Na mais recente edição da Inside Forbes, realizada pela Forbes Portugal, no Palácio do Governador, em Lisboa, os nossos convidados debruçaram-se sobre os grandes desafios que hoje se colocam às organizações quando o tema é liderança, talento e reskilling. O debate teve como enquadramento o desafio lançado pela Forbes Portugal aos presentes, que foram chamados a refletir sobre como uma liderança mais humanista pode potenciar o desenvolvimento, a adaptação e o futuro das pessoas, a partir de experiências concretas no terreno.

Sílvia Coelho, Business Leader da Claire Joster, sponsor do evento, destacou a centralidade da “liderança humanista” na atividade da mesma. Parte do Grupo Eurofirms, multinacional de gestão de talento com 35 anos de atividade e presença em sete países, a Claire Joster dedica-se ao recrutamento e seleção, com foco em posições de liderança e quadros médios e superiores, tanto em Portugal como internacionalmente.

Sílvia sublinhou a importância de “encontrar a pessoa certa para a posição certa”, combinando bases de dados próprias com procura ativa de talento, sempre com o lema “people first”, colocando “a pessoa” no centro de todas as decisões, e acompanhando clientes e candidatos de forma contínua ao longo do processo. Mencionou, ainda, a relevância da avaliação e feedback contínuos, algo que a geração mais nova valoriza, e reforçou competências essenciais como empatia, comunicação e visão estratégica, destacando que flexibilidade, proximidade e capacidade de motivar são determinantes para resultados sustentáveis.
“Para nós, “people first” não é só um lema. É a forma como conduzimos cada processo de recrutamente e acompanhamos cada cliente e candidato”, diz Sílvia Coelho, Business Leader da Claire Joster

Anabela Chastre, CEO da Chastre Consulting e especialista em consultoria e mentoria de líderes, partilhou várias experiências com CEOs, Executives, Founders e jovens líderes, sublinhando que “a liderança passa, acima de tudo, por colocar as pessoas no centro” e “gostar de pessoas”, reforçando a importância “de construir relações de confiança com as equipas”. Destacou a importância de adaptar a liderança a diferentes contextos e perfis, tendo em conta a constante mudança do mercado e da sociedade, e sublinhou que flexibilidade, proximidade e capacidade de motivar são essenciais para criar resultados sustentáveis. Explicou ainda o seu framework de liderança, que começa pela identidade do líder, passa pela gestão das equipas com inteligência emocional e assertividade e culmina no feedback contínuo, usado para avaliar, medir e corrigir, garantindo o desenvolvimento e crescimento das pessoas.
“Liderar é, acima de tudo, gostar de pessoas e construir relações de confiança com as equipas”, diz Anabela Chastre, CEO da Chastre Consulting

Uma vez aberto o palco aos restantes convidados presentes, Raquel Rodrigues, Human Resources Consultant da McDonald’s Portugal, afirmou que “um bom líder transforma não apenas a equipa, mas também o próprio negócio”. Com mais de 200 restaurantes em Portugal, Raquel diz ser comum ter jovens líderes à frente dos mesmos. “Estamos a falar de jovens que lideram equipas de 50 pessoas. Também temos muitos estudantes a trabalhar connosco”, conta. Quanto ao recrutamento de líderes para os cargos mais sénior da McDonald’s, Raquel diz que empresa começa por procurar entre aqueles que “já têm ketchup nas veias”, destacando, assim, a importância de promover talento internamente.
“Quando procuramos líderes para os cargos mais sénior, começamos por olhar para quem já tem ketchup nas veias”, contou Raquel Rodrigues, Human Resources Consultant da McDonald’s Portugal

Pedro Amaral, do Grupo Inditex, enfatizou a importância de “visão estratégica” nos líderes de hoje. “Para transformar, é preciso ter visão estratégica e, acima de tudo, feed-forward. Não é só sobre feedback do passado, é preciso projetar resultados e orientar as equipas para objetivos futuros”, explicou. “Um dos nossos focos este ano é trabalhar nesta competência de feed-forward”, afirmou, sublinhado que a liderança eficaz exige antecipação, planeamento e comunicação clara, garantindo que todos os membros da equipa compreendem o caminho a seguir e contribuem ativamente para a transformação da organização.
“Não é só sobre feedback do passado, é preciso projetar resultados e orientar as equipas para objetivos futuros”, afirmou Pedro Amaral, do Grupo Inditex
Paula Santos, da Cimpor, destacou a “empatia como pilar essencial da liderança” contemporânea, especialmente em organizações com equipas multigeracionais. Sublinhou que, para liderar de forma eficaz, é fundamental compreender as diferentes expectativas, motivações e estilos de trabalho de cada geração, equilibrando produtividade com desenvolvimento humano. Para Paula, líderes que conseguem adaptar-se às diversas necessidades e perspetivas das suas equipas criam um ambiente mais inclusivo e resiliente, promovendo ao mesmo tempo a performance e a retenção de talento nas empresas.

“Empatia para liderar múltiplos perfis, múltiplas vontades de crescimento que são diferentes. Sem empatia, será sempre muito difícil”, explicou Paula Santos, da Cimpor
José Carlos Lourenço, CEO do Grupo Media Nove, que conta com uma vasta experiência em Portugal e em países lusófonos, partilhou uma visão pragmática sobre o que define um bom líder, destacando que resultados só são alcançados quando “as equipas estão mobilizadas e sentem propósito”. Sublinhou a importância de líderes que combinam empatia, proximidade e capacidade de motivar com uma compreensão profunda da cultura e dos valores da organização, sobretudo em contextos internacionais, como Angola e Moçambique.

José Carlos Lourenço frisou que, embora existam competências treináveis, a confiança, o respeito e a atenção às pessoas são determinantes para criar equipas coesas e capazes de entregar resultados sustentáveis. Realçou ainda que um bom líder deve preparar o terreno para que novos líderes surjam dentro da organização, garantindo continuidade e transformação a longo prazo.
“Resultados só são alcançados quando as equipas estão mobilizadas e sentem propósito”, sublinhou José Carlos Lourenço, CEO do Grupo Media Nove

Georg Dutschke, co-fundador do Hapiness Works, destacou o papel central da felicidade e bem-estar no trabalho como motor de produtividade e engagement. Sublinhou que líderes eficazes não se limitam a gerir processos, mas influenciam diretamente a motivação das equipas, criando ambientes de trabalho positivos e inspiradores. Referiu ainda o conceito de Happy Boss e Happy Manager, que premia líderes capazes de promover confiança, reconhecimento e propósito, mostrando que a atenção às pessoas e à sua experiência dentro da organização é decisiva para resultados sustentáveis e para uma cultura organizacional saudável. “É importante saber considerar as diferentes gerações e adaptar a liderança a perfis variados e às necessidades específicas de cada colaborador”, afirmou.
“É importante saber considerar as diferentes gerações e adaptar a liderança a perfis variados e às necessidades específicas de cada colaborador”, esclareceu Georg Dutschke, co-fundador do Hapiness Works





