A Anta Sports acordou a aquisição de 29,06% do capital da Puma, tornando-se o maior acionista da marca alemã, através da compra de pouco mais de 43 milhões de ações ordinárias a um preço de 35 euros por título. A operação, anunciada à Bolsa de Valores de Hong Kong, avalia a Puma com um prémio de cerca de 62% face à cotação anterior ao anúncio e deverá estar concluída até ao final do ano, após as autorizações regulatórias.
No centro da operação está a perceção de que a Puma continua sub-exposta nalguns dos mercados mais relevantes para o crescimento global do setor, nomeadamente a China. “A Puma tem mais potencial no mercado chinês, onde está sub-representada, com apenas 7% das suas receitas globais”, afirmou Wei Lin, vice-presidente global da Anta para a sustentabilidade e relações com investidores, em declarações à Reuters. “Temos muito conhecimento sobre como tornar a Puma mais bem-sucedida na China”, acrescentou.
Anta Sports: o que é?
Fundada em 1991 e sediada na província de Fujian, a Anta é atualmente o maior fabricante de equipamento desportivo da China e construiu um grupo global assente numa estratégia descrita como de “foco único, multi-marca e globalização”. Ao longo dos últimos anos, a empresa tem vindo a integrar no seu portefólio marcas internacionais com forte herança histórica, combinando investimento operacional, reposicionamento de produto e reforço da distribuição local.
Num comunicado enviado ao mercado, a Anta sublinhou que a Puma “complementa” as suas marcas existentes e poderá ajudar o grupo a competir de forma mais eficaz à escala internacional. A empresa destacou ainda a forte notoriedade global da marca alemã e o seu posicionamento tanto no desporto de alto rendimento como no segmento lifestyle.
A experiência da Anta na revitalização de marcas ocidentais é um dos elementos centrais da leitura estratégica do negócio. O grupo é o maior acionista da Amer Sports, empresa que detém marcas como a Salomon, a Arc’teryx e a Wilson. Sob controlo da Anta, a Salomon foi transformada numa marca relevante também no segmento de calçado urbano, registando receitas robustas num período em que concorrentes como a Nike e a Adidas enfrentaram dificuldades.
A conclusão do negócio está prevista para o final do ano, estando sujeita às habituais autorizações regulatórias.
Para a Puma, fundada em 1948, a entrada de um novo acionista de referência acontece numa fase de transição. A empresa tem enfrentado pressão competitiva, queda nas vendas e desafios operacionais, tendo iniciado um plano de reestruturação liderado por Arthur Hoeld, antigo executivo da Adidas. O processo inclui cortes de custos, a eliminação de cerca de 900 postos de trabalho e uma redução do portefólio, com foco nas áreas de running, futebol e treino. A empresa tem descrito 2025 como um “ano de reinício”, com o objetivo de regressar ao crescimento até 2027.
A Puma mantém uma presença forte na Europa (tendo passado a vestir a seleção de futebol de Portugal) e na América Latina, mas continua a ter uma implantação limitada na China e na América do Norte, duas regiões onde a Anta dispõe de escala, conhecimento do consumidor local e uma rede de retalho e distribuição consolidada. Essa assimetria é apontada por analistas como uma das principais oportunidades do negócio.
O acordo responde também aos interesses da família do empresário francês François Pinault, através da holding Artémis, ao reduzir a exposição a ativos fora do setor do luxo. Segundo estimativas da Forbes, François Pinault tinha, a 27 de janeiro de 2026, um património líquido avaliado em 24,3 mil milhões de dólares.
Segundo avançou a Bloomberg, a aquisição de uma participação minoritária relevante poderá abrir caminho, no futuro, a uma compra total da Puma, embora a Anta não tenha assumido publicamente essa intenção. Para já, o grupo apresenta o investimento como uma forma de reforçar a sua presença global através de uma marca histórica que atravessa um processo de reposicionamento.
com Lusa





