O ABANCA terminou 2025 com um lucro de 902,4 milhões de euros, um dos melhores resultados da sua história, confirmando um ano de forte crescimento do negócio e de reforço da sua solidez financeira, tanto em Espanha como em Portugal.
Segundo o banco, este desempenho resulta de uma combinação entre mais clientes, mais crédito concedido e um controlo rigoroso dos custos, num contexto económico ainda marcado por incertezas.
“O resultado obtido baseia-se no crescimento eficiente do negócio e na boa gestão do balanço”, refere a instituição em comunicado.
Mais clientes, mais crédito e mais atividade
Ao longo de 2025, o ABANCA conquistou 160 mil novos clientes na Península Ibérica, um crescimento de 17% face ao ano anterior. A maior parte destes novos clientes chegou fora das regiões onde o banco já era líder.
O volume total de negócio do banco ultrapassou os 136 mil milhões de euros, refletindo mais depósitos, mais crédito e mais serviços financeiros prestados. Em novo financiamento, o ABANCA canalizou mais de 17.500 milhões de euros para a economia.
Portugal representa 16% do negócio
Portugal representa 16% do volume total de negócio do ABANCA, depois de o banco ter concluído com sucesso a integração do EuroBic, no final de 2025.
No mercado português, o crédito concedido a particulares e empresas ultrapassou os 7.000 milhões de euros, mais do dobro do registado em 2024, o que permitiu ao banco ganhar quota de mercado.
Apesar de crescer, o ABANCA manteve uma abordagem prudente. A percentagem de créditos em incumprimento – ou seja, empréstimos com pagamentos em atraso – situa-se em 2,1%, um valor considerado baixo no setor bancário.
O banco destaca ainda os seus níveis de capital, que funcionam como uma almofada de segurança para enfrentar crises ou choques económicos. O principal indicador de solidez financeira está nos 14,1%, acima do objetivo definido pela própria instituição.
Crescimento com foco na sustentabilidade
O banco sublinha também o seu compromisso com a sustentabilidade e o apoio à transição energética. Em 2025, mais de 7.000 milhões de euros do seu financiamento foram direcionados para projetos ligados à sustentabilidade.
Segundo o ABANCA, este apoio permitiu evitar a emissão de mais de 230 mil toneladas de CO2 por ano, sobretudo através do financiamento de projetos de energias renováveis e habitação mais eficiente do ponto de vista energético.
Entre as iniciativas sociais, destaca-se ainda o lançamento de um plano de apoio às regiões afetadas por incêndios, com um pacote de 150 milhões de euros em financiamento e outras medidas de recuperação económica e ambiental.
Abanca descarta mais cortes de pessoal em Portugal
O banco Abanca descartou hoje novos processos de cortes de pessoal em Portugal, depois do programa de saídas voluntárias e pré-reformas em curso, adotado na sequência da integração do Eurobic.
“Não vai haver novos processos de nada, ao contrário”, disse o presidente executivo (CEO) do grupo Abanca, Francisco Botas Ratera, numa conferência de imprensa em Santiago de Compostela, Galiza, Espanha, onde o banco tem sede.
Francisco Botas Ratera afirmou que o Abanca está neste momento num “processo de detetar talento” em Portugal, para contratar pessoas para o desenvolvimento de determinadas áreas, sem dar mais detalhes.
O grupo concluiu no último trimestre de 2025 a integração do Eurobic, que comprou em 2024, e fechou 24 agências em Portugal, por haver “balcões colados” das duas marcas, disse o CEO, que acrescentou que está já em marcha um plano de abertura e relocalização de novas agências.
Ao mesmo tempo, o Abanca avançou com um programa de saídas voluntárias e pré-reformas que deverá abranger 120 pessoas quando estiver concluído.
Segundo Francisco Botas Ratera, a adesão ao programa de saídas voluntárias está a terminar e decorreu de “maneira positiva e com consenso”, com o grupo a ter neste momento em Portugal um quadro de pessoal de 2.015 pessoas.
com Lusa




