Margarida Corceiro e Maxi Iglesias a dar vida a Leah e Axel, este filme é mais um que vem confirmar a forte aposta nas adaptações…
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O filme "Tudo O Que Nunca Fomos", que conta com a portuguesa Margarida Corceiro como protagonista, chega aos cinemas esta quarta-feira. A Forbes Portugal falou com Alice Kellen, que escreveu o livro que está na base deste projeto.
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No dia 3 de junho chega aos cinemas o filme “Tudo O Que Nunca Fomos”, uma adaptação do primeiro livro da série “Deixa Acontecer”, da autora espanhola Alice Kellen. Com Margarida Corceiro e Maxi Iglesias a dar vida a Leah e Axel, este filme é mais um que vem confirmar a forte aposta nas adaptações de livros de sucesso nas redes sociais (em universos como o BookTok e BookTube) para o grande ecrã.

A poucos dias da estreia, a Forbes Portugal falou com Alice Kellen sobre este projeto.

O que a inspirou a escrever estes livros?
Queria falar sobre o luto, a família, a passagem para a maturidade, as paixões que nos abalam (neste caso, a pintura) e sobre o facto de o amor, em todas as suas variantes e formas, ser sem dúvida a espinha dorsal das nossas vidas.

Qual foi o livro mais difícil de escrever?
O segundo, sem dúvida. Passam três anos entre um romance e o outro, o que aconteceu no primeiro constitui parte dos alicerces do segundo, e era necessário refletir a passagem do tempo e a forma como isso os influenciou.

As reações dos leitores influenciaram de alguma forma os livros seguintes?
Não, porque os escrevi um a seguir ao outro. Só quando terminei o segundo é que comecei a pensar no que fazer com eles e na possibilidade de os publicar.

Há alguma cena ou narrativa que a deixe particularmente orgulhosa?
Gosto das cenas em que o que não é dito tem mais peso, e a contenção e a subtileza são sempre um desafio. Também gosto das que têm a ver com a vertente artística da protagonista, as metáforas com a cor e a forma como esta reflete a sua vida.

“Tudo o que Nunca Fomos” é o primeiro livro da autora espanhola Alice Kellen a chegar ao grande ecrã.

Quando é que começaram as conversas sobre a adaptação dos livros?
Há anos! Quase nem me lembro. São processos demorados, há muito trabalho por parte da produtora, mas o resultado valeu a pena.

Qual foi a sua reação quando a adaptação foi oficialmente aprovada?
Tenho sempre alguma dificuldade em assimilar este tipo de notícias, sou muito cautelosa, por isso encarei tudo com muita calma. Mas com curiosidade, sem dúvida. Assim que me disseram que o projeto ia avançar, propus-me a aproveitar o momento e a aprender com o processo.

Como descreve o seu envolvimento na produção televisiva?
Acompanhei o projeto, deixaram-me ler os guiões e tiveram em conta a minha opinião. Também fui às filmagens. Mas é preciso compreender que se trata de um mundo completamente diferente do dos livros, que é preciso ser generosa com as equipas que trabalham no setor e que sabem mais do que tu. Já é uma sorte poder ir acumulando experiência e aprendendo para o futuro.

Que aspetos dos livros foram os mais difíceis de adaptar para o ecrã?
Provavelmente a banda sonora. Nos livros, os Beatles são frequentemente mencionados, mas acabou por ser impossível adquirir os direitos por questões orçamentais. Caso contrário, não teria sido possível fazer o filme.

Houve alterações importantes que apoiou ou rejeitou?
Não, houve alguns assuntos que foram muito discutidos e acho que todos concordámos: o importante era manter a essência do livro. E é isso mesmo, o filme é delicado, alimenta-se da intimidade entre eles e dos pequenos detalhes.

A interpretação visual correspondeu ao que imaginava enquanto escrevia?
Sim, ficaram ambos fantásticos.

Existem cenas que foram adicionadas à série que gostaria de ter incluído nos livros?
O que existe, de facto, é uma abordagem um pouco diferente, mais ampla e atual, sobre os temas abordados no romance. E sim, acho que o guião melhora e reforça certos aspetos.

“Tudo o que Somos Juntos” é o segundo livro da série “Deixa Acontecer”, de Alice Kellen.

Porque é que a Margarida Corceiro é a pessoa certa para interpretar a Leah?
Não conhecia a Margarida e foi uma surpresa. Acho que ela transmite uma mistura perfeita de força e fragilidade que a personagem da Leah precisava. Além disso, acho incrível a forma como ela a interpretou, tendo em conta a língua, que para ela era uma dificuldade adicional.

O que é que esta adaptação lhe ensinou sobre contar histórias?
Muito, na verdade. É uma das coisas que vou levar comigo. Percebes como o ritmo é importante, o início de uma história, e que cada cena deve trazer algo relevante. Tudo está muito condensado no tempo que dura o filme.

Qual foi a cena mais comovente de ver interpretada?
Há uma parte no final que dá vontade de chorar, acho que por agora não posso revelar mais. Mas sim, fiquei emocionada, apesar de já conhecer a história.

Que legado gostaria que a série deixasse?
Fico com todas aquelas leitoras que se lançaram à leitura durante a pandemia e que encontraram nestes livros um refúgio.

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