Os preços internacionais do petróleo estão a registar fortes subidas na sequência da escalada militar no Médio Oriente, com o barril de Brent a ultrapassar os 100 dólares, níveis que não eram atingidos há vários anos.
Na manhã de segunda-feira, o índice de referência global Brent Crude chegou a atingir 116,71 dólares por barril, um aumento superior a 25% face ao preço registado no final da semana anterior. O valor representa o nível mais elevado desde 2022, quando os mercados energéticos foram abalados pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
Também o índice norte-americano West Texas Intermediate (WTI) registou fortes valorizações, chegando a ultrapassar os 115 dólares por barril antes de recuar para valores próximos dos 100 dólares.
A subida ocorre num contexto de intensificação do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, que aumentou os receios de perturbações na oferta global de petróleo.
Numa publicação na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desvalorizou o impacto da subida dos preços da energia, afirmando: “Os preços do petróleo no curto prazo, que irão cair rapidamente quando a ameaça nuclear iraniana for eliminada, são um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo.” O presidente acrescentou ainda: “Só os tolos pensariam de forma diferente.”
Segundo uma análise do banco BNP Paribas, o conflito no Irão já está a ter impacto direto nos mercados energéticos. “O conflito no Irão já está a ter um impacto significativo nos preços da energia, particularmente petróleo e gás”, refere a instituição, acrescentando que a inflação deverá aumentar no mês de março.
O banco francês considera que a evolução dos preços dependerá do desenvolvimento da guerra, num cenário que permanece altamente incerto. Entre as hipóteses analisadas, um primeiro cenário aponta para uma normalização do mercado energético ao fim de algumas semanas. Um segundo admite um período prolongado de incerteza no Irão, com subidas moderadas, mas sustentadas do preço do petróleo.
Num cenário mais extremo, que envolva uma escalada do conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz, o BNP Paribas admite que o preço do Brent possa atingir picos de 130 dólares por barril no segundo trimestre. Nesse caso, o banco alerta para um possível choque estagflacionista, caracterizado por menor crescimento económico e maior inflação.
Também a corretora Xtb sublinha que os preços do petróleo estão a subir de forma acentuada após os ataques a infraestruturas petrolíferas iranianas e as medidas de retaliação que agravaram o conflito. Segundo a empresa, a reação do mercado reflete os receios de um choque significativo no abastecimento global.
O Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, tornou-se um dos focos de preocupação para os mercados. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente por este corredor marítimo estratégico.
Os analistas antecipam uma semana particularmente intensa nos mercados financeiros, não apenas por causa dos indicadores macroeconómicos previstos, mas também devido ao agravamento das tensões no Médio Oriente. O aumento dos preços da energia desde o início do conflito tem vindo a reforçar as pressões inflacionistas, num momento em que o regresso da inflação é apontado como uma das principais preocupações dos investidores.
Vladimir Oleinikov, analista quantitativo sénior da Generali Asset Management, refere que os mercados iniciam a semana condicionados pelos acontecimentos na região. Segundo o analista, os investidores estão a descontar um conflito prolongado no Médio Oriente, cenário que já se reflete no comportamento das principais classes de ativos, em particular no petróleo.
Ainda assim, Oleinikov sublinha que o histórico mostra que os choques energéticos tendem a provocar apenas quedas temporárias nos mercados acionistas, com uma recuperação gradual ao longo dos meses seguintes.
Para Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, o conflito entrou já na sua segunda semana sem sinais claros de resolução. “Não existe um caminho claro nem um calendário previsível para um cessar-fogo”, afirma. “Não é surpreendente que os ‘traders’ de petróleo estejam a incorporar nos preços um cenário futuro de redução da oferta, o que está a resultar em preços mais elevados.”
O responsável acrescenta que esta dinâmica poderá intensificar-se caso o conflito se prolongue sem uma perspetiva realista de resolução, abrindo espaço a novas subidas no preço do barril.
com Lusa e Forbes Internacional/Siladitya Ray (texto original aqui)





