Quem vive em Lisboa, ou simplesmente passa um dia na zona ribeirinha da capital, perceba a azáfama em redor do cais onde atracam os grandes navios de cruzeiros. A oferta aumentou, a procura acompanha e a cidade encheu-se de viajantes de alto mar. Os dados confirmam: o setor dos cruzeiros cresceu mais de 7% durante o ano passado, com cerca de 80 mil turistas nacionais a optar por esta alternativa de férias. Este setor tem um impacto global de 940 milhões de euros, contribui diretamente com 450 milhões de euros no PIB e ocupa aproximadamente 9.800 trabalhadores.
Os dados foram divulgados pela Cruise Lines International Association (CLIA), associação mundial do setor dos cruzeiros, que destaca que a procura por este tipo de viagens está a aumentar na Europa. Segundo esta organização são 90% os passageiros que referem ter intenção de voltar a viajar em cruzeiro, isto acompanhado por um incremento do interesse de novos viajantes. No total, são cerca de nove milhões os passageiros que fazem cruzeiros na Europa, – um crescimento de 5,3% face a 2024 -, um destino, que segundo a CLIA, apenas é superado pela região do Caribe. A zona do Mediterrâneo é o destino mais popular entre os Europeus, com um peso de 45% na procura.
A nível nacional esta indústria tem um impacto global de 940 milhões de euros, contribui diretamente com 450 milhões de euros no PIB e ocupa aproximadamente 9.800 trabalhadores.
Estes passageiros tiveram impacto nas economias locais, já que 64% das pernoitas foram feitas em cidades portuárias, e 70% dos passageiros participam em excursões nas cidades que os acolhem, realizando compras e outros gastos nestes locais. Os dados mostram ainda quer 60% destes viajantes regressam aos destinos que conheceram, pela primeira vez, através da participação num cruzeiro. Ora, esta tendência revela um envolvimento mais profundo com os destinos, sobretudo a nível cultural, procurando mais atividades em terra e dando origem a estadias mais prolongadas.
Portugal com impacto de quase mil milhões de euros
A nível nacional esta indústria tem um impacto global de 940 milhões de euros, contribui diretamente com 450 milhões de euros no PIB e ocupa aproximadamente 9.800 trabalhadores. As compras realizadas pelas companhias de cruzeiros em Portugal constituíram a maior parte da contribuição do setor para o PIB, com um valor de 174 milhões de euros. Este valor tem um impacto de 42% no total do PIB da indústria. Do lado dos passageiros, são cerca de 150 milhões de euros os gastos com compras em negócios locais.
Feito o retrato do mercado nacional, a associação internacional concluiu que, os destinos mais populares dos 80 mil portugueses que viajaram de cruzeiro, foram precisamente o Mediterrâneo, seguido das Caraíbas, das Bahmas e das Bermudas. O viajante português, que opta por atravessar o mar em férias, tem, em média 48 anos e realiza cruzeiros com oito dias de duração.
Cerca de 57% dos navios encomendados são equipados com motores multifluel, no sentido de procurar cada vez mais soluções que venham ao encontro da transição energética.
A nível europeu, o setor continua a investir fortemente: a frota europeia está em transformação, com mais opções de dimensão. As encomendas de cruzeiros, previstas até 2037, incluem mais de 60 navios, o equivalente a 71 mil milhões de dólares (cerca de 60,5 mil milhões de euros) em investimento. Cerca de 57% dos navios encomendados são equipados com motores multifluel, no sentido de procurar cada vez mais soluções que venham ao encontro da transição energética. Durante este ano, a frota das empresas membro da CLIA irá receber oito novos navios, num investimento total de 6,6 mil milhões de dólares (cerca de 5,7 mil milhões de euros).
Nikos Mertzanidis, diretor Executivo da CLIA Europa afirma, em comunicado, que “as viagens de cruzeiro servem para descobrir destinos e criar ligações duradouras. O relatório deste ano revela que, a nível global, cerca de 60% dos passageiros regressam a locais que já conheceram numa viagem, estendendo os benefícios do turismo muito além da jornada em si.” Acrescenta ainda que “Os itinerários são planeados com muita antecedência e em estreita coordenação com portos e destinos; as economias locais em toda a Europa são sustentadas por uma forma de turismo previsível e altamente organizada”.





