David Solomon, CEO do Goldman Sachs, disse esta quarta-feira que passou a ter uma posição em bitcoin, depois de, durante anos, ter descrito as criptomoedas como um investimento “especulativo” e sem um caso de uso claro.
A declaração foi feita no World Liberty Forum, em Mar-a-Lago, na Florida, onde Solomon afirmou possuir uma quantidade “muito, muito limitada” de bitcoin, sublinhando, no entanto, que não é um “grande prognosticador” do ativo e que continua sobretudo como observador.
O executivo já tinha reiterado a sua visão cética sobre o setor numa entrevista à CNBC em 2024, na qual afirmou não ver “um caso de uso real” para as criptomoedas. Numa entrevista mais recente, citada no artigo da Forbes norte-americana, Solomon insistiu na centralidade do dólar: “No final do dia, sou um grande crente no dólar americano. Acho que o dólar americano é super importante. Não vejo o bitcoin como uma ameaça ao dólar americano.”
A posição do CEO surge num momento em que o bitcoin continua abaixo de um patamar psicológico importante, e depois de uma descida acumulada de 47% face ao máximo histórico de 126.000 dólares (cerca de 107 mil euros), registado em outubro de 2025. Na tarde de quarta-feira, a criptomoeda negociava em torno de 66.600 dólares (cerca de 56.400 euros), segundo a Forbes.
Apesar do interesse crescente em ativos digitais, Solomon reconheceu também que o Goldman Sachs não pode deter ou negociar bitcoin diretamente, devido às limitações regulatórias aplicáveis a instituições bancárias. Ainda assim, admitiu que poderia considerar essa possibilidade caso as regras venham a mudar.
O contexto de mercado tem sido marcado por uma maior integração do bitcoin no investimento mainstream, com gestoras como a BlackRock, Fidelity e Invesco a gerirem milhares de milhões de dólares em produtos ligados à criptomoeda. Ao mesmo tempo, a volatilidade permanece elevada, e o recuo recente do bitcoin coincidiu com um renovado interesse por ativos considerados mais seguros, como o ouro e a prata, que atingiram máximos históricos nos últimos meses.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





