A companhia aérea norte-americana Allegiant Air anunciou a aquisição da Sun Country Airlines por 1,5 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,29 mil milhões de euros), numa operação que combina numerário e ações e que irá remodelar profundamente o segmento das companhias aéreas de baixo custo nos Estados Unidos.
Após a conclusão do negócio, a nova empresa operará sob a marca Allegiant, a partir da sua sede em Las Vegas, com os atuais acionistas da Allegiant a deterem cerca de dois terços do capital, enquanto os acionistas da Sun Country ficarão com o terço restante.
Segundo analistas do setor, a probabilidade de surgirem propostas concorrentes é reduzida. “Vemos essa possibilidade como baixa, especialmente entre as companhias aéreas norte-americanas cotadas em bolsa”, escreveu Savanthi Syth, analista da Raymond James, numa nota enviada a investidores.
Um negócio sem grandes obstáculos regulatórios
A operação deverá avançar sem entraves significativos por parte das autoridades. “Não há qualquer hipótese de o governo bloquear este negócio”, afirmou à Forbes Rob Britton, antigo executivo do setor e professor na McDonough School of Business da Universidade de Georgetown. “Ninguém se vai opor. Teria sido aprovado até sob a Administração Biden.”
Quem ganha com a fusão
Os acionistas da Sun Country surgem como os grandes vencedores imediatos, ao beneficiarem de um prémio de cerca de 20% face ao preço de fecho das ações antes do anúncio do negócio. Entre os principais investidores institucionais da companhia contam-se BlackRock, Vanguard Group e Frontier Capital Management.

A própria Allegiant também sai reforçada. Historicamente focada no mercado doméstico, a companhia passa a ganhar acesso imediato a uma rede consolidada no México, América Central e Caraíbas, além de herdar uma parceria estratégica particularmente valiosa: a ligação à Amazon Air, a divisão de carga aérea do gigante do comércio eletrónico.
Atualmente, 20% das receitas da Sun Country são geradas através desta parceria com a Amazon Air, que está contratualizada até 2037, ajudando a compensar a forte sazonalidade típica do turismo de lazer.
Pressão acrescida sobre concorrentes
Com uma frota combinada de 195 aviões, a Allegiant passará a ser a segunda maior companhia aérea ultra low cost dos EUA, atrás apenas da Spirit Airlines. Esta nova escala representa um desafio direto para concorrentes como a Spirit e a Frontier, ambas com dificuldades de rentabilidade nos últimos anos.
Especialistas do setor acreditam que a Allegiant ficará mais resiliente em contextos económicos adversos, graças à maior diversificação das suas fontes de receita, tornando-se mais difícil de excluir através de guerras de preços.
Por outro lado, os viajantes da região de Minneapolis–St. Paul poderão sair a perder. A Sun Country, conhecida por tarifas competitivas, tem cerca de 12% de quota de mercado neste aeroporto, funcionando como um travão aos preços praticados pela Delta Air Lines, líder com cerca de 70%. Uma eventual redução da presença da Sun Country poderá aliviar essa pressão competitiva.
O que ainda está em aberto
Resta saber como a nova Allegiant irá posicionar-se num mercado cada vez mais dividido. Enquanto as grandes companhias aéreas tradicionais têm beneficiado da forte procura por lugares premium, a procura por voos sem serviços adicionais tem mostrado sinais de estagnação.
Para Rob Britton, a chave estará em manter o modelo de negócio: ligações diretas entre cidades secundárias e destinos turísticos, evitando grandes hubs e garantindo rentabilidade em cada voo. “Se continuarem a operar este modelo de forma disciplinada, estarão bem posicionados para o futuro”, conclui.
Suzanne Rowan Kelleher/Forbes Internacional





