Depois das boas vindas dadas pelo CEO do Grupo Media Nove, José Carlos Lourenço (que destacou a singularidade e emotividade que são sempre os eventos Forbes Women Summit), e pela saxofonista ucraniana Anastasiia Kukunina (que tocou “We are the World” e aqueceu a alma dos presentes, deixando uma mensagem de esperança), a 4ª edição do Forbes Women Summit arrancou com quatro vozes com percursos distintos que mostraram como a diferença gera inovação e impacto.
Maria Manuel Mota, Presidente executiva da Fundação GIMM (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine), Zuzana Fabianová, CEO Wondercom, Rachel Muller, CEO da Nestlé, e Andreia Nunes L’Or, empresária e primeira portuguesa a deter uma SAD (Grupo Desportivo Alcochetense) foram “As vozes da Diferença” no primeiro painel da tarde.
A importância da resiliência, da adaptação e da autenticidade na liderança marcou o painel “As vozes da diferença” do Forbes Women Summit.
Maria Manuel Mota, presidente executiva da Fundação GIMM (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine), destacou a resiliência como uma competência estrutural no mundo científico. “Enquanto cientistas, estamos treinados para errar, só me apercebi disso ao fim de muitos anos. É um treino para ser cientista”, afirmou.
A responsável sublinhou a diferença entre a formação médica e científica: “O treino para ser médico é um treino para acertar; já o treino para ser cientista é, pelo método científico, estar sempre a desafiar para estar errado para evoluir.”
Essa realidade, defendeu, cria desafios adicionais na gestão das equipas de cientistas, sobretudo junto das gerações mais jovens: “No meu caso é liderar equipas para aprenderem que a dúvida é o dia a dia; isso, nas novas gerações que querem algo para pôr no Instagram, é complicado.”
“No meu caso, procuro liderar equipas para aprenderem que a dúvida é o dia a dia”, diz Maria Manuel Mota.
Maria Manuel Mota alertou ainda para o impacto da desinformação e da perda de confiança no conhecimento científico que atravessa a sociedade atual. “Só quando acreditarmos como sociedade no conhecimento é que podemos evoluir”, sentenciou, acrescentando: “O que me causa desolação no tempo atual é, para além da guerra, a desinformação e este ‘não acreditar no conhecimento’, que é um dos aspetos mais preocupantes da nossa sociedade.”
A investigadora defendeu também um reforço do investimento em ciência em Portugal, apontando o objetivo dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB): “Temos exemplos de países que investiram 3% do seu PIB na ciência, como a Noruega e a Coreia do Sul. Não eram ricos, mas ao investirem na ciência tornaram-se mais ricos.”
Já Zuzana Fabianová, CEO da Wondercom, aproveitou o facto de a empresa assinalar 27 anos precisamente no dia do evento para recordar os primeiros passos do projeto. “A história da empresa, apesar de poder ser inspiradora, começou na Eslovénia, pois nasceu no bar do pavilhão do país na Expo 98”, contou a sorrir.
Segundo a gestora, foi há quase três décadas que ouviu uma conversa sobre as oportunidades tecnológicas que estavam a surgir em Portugal na altura da Expo’98. “Eventualmente, soube aproveitar esse conselho e fui atrás; o resto não foi por acaso”, disse, deixando perceber que o trabalho árduo fez parte da equação que se seguiu. “Quando somos novos, somos mais aventureiros; com idade calculamos melhor riscos.”
“Quando somos novos, somos mais aventureiros; com idade calculamos melhor riscos”, diz Zuzana Fabianová.
Fabianová destacou a capacidade de adaptação como um dos pilares da empresa que conta com cerca de 600 trabalhadores e uma faturação de 50 milhões de euros (dados de 2025)
A CEO defendeu também a importância da diversidade nas organizações: “Defendo criar uma política de colaboração e saber escutar opiniões diferentes.” Para Fabianová, “a diversidade permite fazer soluções e produtos melhores para os nossos clientes” e a gestora até recorreu a frase atribuída a Charles Darwin para referir que “não é o mais forte ou o mais inteligente, mas sim o que tem a capacidade de se adaptar melhor.”
Já Rachel Muller, CEO da Nestlé Portugal, centrou a sua intervenção na gestão de equipas multiculturais e na necessidade de promover ambientes de trabalho mais humanos. “A principal coisa é saber trabalhar em equipa”, afirmou, explicando que a sua experiência em diferentes mercados, como México e Porto Rico, lhe mostrou a importância da conexão cultural e da autonomia das equipas.
“A minha forma de liderar é através das minhas equipas”, disse. “O denominador comum é dar liberdade para criar.”
Entre as declarações que deixou no painel, houve uma que se salientou: “Venham trabalhar inteiros, é o que costumo dizer aos meus colaboradores.” Para Rachel Muller, o medo continua a limitar o potencial das pessoas dentro das organizações: “Os medos fazem com que as pessoas venham com medo e não se entreguem na totalidade”.
“Venham trabalhar inteiros, é o que costumo dizer aos meus colaboradores”, afirma Rachel Muller.
Nesse espírito, a responsável da Nestlé Portugal defendeu ainda que os resultados devem surgir como consequência de um ambiente saudável de trabalho. “O resultado é uma consequência. O erro muitas vezes é achar que no topo as pessoas sabem tudo o que fazer”, afirmou.
Sobre Portugal, deixou uma visão otimista: “Portugal está no meio de tudo e não longe de tudo.” E acrescentou: “O povo português tem uma coisa única, que é a alegria; é um país incrível.”
Rachel Muller destacou igualmente o papel das mulheres no futuro das organizações, sobretudo num contexto de avanço tecnológico. “Quanto mais a tecnologia avança, mais a humanidade prevalece”, afirmou. “Acho que as mulheres têm um papel determinante nesta evolução.”
Por seu lado, Andreia Nunes L’or, empresária e primeira portuguesa a deter uma SAD, falou sobre o desafio de entrar no universo do futebol através do Grupo Desportivo Alcochetense: “Foi uma oportunidade que surgiu, abracei o projeto para perceber até que ponto estamos capazes de aprender coisas novas”.
“Incentivo as mulheres a terem coragem e que sintam honra daquilo que no vosso interior nasceram para ser e força!”, indica Andreia Nunes L’or.
A empresária, que está neste projeto como gestora e investidora, afirmou estar focada na profissionalização do clube e na integração de tecnologia no futebol. “Estou a procurar profissionalizar ao máximo o clube”, disse.
Andreia Nunes L’or reconheceu também os desafios adicionais de liderar num setor, como o futebol, que é tradicionalmente masculino e que “tem de lidar com os maus resultados”. Porém, para Andreia Nunes L’or não há forma de evitar uma ideia: “Temos de estar com ambição, temos de estar à altura”. Tendo por base este pressuposto, “incentivo as mulheres a terem coragem e que sintam honra daquilo que no vosso interior nasceram para ser e força!”.





