António Marto: “A Bolsa de Empregabilidade contribuiu para a modernização do recrutamento no turismo”

A Bolsa de Empregabilidade nasceu em 2016 pela iniciativa da Associação Fórum Turismo que identificou a falta de um espaço dedicado ao recrutamento no  turismo, um setor que possui características e necessidades específicas. Na altura, foi realizada a primeira Feira de Emprego que decorreu em Lisboa. Passados dez anos, o seu fundador, António Marto, assume…
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A Bolsa de Empregabilidade nasceu com o mote de recrutar os melhores talentos para o turismo. O fundador da Bolsa da Empregabilidade, António Marto, garante que a organização já se consolidou como um hub de referência na ligação entre talento e empresas.
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A Bolsa de Empregabilidade nasceu em 2016 pela iniciativa da Associação Fórum Turismo que identificou a falta de um espaço dedicado ao recrutamento no  turismo, um setor que possui características e necessidades específicas. Na altura, foi realizada a primeira Feira de Emprego que decorreu em Lisboa. Passados dez anos, o seu fundador, António Marto, assume em entrevista à Forbes Portugal que hoje a Bolsa de Empregabilidade é um hub de referência na ligação entre talento e empresas num setor estratégico para a economia portuguesa. António Marto não tem dúvidas que a Bolsa contribuiu para a modernização do recrutamento no turismo e hospitalidade em Portugal. De entre as conquistas ao longo destes dez anos, destaca a descentralização do projeto que considera ser fulcral para a missão da Bolsa de Empregabilidade. Isto porque, de acordo com António Marto, “trabalhamos ativamente para reduzir as assimetrias de acesso às oportunidades nas diferentes regiões, porque o talento existe em todo o país”. E socorre-se dos números para confirmar o impacto da iniciativa: mais de 45 mil participantes e cerca de 1.300 empresas presentes ao longo de dez anos. Nesta fase, decorre mais uma edição da Feira de Emprego do Turismo – que se realiza entre este mês de fevereiro e março – em Vilamoura, Évora, Lisboa, Coimbra e Porto.

 

A Bolsa de Empregabilidade assinala dez anos em 2026. Que balanço faz desta década de trabalho na ligação entre talento e empresas do turismo?

O balanço é muito positivo. Ao longo desta década, a Bolsa de Empregabilidade afirmou-se como um hub de referência na ligação entre talento e empresas num setor estratégico para a economia portuguesa. Criámos pontes reais e humanas, contribuindo para a profissionalização do recrutamento e para a valorização do turismo como carreira de longo prazo. Os números confirmam esse impacto, com mais de 45 mil participantes e cerca de 1.300 empresas ao longo de dez anos.

Quais foram os maiores desafios superados desde a criação da Bolsa de Empregabilidade, em 2016?

Enfrentámos muitos desafios, mas sempre encarados como oportunidades de crescimento. Um dos principais passou por levar a Bolsa de Empregabilidade a novas geografias, incluindo mercados internacionais, onde as dinâmicas de emprego e as expectativas dos profissionais são distintas. A pandemia representou outro momento particularmente exigente, ao obrigar a uma adaptação rápida, com elevados níveis de resiliência e inovação. Conseguimos transformar esse período de grande incerteza numa oportunidade para repensar modelos de recrutamento e de capacitação. Ainda assim, o maior desafio, desde o primeiro dia, foi mudar mentalidades, demonstrar que o turismo pode e deve oferecer carreiras estruturadas, com progressão e estabilidade, e não apenas respostas a necessidades sazonais.

Em que medida este projeto ajudou a transformar o recrutamento no setor do turismo e hospitalidade em Portugal?

A Bolsa de Empregabilidade contribuiu de forma decisiva para a modernização do recrutamento no turismo e hospitalidade em Portugal. Introduzimos proximidade, transparência e rapidez num setor que, durante muitos anos, esteve excessivamente dependente de processos reativos e pouco estruturados. Trouxemos uma lógica de contacto direto, humano e imediato entre empresas e candidatos, reduzindo barreiras, acelerando decisões e melhorando a experiência de ambas as partes. Hoje, o recrutamento no turismo é mais estratégico, mais orientado para a identificação e valorização do talento e menos centrado na urgência ou na sazonalidade.

O que diferencia a Feira de Emprego do Turismo de outras iniciativas de recrutamento existentes no mercado?

A Feira de Emprego do Turismo, que é organizada pela Bolsa de Empregabilidade, distingue-se pela sua abordagem aberta, neutra e centrada nas pessoas. As iniciativas decorrem em “terreno” neutro, fora do contexto de uma empresa ou de uma instituição de ensino, o que garante maior equilíbrio e acessibilidade. É um evento verdadeiramente inclusivo, aberto a qualquer pessoa, com ou sem formação em turismo, e pensado para criar ligações reais. O candidato entra, sabemos quem é, o que procura e com quem interagiu, o que permite um acompanhamento mais eficaz e orientado para resultados concretos.

O que explica este crescimento e consolidação?

