Ferrari faz história e lança primeiro elétrico. O impacto que o modelo Luce terá nas contas da empresa

A Ferrari prepara-se para entrar oficialmente na era da mobilidade elétrica com o lançamento do Luce, o primeiro modelo 100% elétrico da história do fabricante italiano e que a marca revelou na noite de ontem. Para a XTB, o impacto do novo automóvel poderá ir muito além da simples entrada num novo segmento. Numa análise,…
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A Ferrari apresentou o Luce, o seu primeiro modelo 100% elétrico. Numa análise de mercado, a XTB considera que o novo automóvel poderá reforçar o posicionamento da Ferrari no segmento de ultra-luxo e aumentar as receitas da empresa, apesar dos riscos associados à procura e às tarifas norte-americanas.
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A Ferrari prepara-se para entrar oficialmente na era da mobilidade elétrica com o lançamento do Luce, o primeiro modelo 100% elétrico da história do fabricante italiano e que a marca revelou na noite de ontem. Para a XTB, o impacto do novo automóvel poderá ir muito além da simples entrada num novo segmento.

Numa análise, a corretora destaca que o posicionamento ultra-premium do modelo poderá ter efeitos relevantes nas contas da empresa e na valorização global da marca Ferrari: “Este novo modelo representa uma oportunidade de crescimento de receita dado o seu posicionamento ultra-premium”, refere a análise da XTB.

Segundo a corretora, o Ferrari Luce deverá ter um preço inicial na ordem dos 550 mil euros, colocando-o muito acima da média habitual da gama da marca italiana.

“Cada unidade gera cerca de três a cinco vezes mais receita do que um modelo Ferrari standard”, sublinha a análise.

A XTB considera ainda que a estratégia de produção limitada poderá amplificar o impacto financeiro do modelo: “Com produção global estritamente limitada, mesmo algumas centenas de unidades por ano poderão ter um impacto relevante no preço médio de venda e nas receitas de personalização através do programa Tailor Made da Ferrari.”

O lançamento surge numa altura em que a Ferrari continua a apresentar resultados financeiros robustos. No primeiro trimestre deste ano, a empresa registou receitas de 1,85 mil milhões de euros e um EBITDA de 722 milhões de euros, um crescimento homólogo de 4%, com uma margem EBITDA de 39,1%.

Segundo a XTB, o Luce poderá também funcionar como um elemento de reforço estratégico da marca, mesmo junto dos clientes mais tradicionais.

“O impacto do Luce nas contas da empresa vai muito além do preço de tabela”, refere a análise. “Um veículo elétrico a este nível de preço reforça o posicionamento da marca no segmento de ultra-luxo, o que tende a elevar o valor percecionado de toda a gama, incluindo os modelos de combustão.”

A componente tecnológica é outro dos fatores destacados pela corretora. A Ferrari terá já registado mais de 60 patentes relacionadas com a arquitetura do motor e tecnologias associadas ao Luce: “Este investimento em propriedade intelectual poderá gerar receitas de licenciamento a longo prazo e serve também como barreira à entrada de concorrentes no segmento de desportivos elétricos de ultra-luxo”, considera a XTB.

Vários riscos

Apesar das expectativas positivas, a análise alerta também para vários riscos associados à aposta elétrica da Ferrari: “A grande questão será perceber se o Luce consegue ter um impacto nas receitas da empresa que seja visível nos earnings dos próximos trimestres”, refere a corretora.

Entre os principais riscos identificados estão as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre automóveis europeus, numa altura em que o mercado norte-americano continua a ser um dos mais importantes para a Ferrari.

A XTB destaca ainda o impacto dos movimentos cambiais adversos nos resultados recentes da empresa e lembra que a Lamborghini decidiu adiar os seus planos para um modelo 100% elétrico: “A concorrente Lamborghini abandonou os seus planos de veículo elétrico para 2030, citando que a procura por desportivos de luxo elétricos é baixa”, sublinha a análise.

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