A plataforma Disney+ estreou esta semana em Portugal a série espanhola “Terças-feiras de Morte”, uma produção que coloca Lisboa no centro da ação e que conta com a participação de vários atores portugueses, entre os quais Paulo Pires e Adriano Carvalho, em personagens-chave da narrativa.
Criada por Carlos Vila e realizada por Salvador Calvo e Abigail Schaaff, a série acompanha um grupo de turistas espanhóis que chega à capital portuguesa para uma viagem organizada, mas vê as férias transformarem-se num enigma criminal após um homicídio ocorrido logo na primeira noite. A partir daí, quatro dos viajantes decidem investigar por conta própria, num enredo que mistura crime, drama e humor negro.
Lisboa não surge apenas como cenário. “Lisboa não é só um pano de fundo, a cidade e alguns momentos da nossa história estão nesta trama também”, afirmou Paulo Pires, em declarações à agência Lusa. O ator interpreta Bruno, o enigmático diretor de um hotel onde decorre grande parte da ação, descrito como um espaço caricato e decadente que acolhe os protagonistas.
Também Adriano Carvalho, que dá vida ao inspetor Gonçalo Mendes, sublinhou a relevância da cidade na narrativa: “A Disney ter escolhido Lisboa realmente é mais uma oportunidade”, disse à Lusa, destacando o potencial de Portugal para acolher mais produções internacionais. “Temos uma luz fantástica”, afirmou Paulo Pires à Lusa, apontando ainda o clima, a diversidade arquitetónica e a experiência técnica das equipas locais como fatores diferenciadores.
O elenco combina nomes espanhóis como Inma Cuesta, Ana Wagener, Biel Montoro e Alejandro Garcia com atores portugueses como Elsa Galvão e Romeu Runa, reforçando o carácter ibérico da produção.
Na história, o inspetor Gonçalo Mendes é chamado a investigar a morte de um dos turistas, num contexto em que os próprios hóspedes se envolvem na resolução do caso. Para construir a personagem, Adriano Carvalho inspirou-se em figuras reais: “Quanto mais humanizarmos a personagem, mais ela se torna empática com as pessoas”, explicou à Lusa, acrescentando que procurou mostrar as várias dimensões pessoais e profissionais do inspetor.
A série explora ainda o choque cultural entre visitantes e autoridades locais, incluindo momentos de linguagem híbrida. “Às vezes vai mais ao ‘portunhol’ do que ao espanhol”, referiu o ator à Lusa, explicando que procurou manter elementos da identidade portuguesa na interpretação.
Com uma estrutura que evoca um jogo de tabuleiro, “Terças-feiras de Morte” convida o espectador a participar na investigação. “Somos todos realmente suspeitos, todos os pormenores contam”, afirmou Adriano Carvalho à Lusa, sublinhando a dimensão interativa da narrativa.
Paulo Pires rejeita comparações diretas com outras produções do género: “Eu acho que a série tem o seu cunho próprio”, disse à Lusa, acrescentando que não se trata de uma obra “a tentar ser parasita de outra série”.
com Lusa





