Sérgio Ferreira, Partner na EY Consulting e líder de Inteligência Artificial, acredita que o próximo ciclo tecnológico exige, além de investimento, “ambição, pensamento radical e uma nova forma de colaboração entre empresas, reguladores, criadores e utilizadores”, alertando para o facto de que ferramentas como “o ChatGPT, a Siri ou semelhantes não são ainda as formas de IA que vão transformar o mundo, sendo apenas pequenas demonstrações do que será possível”. No entender do especialista, no futuro, deveremos encarar a IA como uma “nova espécie digital”, uma vez que esta vai para além de uma mera ferramenta. O horizonte, numa “altura em que a dúvida é saber como aproveitar a combinação entre a inteligência humana e a das máquinas, aponta para agentes autónomos, capazes de decidir, executar e otimizar processos complexos”.
Esta autonomia será “um desafio ímpar na história da Humanidade”, num momento em que já se fala numa “Super Inteligência Artificial”, que será “melhor do que o Homem em todas as tarefas cognitivas, raciocínio e pensamento”, sublinha. Portanto, a verdadeira questão, tendo em conta de que forma vamos permitir que a IA transforme a nossa organização, inclusivamente empresarial, deixa de ser “pode a IA tornar-se autónoma?” e passa a ser “deve tornar-se autónoma, e em que condições?”, ainda que a plena autonomia só faz sentido quando acrescenta eficiência, segurança e valor real ao sistema. Será, portanto, essencial redefinir o papel das empresas, e não basta adotar tecnologia; é preciso repensar modelos de governação, incorporar princípios éticos desde a conceção e garantir que a tomada de decisão algorítmica não comprometa a confiança, o ativo mais valioso da economia digital. Além disso, Sérgio Ferreira, sublinha que “a competitividade do futuro dependerá da capacidade de integrar a IA de forma transparente, responsável e alinhada com metas de impacto positivo”.
O que está em jogo não é apenas inovação tecnológica, mas a arquitetura de uma civilização potenciada por IA, “onde os sistemas inteligentes ampliam capacidades humanas, não as substituem; a autonomia tecnológica convive com inclusão, equidade e segurança; e a criatividade, a adaptabilidade e o julgamento humano continuam no centro das escolhas estratégicas”. Num ambiente global marcado pela aceleração das metatendências, as empresas que liderarem esta transição serão as que souberem transformar a IA num multiplicador de talento, visão e propósito.
Também por isso, Sérgio Ferreira acredita “que vivemos o momento mais extraordinário da História da humanidade”. E não estamos apenas fazer a automação de tarefas, mas “a automatizar informação cognitiva, com a IA, enquanto sinónimo de todas as experiências da Humanidade, a oferecer-nos a “agentificação”, isto é, a transformação operacional que permitirá à Inteligência Humana trabalhar em conexão com a Inteligência das Máquinas”.
Este artigo foi produzido em parceria com a EY.




