Emprego: Portugal é o quarto país da Europa em que se trabalha mais horas

São 9,1% os funcionários que trabalham semanalmente 49 horas ou mais no seu emprego principal em Portugal. Isto coloca o nosso país entre os quatro mercados europeus com maiores jornadas de trabalho, bem acima da média europeia, que é de 6,5%. Ora, esta situação afeta de forma desproporcional empregadores e trabalhadores por conta própria, evidenciando…
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Uma análise ao mercado de trabalho nacional, realizada pela Randstad, mostra que Portugal continua a debater-se com desafios estruturais severos que afastam o país das economias europeias mais avançadas, apesar do seu esforço de convergência.
Economia

São 9,1% os funcionários que trabalham semanalmente 49 horas ou mais no seu emprego principal em Portugal. Isto coloca o nosso país entre os quatro mercados europeus com maiores jornadas de trabalho, bem acima da média europeia, que é de 6,5%. Ora, esta situação afeta de forma desproporcional empregadores e trabalhadores por conta própria, evidenciando uma cultura de trabalho mais intensiva em horas do que a observado noutros países do Velho Continente.

A conclusão é de um estudo realizado pela Randstad Portugal, intitulado “O mercado de trabalho em Portugal: uma análise comparativa na UE”, research que analisa a dinâmica do talento nacional face ao panorama europeu. A Randstad, multinacional especialista em talento, fundada na Holanda em 1960, utilizou os dados ajustados do Eurostat relativos ao quarto trimestre de 2025, e concluiu que Portugal continua a debater-se com desafios estruturais severos que afastam o país das economias europeias mais avançadas, apesar do seu esforço de convergência.

Estrangeiros representam 7,9% no mercado de trabalho

Outra conclusão desta análise é o facto de que, no final de 2025, o peso dos cidadãos estrangeiros na população ativa era de 7,9%, percentagem inferior à da média da Europa, que ronda os 10,5%. Países como o Luxemburgo ou Espanha têm valores muitos superiores. Esta taxa reflete também a capacidade nacional de atrair talento e a importância da imigração para a sustentabilidade do mercado de trabalho.

“A força de trabalho está mais qualificada. Ainda assim, continuam a existir desafios importantes, como a elevada percentagem de trabalhadores com baixas qualificações, uma cultura de horários longos e, sobretudo, a dificuldade dos jovens em entrar no mercado de trabalho”, diz Isabel Roseiro, da Randstad. 

Citada em comunicado, Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, diz: “Nas últimas quatro décadas, o mercado de trabalho em Portugal mudou profundamente. Desde a entrada na então CEE, em 1986, até 2025, o país aproximou-se da média europeia e, em alguns indicadores, até conseguiu ultrapassá-la”. Acrescenta ainda que o país  destaca-se pela forte participação no mercado de trabalho, muito impulsionada pelas mulheres e, mais recentemente, também pela imigração. “Ao mesmo tempo, a força de trabalho está mais qualificada. Ainda assim, continuam a existir desafios importantes, como a elevada percentagem de trabalhadores com baixas qualificações, uma cultura de horários longos e, sobretudo, a dificuldade dos jovens em entrar no mercado de trabalho, que continua a ser um dos principais problemas”, firma esta responsável.

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