Filantropia ambiental: Marianela Mirpuri defende mudança de comportamento como chave para travar crise do plástico

A CEO da The Good Bottle Company, Marianela Mirpuri, afirmou que “vivemos num momento decisivo da história da humanidade — um momento em que o impacto das nossas escolhas deixou de ser invisível”, durante a sua intervenção na segunda edição do Forbes Green ESG Awards 2026, promovida pela Forbes Portugal e pelo BCSD (Business Council…
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A CEO da The Good Bottle Company, Marianela Mirpuri, afirmou na segunda edição do Forbes Green ESG Awards 2026 que a crise dos microplásticos exige uma transformação na relação com o consumo, defendendo o papel da filantropia ambiental como acelerador de mudança. A responsável destacou ainda o Earth Transition Gathering 2027 como uma plataforma global para impulsionar essa transição.
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A CEO da The Good Bottle Company, Marianela Mirpuri, afirmou que “vivemos num momento decisivo da história da humanidade — um momento em que o impacto das nossas escolhas deixou de ser invisível”, durante a sua intervenção na segunda edição do Forbes Green ESG Awards 2026, promovida pela Forbes Portugal e pelo BCSD (Business Council for Sustainable Development), que decorreu esta terça-feira, 31 de março, na Estufa Tazte Secret Spot, em Lisboa.

No seu discurso, Marianela Mirpuri começou por enquadrar o problema do plástico, sublinhando que “durante décadas, o plástico foi celebrado como um símbolo de progresso”, mas alertando que “hoje sabemos que esse progresso teve um custo”. Esse impacto é particularmente visível na proliferação de microplásticos, que “estão agora em todo o lado: no oceano, no solo, no ar que respiramos, na água que bebemos, e, mais recentemente, dentro do próprio corpo humano”.

A responsável destacou o paradoxo associado a este material: “Criámos um material para facilitar a vida… que agora regressa a nós, silenciosamente, através daquilo que consumimos.” Apesar de reconhecer que a ciência ainda está a aprofundar as consequências, afirmou que já existe conhecimento suficiente para agir: “Sabemos que os microplásticos transportam substâncias tóxicas. Sabemos que podem provocar inflamação. Sabemos que se acumulam ao longo da cadeia alimentar.”

Mais do que uma questão ambiental ou científica, Marianela Mirpuri enquadrou o tema como um desafio comportamental: “No centro desta crise está um comportamento. Um hábito. Uma cultura de descartabilidade que se tornou automática — quase invisível.” É neste ponto que, defendeu, a filantropia ambiental assume um papel determinante: “A filantropia não é apenas sobre apoiar causas. É sobre acelerar mudanças que o mercado e os sistemas, por si só, não conseguem fazer com a rapidez necessária.”

A CEO da The Good Bottle Company sublinhou que a resposta não poderá depender de uma única solução: “Não resolveremos esta crise apenas com novos materiais. Nem apenas com regulamentação. Nem apenas com inovação tecnológica.” Para a responsável, a mudança exige uma transformação mais profunda: “Resolveremos esta crise quando mudarmos a relação das pessoas com o consumo.”

Essa mudança, acrescentou, depende da combinação entre ação concreta e envolvimento emocional: “As pessoas não mudam apenas porque algo é melhor. Mudam quando compreendem. Mudam quando sentem. Mudam quando se identificam.” É neste contexto que enquadrou o papel da organização que lidera, ao desenvolver “soluções biodegradáveis e compostáveis” que “reduzem diretamente a presença de plástico no quotidiano” e evitam “que resíduos de hoje se tornem microplásticos de amanhã”.

Paralelamente, destacou a importância da educação, nomeadamente através do projeto Topi, um personagem infantil que “não é apenas um personagem infantil. É uma ponte entre o conhecimento e a emoção”. Segundo explicou, “através das suas aventuras, o Topi leva às crianças — e às suas famílias — uma mensagem que muitas vezes é complexa”, transformando “conceitos científicos em narrativas acessíveis” e criando “ligação ao oceano, ligação à natureza, ligação ao futuro”.

Na parte final da intervenção, Marianela Mirpuri apresentou o evento Earth Transition Gathering 2027, descrevendo-o como “uma plataforma planetária para a transição”, num contexto em que essa mudança “já não é opcional” e “é inevitável”. O objetivo do evento passa por “reunir líderes, empresas, educadores, investidores e cidadãos para uma missão comum: acelerar esta mudança de forma coordenada, consciente e mensurável”.

Para a responsável, iniciativas como a The Good Bottle Company e o Topi refletem uma mudança mais ampla: “Representam um novo paradigma”, onde “as empresas não apenas produzem — regeneram”, “a educação não apenas informa — transforma” e “a filantropia não apenas apoia — ativa sistemas de mudança”.

A encerrar, deixou um alerta e um desafio: “A pergunta já não é se vamos mudar. A pergunta é: com que velocidade — e com que intenção — o vamos fazer.” E sintetizou o papel das três iniciativas: “A The Good Bottle Company oferece uma alternativa. O Topi cria a consciência. E o Earth Transition Gathering 2027 cria a escala.”

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