O crescimento e a consolidação da Bolsa de Empregabilidade acompanham naturalmente a evolução do turismo em Portugal, mas resultam, sobretudo, da confiança construída ao longo dos anos. À medida que o setor cresceu e se profissionalizou, a Bolsa afirmou-se como uma resposta estruturada, credível e ajustada às necessidades reais das empresas e dos profissionais.

A edição de 2026 passa por cinco cidades. Qual a importância desta descentralização e proximidade aos territórios?

A descentralização é absolutamente fulcral para a missão da Bolsa de Empregabilidade. Trabalhamos ativamente para reduzir as assimetrias de acesso às oportunidades nas diferentes regiões, porque o talento existe em todo o país. Estar presentes em cinco cidades permite-nos chegar mais perto das pessoas, compreender realidades locais distintas e responder a necessidades concretas. Portugal continua a apresentar assimetrias significativas no acesso ao emprego, e se estivéssemos sempre concentrados na mesma cidade não conseguiríamos ter um impacto verdadeiramente nacional. A proximidade aos territórios torna a Bolsa mais completa, mais justa e mais alinhada com a realidade do setor

Marcas como Vila Galé, Minor Hotels ou Burger King voltam a marcar presença. O que procuram hoje as empresas nos candidatos?

As empresas procuram competências técnicas, mas sobretudo atitude, compromisso e capacidade de adaptação. Valorizam cada vez mais competências comportamentais, como comunicação, trabalho em equipa e resiliência. A formação é importante, mas a mentalidade e o alinhamento com a cultura da empresa são decisivos.

O conceito de recrutamento em tempo real continua a ser uma mais-valia. Que resultados concretos têm observado?

Temos registado taxas elevadas de contratações, sendo que, em média, cada empresa sai da Feira com entre cinco e dez candidatos já filtrados e selecionados para avançar nos processos. O contacto direto acelera decisões, reduz desistências e melhora significativamente a experiência, tanto dos candidatos, como das empresas. Trata-se de um modelo eficiente, com resultados concretos, mensuráveis e alinhados com as necessidades reais do setor.

As Speed Interviews regressam em algumas cidades. Que impacto têm tido na empregabilidade efetiva dos participantes?

As Speed Interviews têm um impacto muito significativo na empregabilidade efetiva dos participantes. É um formato que aumenta claramente as probabilidades de contratação, ao permitir que os candidatos se apresentem para além do currículo, e que, assim, evidenciem atitude e motivação. Tal permite que, em poucos minutos, as empresas identifiquem potencial e afinidade. Muitos participantes acabam por conseguir emprego no próprio dia ou nas semanas seguintes, precisamente porque têm a oportunidade de fazer um pitch mais autêntico e ficar na memória dos recrutadores.

A Feira aposta também na mentoria, aconselhamento e preparação de candidatos. Porque é tão importante trabalhar estas competências além do currículo?

Porque o mercado de trabalho exige muito mais do que experiência técnica. Preparar candidatos para entrevistas, ajudar a definir objetivos e trabalhar soft skills aumenta a confiança e a empregabilidade. Investir nas pessoas é investir na sustentabilidade do setor.

Que conselhos deixa aos estudantes e jovens profissionais que querem entrar ou crescer no setor do turismo?

Diria para encararem o turismo como uma carreira de longo prazo, com ambição e profissionalismo. Apostem na formação contínua, na experiência internacional e na curiosidade. O setor recompensa quem é resiliente, apaixonado pelo que faz e disposto a evoluir.

O turismo continua a ser atrativo como carreira a longo prazo? O que está a mudar?

Sim, continua a ser atrativo, mas está efetivamente a mudar. Há maior foco em qualidade de vida, progressão de carreira e liderança humana. As empresas estão mais conscientes da necessidade de reter talento e oferecer percursos profissionais claros e motivadores.

Como vê o futuro do emprego no turismo em Portugal nos próximos anos?

Será um futuro exigente, mas muito promissor. Com um emprego mais qualificado, mais tecnológico e mais centrado nas pessoas. Portugal continuará a ser um destino de referência, pelo que exigirá profissionais preparados e organizações mais estruturadas.

Que papel pode a Bolsa de Empregabilidade continuar a desempenhar num setor em constante transformação?

A Bolsa de Empregabilidade pode continuar a assumir-se como um verdadeiro catalisador de mudança no setor do turismo. O seu papel passa por antecipar tendências, aproximar gerações, promover boas práticas e ajudar empresas e profissionais a adaptarem-se a um mercado em permanente evolução. Ao ligar pessoas, empresas e conhecimento, a Bolsa contribui para um turismo mais qualificado, competitivo e sustentável, colocando sempre o talento no centro da estratégia.

Depois de 10 anos, o que ainda falta fazer e quais são as ambições para a próxima década?

Ainda há muito por fazer. É essencial aprofundar a qualificação dos profissionais, reforçar a inovação nos modelos de recrutamento e capacitação e alargar o impacto da Bolsa a novas áreas do turismo. A ambição passa também por chegar a regiões do país ainda não abrangidas, avançar de forma estruturada na internacionalização e aplicar este modelo a outros setores da economia que enfrentam desafios semelhantes na atração e valorização de talento. O objetivo é claro, crescer de forma sustentada, com impacto real na empregabilidade e no desenvolvimento económico, mantendo sempre as pessoas no centro.

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