A família Bensaude continua presente na lista dos 50 maiores patrimónios nacionais. Oriunda dos Açores, a família é dona do grupo Bensaude, um conglomerado com negócios em várias áreas de atividade, sendo o maior empregador privado nos Açores. Posiciona-se na 34º posição do ranking de 2025, com uma avaliação conjunta de cerca de 406 milhões de euros. A Forbes Portugal lançou a sua lista anual dedicada aos maiores patrimónios nacionais na passada edição de dezembro/janeiro que se encontra agora em banca. Família a família, vamos dar-lhe a conhecer quais são as 50 mais poderosas no mundo dos negócios e quais as respetivas fortunas, avaliadas no final do ano passado.
A história do grupo remonta há cerca de dois séculos, quando os primeiros elementos da família Bensaude, Abraão, Elias e Salomão, oriundos de Marrocos e com nacionalidade britânica, se instalaram nos Açores. Dedicaram-se então à importação de têxteis e exportação de produtos agrícolas, em especial laranja local. Surgem, entretanto, várias sociedades comerciais, criando-se as bases para a construção daquele que é hoje o maior grupo privado dos Açores. Os seus negócios vão desde a área do turismo – detém oito hotéis e uma empresa de cruzeiros e viagens -, passando pela distribuição, pela energia, pela logística e área marítima, até aos serviços. Mais de 200 anos depois da sua fundação, o grupo continua a ser detido a 100% pelos vários elementos da família Bensaude.
Avaliada em cerca de 406 milhões de euros pela Forbes Portugal, a família açoriana Bensaude ocupa a 34ª posição do ranking de 2025 dos 50 mais ricos do País.
Patricia Bensaude Fernandes, descendente dos fundadores, é uma das acionistas de referência, tendo sido, até 2024, presidente do conselho de administração do grupo. Este cargo é ocupado atualmente por António Bensaude de Castro Freire. Tomás Bensaude Fernandes, filho de Patricia e de João Francisco Cardoso Fernandes, falecido em 2020, ocupa o cargo de vice-presidente do conselho de administração. A comissão executiva é, no entanto, totalmente composta por elementos externos à família.
O grupo está organizado na holding Bensaude Participações SGPS, na qual estão consolidadas dezenas de empresas como a Bensaude SA, a JH Ornellas, a Varela e Companhia, a Bensaúde Turismo, a Bensaude Marítima, a Bensaude Combustíveis, entre tantas outras. A ESA – Energia e Serviços dos Açores e a participação de 10% dos Novo Banco Açores também estão agregadas nesta holding.
Saiba qual foi a metodologia aplicada nas avaliações
A Forbes Portugal avalia anualmente o património de cerca de cem empresários portugueses, usando para isso as suas participações em sociedades cotadas e não cotadas. Em vários casos, naqueles em que não é possível aferir as participações específicas de cada membro, ou em casos de heranças indivisas, é avaliada a posição da família como um todo. No caso da família Amorim, a única presente no ranking internacional, utilizamos os cálculos, atualizados ao dia de 2 dezembro de 2025, do site da Forbes International.
Para todas as outras foram feitas avaliações empresariais que não pretendem mais do que ser apenas o produto de uma intensa pesquisa jornalística, que resulta da consulta de informação disponível em relatórios e contas de empresas, sobretudo relativas ao exercício de 2024, de textos publicados nos órgãos de comunicação social bem como da consulta de fontes próximas. Os dados recolhidos resultam de informação pública, acessível, e a sua veracidade depende da transparência desses mesmos dados. Não nos é possível avaliar a liquidez existente em contas bancárias dos protagonistas, dentro ou fora do país, bem como as suas dívidas pessoais e outros créditos associados, tal como carteiras de ações não divulgadas, ou participações não qualificadas. Foram excluídos do estudo elementos em que as dificuldades financeiras são do domínio público.
Para encontrar o valor de mercado da empresa aplica-se o valor dos resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), vezes o múltiplo do setor, excluindo-se ainda a dívida líquida.
Para avaliar as empresas cotadas foram tidas em conta as cotações das sociedades à data de 2 de dezembro de 2025, o mesmo acontecendo nas holdings de empresas cotadas. Nestas últimas utilizou-se o valor do mercado da casa-mãe, pois as empresas por ela detidas não podem ser livremente negociadas.
Para proceder às avaliações patrimoniais, nas holdings não cotadas foi aplicada a avaliação da soma das partes, e nas sociedades do grupo foi aplicado, individualmente ou consolidado, o método dos múltiplos EV/EBIDTA, utilizando para isso a lista dos múltiplos de Damodaran. Para encontrar o valor de mercado da empresa aplica-se o valor dos resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), vezes o múltiplo do setor, excluindo-se ainda a dívida líquida. Nas sociedades imobiliárias, utilizou-se o valor dos capitais próprios. As empresas da banca não cotadas foram calculadas através da utilização do PER do setor aplicado sobre os lucros. Para as sociedades cotadas foi usado o valor bolsista das mesmas.





