A liderança do futuro será menos técnica e mais humana. A ideia marcou um dos painéis da 4ª edição do Forbes Women Summit, o painel “As Vozes do Negócio”, que decorreu no Hotel Palácio Estoril e reuniu Benedita Miranda (COO EMEA da Foundever), Minette Bellingan (CEO da Worten), Rita Fernandez (Marketing Manager da Nio e Firefly Portugal) e Marta Barros (franquiada McDonald’s). Entre estratégias globais, adaptação cultural e gestão de equipas, as intervenientes convergiram numa mensagem comum: ouvir as pessoas tornou-se um dos principais ativos das organizações.
A relação entre liderança, marcas e pessoas esteve no centro do painel “As Vozes do Negócio”, que juntou responsáveis de diferentes setores para discutir o impacto das empresas no comportamento do mercado e na gestão de equipas.
Benedita Miranda, COO EMEA da Foundever, defendeu que a liderança global exige capacidade de adaptação local. “Temos o negócio adaptado aos diferentes países em que estamos inseridos; não devemos ser cegos às diferenças culturais”, afirmou.
A responsável explicou que, apesar de existir uma estratégia internacional comum, a execução deve respeitar as especificidades de cada mercado: “Embora a estratégia seja global, a sua ação é local”. Como exemplo, referiu os escritórios da empresa em Portugal: “As nossas paredes estão revestidas de cortiça. É uma forma pequena, mas que causa impacto quando queremos adaptar-nos à cultura do país.”
Numa altura em que a automatização ganha peso nas empresas, Benedita Miranda acredita que a diferença competitiva estará cada vez mais na dimensão humana das organizações. “O que é técnico será feito pela tecnologia, e o que é humano não será feito pela tecnologia. Será pelos seres humanos”, afirmou. Reforçando essa ideia, a COO EMEA da Foundever declarou que a liderança do futuro terá de evoluir: “A liderança será menos técnica e mais virada para o ser humano.”
Foi também nesse contexto que deixou uma das frases mais marcantes do painel: “O que vai fazer a diferença para as marcas é a humanização.”
“O que vai fazer a diferença para as marcas é a humanização”, salienta Benedita Miranda.
Sobre o papel das mulheres no contexto da liderança, Benedita Miranda assumiu uma posição provocadora: “Podendo ser provocador para os homens que me escutam na sala, acho que as mulheres terão uma capacidade competitiva face aos homens, pois o que é humano e a gestão de emoções, diria que as mulheres fazem-no melhor do que os homens.”
Minette Bellingan, CEO da Worten, centrou a sua intervenção na importância de ouvir equipas e consumidores. “A liderança passa por ouvir, e envolver as pessoas no que está a acontecer na organização e na forma como encararmos o negócio no futuro”, afirmou.
A gestora recordou experiências internacionais que teve, nomeadamente na Coreia do Sul, para ilustrar como as diferenças culturais obrigam os líderes a adaptar abordagens. “Os consumidores são semelhantes naquilo que querem, mas a forma como alcançamos o que é pretendido é diferente”, explicou, salientando com isso a importância da adaptação à cultura de cada país.
Na Worten, segundo apontou, uma das prioridades passa por criar canais reais de escuta interna. “Introduzi uma tecnologia interna que procura ouvir a voz dos colaboradores. Eles enviam uma mensagem a dizer o que funciona e o que não funciona.”
Segundo Minette Bellingan, essa proximidade é essencial para criar confiança dentro das organizações: “Esse feedback permite introduzir alterações na organização. E isso permite que confiem em mim.”
A CEO da Worten insistiu várias vezes na importância das equipas operacionais, que estão no terreno, para o sucesso da marca. “Algumas das pessoas mais importantes da Worten são as que estão nas lojas. São elas que dão a cara pela Worten perante os clientes; são os nossos soldados no campo.”
“Sem a voz das pessoas, a organização não é nada”, declara Minette Bellingan.
Esta responsável destacou ainda o conhecimento acumulado por colaboradores que permanecem há décadas na empresa. “A nossa arma secreta são as pessoas que nos servem há 30 anos. Os nossos colaboradores conhecem os clientes.”
Ao abordar o conceito de liderança, reforçou a necessidade de escuta genuína: “Quero ouvir as autênticas vozes das pessoas que me rodeiam.”
E deixou outra das frases mais fortes do painel: “Sem a voz das pessoas, a organização não é nada.”
Por seu lado, Rita Fernandez, Marketing Manager da Nio e Firefly Portugal, falou sobre os desafios de introduzir novas marcas automóveis no mercado europeu, sobretudo quando têm origem asiática: “Temos de garantir a qualidade do produto e depois também assegurar que a rede de concessionários e oficinas apoie toda a experiência”, afirmou.
Apesar da existência de diretrizes internacionais para a construção das marcas, sublinhou que a adaptação local é decisiva. “Manter a identidade, mas adaptada à realidade nacional”, resumiu.
“O poder da voz tem de ser bem usado”, considera Rita Fernandez.
A responsável comparou essa necessidade de adaptação à lógica de uniformização da McDonald’s: “Temos carros iguais, mas tem de haver adaptação aos diferentes mercados.”
Sobre comunicação e liderança, deixou um alerta para a responsabilidade associada à influência das marcas: “O poder da voz tem de ser bem usado.” E acrescentou: “A mensagem que é dita é mais importante, porque o recetor pode não compreender a mensagem.”
Já Marta Barros, franquiada McDonald’s, destacou a importância de criar espaço para que as equipas possam assumir responsabilidades e liderar e, dessa forma, crescer.
“A liderança não passa só por mim, tenho de dar espaço para os meus colaboradores liderarem”, afirmou.
A empresária, que tem atualmente três restaurantes McDonald’s e prepara a abertura de um quarto, explicou que a experiência em multinacionais lhe permitiu desenvolver competências de gestão antes de avançar para o empreendedorismo.
“Quando surge a McDonald’s é a ligação perfeita: consigo ser empreendedora e continuo a ter por trás uma empresa global forte”, disse.
Marta Barros destacou a importância da formação contínua dentro da organização, apontando que no McDonald’s existe um centro de formação que favorece a criação de uma cultura de liderança.
A responsável reconheceu também os desafios adicionais que continuam a existir para as mulheres no mundo empresarial. “A verdade é que a responsabilidade da casa e dos filhos cai sobre a mulher e isso faz com que nem sempre as mulheres tenham disponibilidade de conseguir uma maior equidade.”
Ainda assim, defendeu que a mudança depende da ação individual e coletiva: “Cabe a cada um de nós mudar este mundo.”
No final, resumiu a sua visão sobre liderança numa frase que sintetizou o espírito do debate: “Dar voz é dar palco às equipas, pois são elas que dão corpo a que o negócio cresça.”





