“Os empresários portugueses são vistos de maneira muito positiva no Dubai”

Paulo Paiva dos Santos assumiu recentemente a presidência do Portuguese Business Council (PBC) no Dubai. Este é um organismo privado, sem fins lucrativos, que visa fortalecer os laços comerciais entre Portugal e o Dubai. O novo presidente, que está a viver nesta região e empenhado a desenvolver projetos nos Emirados Árabes Unidos, está consciente do…
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"No Dubai, não se olha a nacionalidades, olha-se para empresas, projetos e pessoas”, explica Paulo Paiva dos Santos, empresário português fundador da Generis que assumiu recentemente a presidência do Portuguese Business Council (PBC) no Dubai.
Economia

Paulo Paiva dos Santos assumiu recentemente a presidência do Portuguese Business Council (PBC) no Dubai. Este é um organismo privado, sem fins lucrativos, que visa fortalecer os laços comerciais entre Portugal e o Dubai. O novo presidente, que está a viver nesta região e empenhado a desenvolver projetos nos Emirados Árabes Unidos, está consciente do cada vez maior interesse por parte das empresas portuguesas neste emirado. O gestor, que tem mais de 30 anos de experiência no mundo dos negócios, fundou, entre outras empresas, a Generis em 2003, que hoje pertence ao grupo indiano Aurobindo.

Com formação em Harvard e Oxford, Paulo Paiva dos Santos, fez o seu trajeto profissional ligado à área da saúde, da biotecnologia e do comércio internacional. O seu principal objectivo na liderança desta instituição é posicionar o PBC como uma plataforma ativa de representação e networking da comunidade empresarial portuguesa na região.

 

Assumiu recentemente a presidência da Portuguese Business Council no Dubai. Quais são os principais objetivos que desenhou para a sua liderança?

As prioridades são claras:  reforçar o posicionamento institucional do Portuguese Business Council no Dubai e criar valor prático, com foco em resultados concretos e não apenas em eventos sociais. Também pretendemos atrair empresas portuguesas com ambição internacional, bem preparadas e com propostas de valor diferenciadas e fortalecer parcerias locais, institucionais e privadas, nos EAU. Queremos sobretudo promover uma imagem moderna, inovadora e credível de Portugal, alinhada com qualidade, know-how e confiança.

 

Como avalia as relações entre as empresas nacionais e o mercado dos Emirados Árabes Unidos em geral e o Dubai em particular? Que retrato faz da presença portuguesa nesse mercado?

Em geral, as relações são boas, já que os empresários portugueses são vistos de maneira muito positiva. Na região, Portugal é associado à qualidade e fiabilidade, boa engenharia e capacidade técnica; criatividade, design e inovação e flexibilidade e capacidade de adaptação.

 

Quais os principais desafios e barreiras que as empresas nacionais encontram num mercado tão diferente do nosso?

Mais do que desafios e barreiras, gosto de falar em expetativas e na gestão das mesmas. O Dubai é um mercado para o médio e longo prazo e é preciso investir tempo, recursos e capital. Não é um mercado do qual se possa tirar proveito de forma rápida e fácil, pelo menos, na maior parte dos casos. Falamos também de um mercado muito exigente onde há espaço para os melhores. Acredito que várias empresas portuguesas, também com a nossa ajuda, podem estar entre as melhores, como já estão.

 

E como devem as empresas abordar esse mesmo mercado? Que apoio é dado pela Portuguese Business Council?

Tenho mais de trinta anos de experiência na criação e desenvolvimento de negócios de sucesso, os últimos dos quais, aqui na região, pelo que tenho já o que ensinar em nome próprio e antes desta função, já o fazia de forma oficiosa, dando apoio a empresas portuguesas e europeias, em geral.

Além desse meu papel e de partilha de experiências minhas e da restante equipa, o Portuguese Business Council pode apoiar as empresas a instalar-se desde a abertura da empresa. Podemos ajudar, também, na estratégia de entrada no mercado, na estruturação legal e operacional, na adaptação do produto ou serviço ao mercado local e no desenvolvimento comercial e parcerias e compreensão do ambiente regulatório e cultural.

 

E quais são as grandes oportunidades que este mercado oferece às empresas nacionais? No fundo, porque devem as empresas portuguesas investir no Dubai?

O Dubai representa, para mim, um ecossistema único. Está aberto à inovação, é altamente regulado, mas extremamente orientado para resultados, escala e excelência. No Dubai, não se olha a nacionalidades, olha-se para empresas, projetos e pessoas com qualidade e pensamento estratégico.

 

Quais são os setores e área de atividade que mais recolhem interesse em investir nesse mercado, e que tipo de empresas nacionais é que o Dubai mais “atrai”?

Existem empresas portuguesas com presença relevante em vários setores, tais como a construção e engenharia, a arquitetura e design, a tecnologia e IT. O destaque vai também para a hotelaria e restauração, a FMCG ((Fast-Moving Consumer Goods ) premium e produtos alimentares, a moda, calçado e lifestyle e ainda a saúde e bem-estar.

Na região, mais do que grandes grupos, destaca-se cada vez mais a presença de empresas especializadas, ágeis e com forte proposta de valor, que encontram no Dubai um mercado ideal para escalar.

 

Qual é o valor de investimento acumulado das empresas portuguesas no Dubai e quais as previsões de investimento para os próximos anos?

O foco não está em números absolutos, mas em casos de sucesso sustentáveis, que reforcem a reputação das empresas portuguesas na região.

 

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