Forbes Women Summit: Simone de Oliveira foi a mulher homenageada na quarta edição do evento

Simone de Oliveira foi a personalidade homenageada na quarta edição do Forbes Women Summit, que aconteceu esta tarde, no Hotel Palácio Estoril. Recebeu o prémio My Forbes, distinção que é atribuída desde a primeira edição do evento, em 2023, a mulheres que se destacam no panorama nacional, e que conta já na lista com nomes…
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A artista de 88 anos recebeu o prémio My Forbes, atribuído pela revista a uma mulher que se distingue no panorama nacional. Simone de Oliveira é, e será sempre, um símbolo de coragem feminina que enfrenta as convenções sociais.
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Simone de Oliveira foi a personalidade homenageada na quarta edição do Forbes Women Summit, que aconteceu esta tarde, no Hotel Palácio Estoril. Recebeu o prémio My Forbes, distinção que é atribuída desde a primeira edição do evento, em 2023, a mulheres que se destacam no panorama nacional, e que conta já na lista com nomes como Leonor Beleza, Francisca Van Dunem e Maria Cândida Rocha e Silva.

Na impossibilidade de estar presente no evento, Simone Oliveira fez-se representar pela atriz Sofia Grilo, que recebeu o prémio em seu nome, representando a Casa do Artista, local onde Simone está a residir. Sofia Grilo leu uma mensagem de agradecimento Simone Oliveira, que acabou por entrar em direto através de uma chamada telefónica. Simone de Oliveira agradeceu mais uma vez, dizendo que não sabe se merece tanto, e que sabe que a música portuguesa está muito bem entregue. “Gosto muito de estar na Casa do Artista e gosto muito de ti, Sofia, até cantei a Desfolhada nos teus anos”, diz.

Carolina Ligeiro e David Antunes protagonizaram o último momento musical do evento, cantando a “Desfolhada Portuguesa”, homenageando Simone de Oliveira, que recebeu o prémio My Forbes. 

A homenagem que foi feita, no encerramento da conferência, através de um pequeno vídeo que acompanha os principais momentos da vida da artista, esteve também presente uma das mais jovens e promissoras vozes nacionais, a cantora Carolina Ligeiro, cuja performance que se tornou viral nas redes sociais. Natural de Coimbra, a jovem de 24 anos, destacou-se pela sua voz potente e afinada ao participar no podcast de David Antunes & The Midnight Band, através da rubrica “Canta-me uma história”. Carolina faz parte de uma banda de covers, que toca em todo o país, cantando desde fado a temas pop. No evento da Forbes Portugal, a jovem cantora interpretou a Desfolhada Portuguesa, a canção mais marcante da carreira de Simone de Oliveira, acompanhada, nas teclas pelo músico David Antunes. Simone de Oliveira agradeceu também a Carolina Ligeiro, que, segundo ela, pode cantar o que quiser.

Simone, uma mulher muito à frente do seu tempo

“Eira de milho, Luar de Agosto. Quem faz um filho, Fá-lo por gosto.” Foi em 1969 que Simone de Oliveira cantou a “Desfolhada Portuguesa”, canção que enfrentou muitos preconceitos instalados no Portugal de então. Lançada num momento de grandes mudanças sociais, a canção tornou-se, pela sua ousadia, um símbolo de coragem, de resistência e de renovação. Este não foi foi apenas um momento de coragem, foi antes o reflexo da forma como enfrenta a vida.

Simone de Oliveira nasceu em Lisboa a 11 de fevereiro de 1938, filha de Guy Macedo de Oliveira e de Maria do Carmo Tavares Lopes da Silva. Casou cedo, mal acabou o liceu, aos 19 anos, mas afastou-se deste casamento meses depois, por ser vítima de violência doméstica. Fragilizada, mas não derrotada, decidiu entrar na Emissora Nacional, tornando-se apresentadora de diversos programas. A sua estreia como cantora aconteceu em 1958, no Festival da Canção Portuguesa, que venceria dois anos seguidos. Seguem-se inúmeros trabalhos editados, até que em 1969 surge o seu maior êxito, a “Desfolhada Portuguesa”, canção que ficou em 15º lugar, o penúltimo, no Festival da Eurovisão, em Madrid. Já de regresso a Portugal foi recebida como a grande vencedora.

Agarrada à vida, que absorve com profunda paz interior, Simone de Oliveira continua a ser, aos 88 anos, um símbolo de resistência e de coragem feminina.

Seguiram-se inúmeros êxitos musicais, fez teatro, revista, programas de televisão. “Meu Nome é Simone”, Tragédia da Rua da Flores, Gente Fina é Outra Coisa, Maldita Cocaína, são alguns dos projetos a que deu cor. Foi agraciada com inúmeras distinções: recebeu um globo de Ouro, a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, a Medalha de Mérito Cultural, entre tantos outros.

Foi arrojada tanto na vida profissional como na vida pessoal. Teve dois filhos, Maria Eduarda e António Pedro, da sua relação com António José Coimbra Mano, com quem não chegou a casar. Considerada “mãe incógnita” durante 10 anos, lutou até conseguir dar o seu nome aos seus descendentes. Embora fruto de uma grande paixão, criou-os praticamente sozinha. “Tive dois filhos porque quis ter os dois filhos”, diz, com orgulho. Casou novamente com Alberto Varela Silva, com quem viveu 23 anos, até ficar viúva. Afastada dos palcos desde 2022, é avó de quatro netos e vive atualmente na Casa do Artista, local onde se sente acarinhada. Agarrada à vida, que absorve com profunda paz interior, continua a ser, aos 88 anos, um símbolo de resistência e de coragem feminina.

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