João Canijo, um dos realizadores portugueses mais premiados da sua geração

O realizador português João Canijo morreu esta quinta-feira, aos 68 anos, disse à agência Lusa fonte da produtora Midas Filmes. De acordo com a mesma fonte, o realizador morreu perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia habitualmente residência com Lisboa, não tendo sido adiantada a causa de morte. No entanto, de acordo com…
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O realizador português João Canijo morreu esta quinta-feira, aos 68 anos. Com uma carreira premiada dentro e fora de Portugal, João Canijo é uma referência incontornável do cinema nacional.
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O realizador português João Canijo morreu esta quinta-feira, aos 68 anos, disse à agência Lusa fonte da produtora Midas Filmes.

De acordo com a mesma fonte, o realizador morreu perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia habitualmente residência com Lisboa, não tendo sido adiantada a causa de morte. No entanto, de acordo com a CNN, João Canijo teve um “ataque cardíaco fulminante”.

João Canijo, que completou 68 anos em dezembro passado, estava a finalizar o mais recente projeto de cinema, o filme “Encenação”, assim como a filmagem, há cerca de duas semanas, de uma peça de teatro com ele relacionada.

Realizador e argumentista, João Canijo construiu uma carreira marcada por uma filmografia extensa, que inclui mais de dez longas-metragens e três documentários. Ao longo do percurso, trabalhou como assistente de realização de cineastas como Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter.

Entre as suas obras mais reconhecidas estão Sangue do Meu Sangue (2011), Viver Mal (2023) e Mal Viver (2023). Sangue do Meu Sangue teve uma ampla circulação internacional, tendo sido exibido em mais de meia centena de festivais de cinema e distinguido com o Prémio da Crítica Internacional no Festival de San Sebastián, em Espanha, e com o Grande Prémio do Júri em Miami, nos Estados Unidos. No total, o filme passou por mais de 60 festivais em todo o mundo.

Com Mal Viver, João Canijo arrecadou o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2023. A obra foi também a escolha de Portugal para a corrida a uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional, na 96.ª edição dos prémios da Academia. O percurso internacional do filme incluiu ainda o Prémio de Melhor Realizador no Festival de Montevideo, bem como o Grande Prémio e o Prémio do Público no Festival de Las Palmas de Gran Canária, em Espanha.

Em Portugal, Mal Viver foi igualmente distinguido na 13.ª edição dos Prémios Sophia, onde João Canijo venceu o prémio de Melhor Realização e o filme foi eleito Melhor Filme.

Ao longo da carreira, o realizador venceu por três vezes o Globo de Ouro de Melhor Filme: em 2005, com Noite Escura, em 2012, com Sangue do Meu Sangue, e em 2014, com É o Amor.

João Canijo nasceu a 10 de dezembro de 1957, no Porto. Recentemente, encontrava-se a concluir o filme Encenação e tinha terminado, há cerca de duas semanas, as filmagens de uma peça de teatro.

com Lusa

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