Indústria da Defesa poderá ser beneficiada com a atual situação geopolítica, com amplos benefícios para Portugal, diz Paulo Rangel

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considerou esta quinta-feira que a atual situação geopolítica é muito difícil mas que esse contexto e os seus efeitos, podem trazer oportunidades sobre no que diz respeito ao desenvolvimento da indústria da Defesa. Na abertura da quinta edição do Growth Forum, evento da responsabilidade da Câmara de Comércio…
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A indústria da Defesa poderá ser beneficiada com a atual situação geopolítica, com amplos benefícios para Portugal. A convicção foi deixada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros no Growth Forum, organizado pelo CCIP, em Lisboa.
Economia

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, considerou esta quinta-feira que a atual situação geopolítica é muito difícil mas que esse contexto e os seus efeitos, podem trazer oportunidades sobre no que diz respeito ao desenvolvimento da indústria da Defesa.

Na abertura da quinta edição do Growth Forum, evento da responsabilidade da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e que conta com o JE, Forbes Portugal e Forbes África Lusófona como media partners, o governante destacou as grandes oportunidades dos acordos comerciais e como os mesmos podem estimular conexões geopolíticas.

“A situação geopolítica é difícil”, começou por destacar Paulo Rangel, que considerou “evidente o arrefecimento na relação transatlântica com os EUA”. “Mas há efeitos positivos”, assegura. A UE, referiu, “terá mesmo que apresentar resultados, também na Defesa e sabemos que esta indústria é uma enorme oportunidade económica. Se formos capazes de aproveitar estas oportunidades, será extraordinário”.

Relativamente à implementação de acordos comerciais, com especial incidência no Mercosul e Índia, recordou aquela que poderia ter sido uma enorme oportunidade para Portugal: “Tivemos a possibilidade de ter um mercado comum com os EUA e isso teria tornado Portugal um país central na Europa, os Açores seriam ultracentrais nesse contexto. A administração Obama começou tarde nesse caminho e com Trump veio o protecionismo”, lamentou.

Paulo Rangel recordou que, ao longo de 25 anos, Portugal “apostou sempre no acordo Mercosul” já que “sempre considerámos urgente essa implementação, apesar da falta de visão estratégica do Parlamento Europeu”. Sobre a Índia, o ministro dos Negócios Estrangeiros: “Este acordo é extremamente importante e em termos de números estamos a falar de um mercado estratosférico e colossal”.

“Faz-se isto porque a única estratégica que a UE pode ter contra o protecionismo da China e dos EUA é uma rede de acordos de comércio livre. É fundamental incentivar o investimento e integrar estes espaços económicos que estão na rede de comércio. Isto tem consequências geopolíticas”, defendeu.

O governante considera que “estes acordos comerciais, de carácter livre, também criam um laço político e a partir daí há estabilidade, segurança e paz com o desenvolvimento de visitas e de intercâmbio. Há ameaças mas não temos que ter medo dessas ameaças”.

Recordando a abertura de algumas missões diplomáticas em alguns destinos cuja economia está a crescer a 10% e revelou mesmo que o ativo de Portugal nesses países “é enorme”: “Somos conhecidos, temos o branding feito, falta levar o conteúdo dessa marca para estes destinos. Sem esquecer Canadá, México e Austrália, países com os quais estamos alinhados”. Portugal irá, de acordo com Paulo Rangel, “continuar a fazer esse esforço, até porque estas embaixadas têm um cariz económico fortíssimo”.

Acordos comerciais: como transformá-los em “real benefício na economia”

Na abertura da quinta edição do Growth Forum, Rui Miguel Nabeiro, presidente da CCIP, destacou que a diplomacia económica “é essencial para o crescimento do país”.O empresário destacou os 192 anos da Câmara de Comércio e como nesse período, a entidade “acompanhou empresas a cruzar fronteiras em tempos fáceis e muito difíceis” sempre com “o objetivo de ajudar as empresas portuguesas a serem bem sucedidas”.

Tal como tem vindo a acontecer em todas as edições do Growth Forum, recordou Rui Miguel Nabeiro, é escolhido um tema “urgente e estratégico”, pelo que os acordos comerciais Mercosul e Índia “são os temas a que qualquer empresário deveria estar muito atento”.

“O Mercosul é um mercado em crescimento e o acordo com a UE pode trazer previsibilidade e crescimento em diversos setores.  A Índia tem um mercado de 1,4 mil milhões de pessoas e um mercado com enorme potencialidade”, sublinhou.

Mas há mais vida para além dos acordos comerciais e nessa lógica, o presidente da Câmara de Comércio destacou que é preciso saber como “transformar um acordo no papel em presença efetiva no terreno e em real benefício na economia”. E deixou o repto: “A resposta tem que ser encontrada aqui e não em Bruxelas”.

Para Rui Miguel Nabeiro, o comércio internacional “não é apenas uma conversa sobre tarifas” já que “envolve cadeias de abastecimento entre outros fatores e cada vez mais, geopolítica. Portugal tem que marcar a sua posição com voz, estratégia e empresas preparadas. A política externa também é política económica e é fundamental que as empresas sintam que têm um país que as acompanham”.

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