O Banco BPI terminou o exercício de 2025 com um resultado líquido de 512 milhões de euros, menos 13% face ao ano anterior, de acordo com os dados apresentados pela instituição. Em Portugal, a atividade do banco gerou 489 milhões de euros de lucro, o que representa uma redução de 4% face ao ano anterior.
A principal explicação para esta diminuição está ligada à descida das taxas de juro de mercado sobre a margem financeira (a diferença entre os juros cobrados nos créditos e a remuneração dos depósitos), apesar do crescimento do volume de negócio.
Em Portugal, o crédito concedido aumentou 7% face ao ano anterior, enquanto o dinheiro depositado ou investido no banco cresceu 9%. Ainda assim, esse aumento não foi suficiente para compensar o impacto da descida das taxas de juro, levando a que o produto bancário, que reúne as principais fontes de receita, tenha recuado 8% face ao ano anterior.
De acordo com o banco, as comissões cobradas diminuíram 6%, para 307 milhões de euros, os custos totais da estrutura desceram 8%, para 509 milhões de euros, ainda que os custos com pessoal tenham aumentado 4,9%, para 259 milhões de euros.
Os resultados consolidados foram ainda penalizados pelo contributo das participações internacionais. As operações em Angola, através do Banco de Fomento Angola (BFA), e em Moçambique, através do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), contribuíram no total com 22 milhões de euros, um valor inferior ao registado no ano anterior.
Apesar da queda dos lucros, o banco sublinha a solidez da sua atividade. A qualidade dos ativos encontra-se em níveis historicamente elevados, com um rácio de crédito em incumprimento de 1,2%, amplamente coberto por provisões, num total de 141%. O custo do risco manteve-se baixo, em 0,08% nos últimos 12 meses, o que indica que o banco está a perder pouco dinheiro com créditos que não são pagos.
João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do Banco BPI, diz que “este exercício fica marcado por um crescimento consistente do volume de negócios do Banco, apoiado pela dinâmica comercial e pelo enquadramento favorável da economia portuguesa. No plano comercial, o Banco registou um crescimento expressivo na contratação de crédito à habitação (+35%), bem como no financiamento às PME (+10%), a par de uma evolução positiva na captação de poupanças, com destaque para os fundos de investimento e seguros de capitalização, que cresceram 18%. No plano interno, o Banco reforçou os seus quadros com a contratação de mais de 309 jovens talentos, dando continuidade a um plano estruturado de renovação geracional. Por último, continuamos a reforçar o nosso compromisso social, materializado, entre outras iniciativas, através do programa BPI Voluntariado, que já apoiou mais de 110 mil pessoas em todo o país, e da colaboração com a Fundação ”la Caixa”, que em 2025 investiu cerca de 50 milhões de euros em programas sociais, investigação, bolsas e cultura em Portugal.”
Já após o fecho do exercício, o banco concretizou a oferta pública de venda de uma participação no BFA, considerada a maior operação em África em 2025 e a maior de sempre em Angola, que atraiu uma procura cinco vezes superior à oferta e levou à entrada de 8.500 novos acionistas. Com a venda de 14,75% do capital, o BPI reduziu a sua participação no banco angolano para 33,35%.
com Lusa





