Comemora-se hoje o Dia Mundial da Saúde e a Ranstad Research aproveitou a data para apresentar um estudo sobre o mercado de trabalho neste setor fundamental na economia nacional. Segundo os dados recolhidos, através das estatísticas disponíveis em fontes como o INE, o IEFP e o Eurostat, a empresa especialista em talento conclui que o número de pessoas empregadas neste setor em Portugal, no final do ano passado, ultrapassava as 543 mil, o que equivale a cerca de 10,1% da população trabalhadora.
Ora, este valor representa um crescimento significativo face aos números de 2019, em que o setor da saúde humana e apoio social empregava 472 mil pessoas, o que demonstra que o setor criou cerca de 70 mil pontos de trabalhos nestes últimos seis anos. Esta foi uma recuperação sentida sobretudo em 2025, já que em 2024 o emprego do setor sentiu um ligeiro retrocesso de 1,2%.
Em 2023 existiam 118.558 empresas na área da saúde, o que representa um aumento de 2,2% face a 2022, e mais 45% face à última década. Estes dados mostram que este está em expansão, sendo que 94,6% das empresas estão afetas à saúde humana. Aliás, em termos de emprego, a área da saúde humana tem um peso de 65% no total do setor, com este emprego a situar-se sobretudo em hospitais, clínicas e consultórios. Cerca de 23% dos empregados correspondem a atividades de apoio social com alojamento, sobretudo estruturas de apoio na idosos e pessoas com deficiência. O restante emprego corresponde a apoio social sem alojamento.
Em termos de emprego, a área da saúde humana tem um peso de 65% no total do setor, com este emprego a situar-se sobretudo em hospitais, clínicas e consultórios.
“O setor da saúde está a consolidar-se como um dos principais motores do mercado de trabalho em Portugal, não apenas pelo volume de emprego que gera, mas pela sua crescente complexidade e exigência ao nível do talento. Assistimos a uma recuperação clara em 2025, mas também a um contexto mais desafiante, marcado por uma pressão crescente para atrair e reter profissionais qualificados, num mercado onde a oferta continua aquém da procura. Ao mesmo tempo, o aumento das remunerações e a maior presença do setor privado refletem uma transformação estrutural na forma como os cuidados de saúde são prestados e organizados”, refere, em comunicado, Luísa Cardoso, business unit manager responsável pelas áreas de clinical & life sciences da Randstad.
Remuneração média na saúde subiu 70% em dez anos
A Randstad concluiu, neste estudo, que o setor privado é responsável por mais de metade deste emprego – cerca de 63,4% – sendo que o restante pertence ao setor público, que está a ter cada vez menos relevância no mercado do trabalho da saúde e apoio social. Além do emprego privado, o que também está a crescer é o peso dos trabalhadores independentes que já atingem os 38,3 mil profissionais. Isto mostra que estes trabalhadores procuram cada vez mais modelos de trabalho flexível.
Este é também, segundo a análise da companhia, o setor que ocupa, em termos de distribuição, mais mulheres em Portugal. Corresponde a 81% o peso do emprego feminino nesta área, contrariando o equilibro de género nas restantes áreas de trabalho nacional.
A remuneração média mensal do setor estava nos 2.033 euros brutos em dezembro de 2025, um valor 8,3% acima da média nacional. Nos últimos 10 anos os salários do setor subiram cerca de 70%.
Além disso, o trabalho qualificado tem mais peso nesta radiografia do setor, já que 42,7% desempenham funções especializadas como médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde. Um quarto do emprego traduz-se numa importante base de trabalhadores de cuidados pessoais e funções de apoio, que garantem o bom funcionamento desta área. A remuneração média mensal do setor estava nos 2.033 euros brutos em dezembro de 2025, um valor 8,3% acima da média nacional. Nos últimos 10 anos os salários do setor subiram cerca de 70%, refletindo a valorização dos profissionais e a escassez dos colaboradores qualificados. O desemprego no setor é, por isso, reduzido: em fevereiro de 2026, estavam registados 18.470 desempregados no setor da saúde, o equivalente a 6,1% do desemprego total em Portugal, e este está concentrado sobretudo nas funções menos qualificadas.





