Iberinform: As empresas portuguesas estão a reduzir a sua dependência de empréstimos bancários

Foi no auditório do ISEG que a Forbes Portugal realizou ontem, no auditório do ISEG, em Lisboa, o seu evento de entrega dos prémios Forbes Maiores Líderes em Crescimento, no qual se premeiam as maiores empresas nacionais que se destacaram em seis categorias de avaliação. Esta lista de premiados - conheça neste link a lista…
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Nuno Marçal Moita, diretor de Território Portugal da Iberinform, apresentou, no evento Forbes Maiores Líderes em Crescimento que decorreu ontem, no ISEG, em Lisboa, a metodologia utilizada para o estudo e analisou os principais indicadores das maiores empresas nacionais.
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Foi no auditório do ISEG que a Forbes Portugal realizou ontem, no auditório do ISEG, em Lisboa, o seu evento de entrega dos prémios Forbes Maiores Líderes em Crescimento, no qual se premeiam as maiores empresas nacionais que se destacaram em seis categorias de avaliação.

Esta lista de premiados – conheça neste link a lista – foi desenvolvida em parceria com a Iberinform, que recolheu e analisou os dados relativos às 1.200 grandes empresas selecionadas para o estudo. Nuno Marçal Moita, diretor de Território Portugal da Iberinform fez uma análise dos dados apurados para este trabalho e apresentou a metodologia à vasta audiência presente no auditório do ISEG, começando por dizer que a estrutura empresarial em Portugal é caracterizada por um forte domínio de micro e pequenas empresas. Isto está alinhado com a tendência europeia, mas, em Portugal, essa concentração é ainda mais acentuada. “Dentro do universo de PME, as microempresas têm um peso de 95,5% no total nacional. Mas ainda assim, as grandes empresas portuguesas continuam a representar um dos pilares mais relevantes da economia nacional. Num contexto global exigente, este segmento combina escala, capacidade de investimento e impacto direto na competitividade externa do país”, refere este especialista.

Nuno Marçal Moita refere que foi seguida uma metodologia e uma valorização que teve por base a análise de um conjunto de dados económico-financeiros a partir das demonstrações financeiras do IES de 2024, assim como num conjunto de critérios de individualidade, como o caso da inexistência de dívidas ao Estado. Foram tidos em conta critérios como ter 250 empregados ou mais, um volume de negócios superior a 40 milhões de euros e ativo líquido superior a 20 milhões de euros.

Desta lista de grandes empresas destaca-se também a sua forte presença internacional pois 25% destas vendas são destinadas ao mercado de exportação, representando 37,4% do total exportado. 

De acordo com os critérios definidos para a classificação de grande empresa, chegou-se a um universo de aproximadamente 1.250 empresas que, no seu conjunto geraram cerca de 200 mil milhões de euros de volume de negócios. Isto num total de 460 mil milhões de euros do universo das empresas com contas depositadas para o exercício de 2024.

Destaca-se também a sua forte presença internacional pois 25% destas vendas são destinadas ao mercado de exportação, representando 37,4% do total exportado. Do lado das importações, com um total de 51 mil milhões, respondem 25,8% dos negócios, 40,3% do total. “Este fluxo, exportador e importador, evidencia a forte integração das grandes empresas nas cadeias de abastecimento internacionais, funcionando como centros de redistribuição de valor e inovação ao nível nacional. As grandes empresas, embora em número reduzido – são cerca de 0,2% do total, têm uma presença determinante e um enorme impacto na economia portuguesa, gerando mais de 40% do volume de negócios total”, explica o especialista.

Estas empresas empregam cerca de 13% dos trabalhadores, 669 mil dos cerca de 5,1 milhões de empregos em 2024, sendo cruciais para o crescimento global da economia nacional, na geração de emprego. Por distribuição do setor da atividade, as grandes empresas concentram-se principalmente nos setores de Energia, Comércio Por Grosso, Retalho, Banca e Indústria Transformadora e Exportadora, “setores que constituem o núcleo da riqueza nacional e sustentam grande parte da competitividade externa do país”, como refere Nuno Marçal Moita.

“Comparando com a média da União Europeia, as empresas portuguesas têm mostrado uma convergência com níveis de autonomia financeira semelhantes e uma maior resiliência financeira”, diz o especialista. 

Cerca de 17% do total das empresas atuam no Comércio Por Grosso, seguindo-se o Comércio a Retalho com 11%, finalizando-se o Setor das Indústrias Alimentares. “Por localização geográfica, evidenciamos que a maior concentração deste universo ocorre principalmente nos distritos mais populosos e economicamente dinâmicos do país, como Lisboa, Porto, Aveiro e Braga”, explicou o especialista da Iberinform.

Desta lista, destaca-se a geração de caixa, ou seja, a caixa gerada a partir do valor criado, que representou 14,8% dos negócios. Os capitais próprios financiaram 42,5% dos ativos, numa tendência crescente, e as dívidas financeiras cobriram 20,6% dos mesmos. “Constatamos uma tendência, na última década e meia, de diminuição progressiva do endividamento financeiro, de forma generalizada e que se traduz na diminuição do risco, com um percentual de 42,5% de autonomia financeira e com uma maior cobertura pela criação de valores”, refere a propósito, Nuno Marçal Moita. E continua: as empresas portuguesas, no geral, dão sinais de maior solidez financeira e menor dependência de financiamentos alheios, com uma percentagem de 20,2% no caso das grandes empresas, Também se verifica uma redução do endividamento: as empresas europeias, incluindo as empresas em Portugal estão, progressivamente, a reduzir a sua dependência de empréstimos bancários e financiamentos de lucro, o que aumenta a sua autonomia.

“As grandes empresas são e continuarão a ser um motor indispensável da economia nacional. A capacidade de gerar riqueza, internacionalizar e empregar, aliada à adoção de novas tendências, será determinante para assegurar a continuidade de um crescimento sustentável e competitivo nos próximos anos”, afirma Nuno Marçal Moita. 

A autonomia financeira geral tem crescido com o peso dos financiamentos sobre o total do ativo caindo significativamente para 26,6% no final de 2024. “Comparando com a média da União Europeia, as empresas portuguesas têm mostrado uma convergência com níveis de autonomia financeira semelhantes e uma maior resiliência financeira. A rendibilidade financeira situa-se em 11,4%, com uma trajetória estável e em linha com a referência europeia”, explica o especialista. Acrescenta que o desafio está em reforçar a eficiência e a inovação para manter competitividade num ambiente global em mudança. “A crescente incerteza do ambiente económico geral é o principal desafio que se coloca ao tecido produtivo. De acordo com o último estudo de gestão de risco de crédito em Portugal, promovido pela Crédito Y Caución e pela Iberinform, as empresas portuguesas apontam esta incerteza como um dos seus maiores problemas, em 40% dos casos”, refere.

Em jeito de resumo, Nuno Marçal Moita, refere que “As grandes empresas são e continuarão a ser um motor indispensável da economia nacional. A capacidade de gerar riqueza, internacionalizar e empregar, aliada à adoção de novas tendências, será determinante para assegurar a continuidade de um crescimento sustentável e competitivo nos próximos anos”.

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