Irão: Cruzeiros no Médio Oriente suspensos e agências de viagens estimam até mil pessoas com dificuldades em regressar

A Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (CLIA) anunciou hoje a suspensão de todos os itinerários para o Médio Oriente, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. A CLIA reúne empresas que operam mais de 310 navios. Em declarações à agência estatal grega AMNA, a diretora da associação, Maria Deligianni, disse que,…
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A Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (CLIA) anunciou hoje a suspensão de todos os itinerários para o Médio Oriente, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. As agências de viagens estimam que até mil pessoas estejam com dificuldades em regressar desta zona.
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A Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (CLIA) anunciou hoje a suspensão de todos os itinerários para o Médio Oriente, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão.

A CLIA reúne empresas que operam mais de 310 navios.

Em declarações à agência estatal grega AMNA, a diretora da associação, Maria Deligianni, disse que, pelo menos, seis navios de cruzeiros continuam ancorados nos portos do Dubai, Abu Dhabi e Doha, com milhares de passageiros impossibilitados de regressar a casa, após a suspensão das ligações aéreas.

A companhia de navegação grega Celestyal comuicou hoje o cancelamento de dois itinerários de cruzeiro – um com partida de Doha, no Qatar, entre os dias 07 e 14 de março e outro com partida do Dubai, Emirados Árabes Unidos, entre 09 e 16 de março.

O principal sindicato marítimo da Grécia – o PNO -, convocou uma greve de 24 horas para esta quarta-feira, exigindo que o Governo grego declare como “zona de guerra” a que abrange o Golfo do Pérsico, o Mar Vermelho e o Mar Arábico, proibindo assim a navegação de navios na região.

Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

Segundo as autoridades iranianas, os ataques israelitas e norte-americanos causaram, até agora, mais de mil mortos. Os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares norte-americanos.

Irão: Agências de viagens estimam entre 500 e mil pessoas com dificuldades em regressar

Os viajantes retidos devido ao conflito no Irão serão mais de mil, segundo a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), com a Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV) a apontar para cerca de 500.

Em resposta a perguntas da Lusa, o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, indicou que ainda está a ser recolhida informação “que é ela própria muito dinâmica”, mas pode afirmar que haverá “mais de mil pessoas com dificuldades em regressar, quer por estarem na zona do conflito, quer por terem itinerários de regresso que incluem espaço aéreo condicionado”.

Por sua vez, Miguel Quintas, presidente da ANAV, disse que, de acordo com contactos diários com os clientes, estimam “que existam algumas centenas de pessoas nas zonas afetadas (entre 400 a 500 pessoas)”, sendo que “muitos destes portugueses ‘não-clientes’ das agências de viagens” têm pedido apoio para informações de reservas e voos.

“O repatriamento será realizado assim que os voos possam chegar e sair das zonas afetadas pela guerra, sempre dentro da máxima segurança, sendo que temos conhecimento de alguns voos esporádicos já foram realizados desde Abu Dhabi e Dubai”, indicou.

O presidente da APAVT referiu que “as agências de viagens estão, naturalmente, a acompanhar todos os seus clientes, com o objetivo de controlarem as condições da estada, bem como de programarem os regressos, de acordo com o espaço aéreo aberto em cada momento”, encontrando-se em contacto com a Secretaria de Estado das Comunidades e integrando um Gabinete de Crise na Confederação Europeia das Agências de Viagens.

Já o presidente da ANAV alertou para o aumento de custos com viagens, tendo em conta o contexto. “Se a instabilidade se prolongar no tempo é muito provável que os preços aumentem para os destinos fora da zona de conflito”, devido à aviação, com os custos dos desvios de rotas e devido ao pacote turístico, por causa da “necessidade de se realizarem novas contratações de alojamento. A procura crescente para novos destinos, “os custos operacionais de contratação e seguros, podem também levar ao aumento dos respetivos preços”.

O presidente da APAVT, por sua vez, apontou pressão sobre os preços “sobretudo por capacidade reduzida e necessidade de reacomodar passageiros em alternativas”, o que tende “a traduzir-se em condições comerciais mais voláteis e, em alguns casos, aumento de preços nas opções remanescentes”.

Pedro Costa Ferreira apontou ainda cancelamentos, indicando desde logo que “há partidas para os próximos dias, que estão prejudicadas por falta de condições nos destinos e/ou por dificuldades de cumprir a viagem, pelo condicionamento atual do espaço aéreo”.

Miguel Quintas, por sua vez, destacou que “as agências estão a registar um aumento relevante de pedidos nas últimas 48 horas, sobretudo adiamentos e remarcações (mais do que cancelamentos efetivos)”.

Segundo o presidente da ANAV, “a causa principal é a incerteza operacional”, com aeroportos e rotas condicionados, assim como “alterações de percurso e risco de ligações perdidas”.

Ainda de acordo com Miguel Quintas, “os destinos mais afetados são os do corredor de risco e, sobretudo, os ‘hubs’ que multiplicam itinerários: Dubai, Doha, Abu Dhabi, e também Telavive, Beirute e Riade (estes via escalas)”.

O presidente da ANAV destacou que se pode esperar um “efeito psicológico” em “alguns pedidos para o Mediterrâneo Oriental, com procura de alternativas mais a oeste”.

Quanto às perspetivas para os próximos meses, o presidente da APAVT apontou que “dependem da evolução do conflito e das restrições de espaço aéreo e operações”, apontando para já, um “cenário de elevada incerteza e provável volatilidade nas próximas semanas, com impacto direto nas rotas que dependem do corredor do Médio Oriente”.

O presidente da ANAV, ainda que reconhecendo que se “desconhece a dimensão e o tempo que durará o conflito”, alertou que se “os eventos se prolongarem no tempo, é possível que surjam destinos de substituição”.

Para Miguel Quintas, a maior probabilidade passa por troca por voos de longa distância para destinos “neutros em segurança”, como Caraíbas, Sudeste Asiático, Oceano Índico, “para públicos que querem reduzir exposição a corredores aéreos sensíveis e desejam luxo”. Outra opção será troca de “região por região”, ou seja, “quem ia para Golfo/Levante poderá optar por Turquia, Grécia e eventualmente Chipre e parte do Egito.

Menos provável será uma troca por “sol e praia seguro”, para Espanha, Canárias, Portugal, Marrocos, Tunísia.

com Lusa

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