Ouro e prata em máximos históricos com investigação a Jerome Powell a agitar os mercados

O ouro e a prata registaram fortes valorizações no início da semana, num contexto de crescente incerteza institucional nos Estados Unidos. O preço do ouro situava-se em cerca de 4.613,40 dólares (3.948,24 euros) pelas 9h50 da manhã de segunda-feira, no horário da costa leste dos EUA, o que representa uma subida próxima de 3% depois…
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Os preços do ouro e da prata atingiram esta segunda-feira novos máximos históricos, depois de a investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ao presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, ter reforçado a procura por ativos considerados seguros, num movimento que prolonga um ano de 2025 já marcado por fortes subidas nos metais preciosos.
Economia

O ouro e a prata registaram fortes valorizações no início da semana, num contexto de crescente incerteza institucional nos Estados Unidos. O preço do ouro situava-se em cerca de 4.613,40 dólares (3.948,24 euros) pelas 9h50 da manhã de segunda-feira, no horário da costa leste dos EUA, o que representa uma subida próxima de 3% depois de ter atingido um máximo histórico intradiário de 4.630,80 dólares (3.963,13 euros).

A prata seguiu a mesma tendência. À mesma hora, o metal era negociado em torno de 84,72 dólares (72,51 euros), uma valorização de cerca de 7%, ligeiramente abaixo do recorde de 85,75 dólares (73,39 euros) alcançado no início da sessão.

Razões da subida de segunda-feira

Embora os preços dos metais preciosos estejam em trajetória ascendente desde o ano passado, vários analistas atribuem grande parte da subida registada esta segunda-feira ao aumento da procura por ativos de refúgio, na sequência das declarações de Jerome Powell sobre a investigação em curso. O presidente da Reserva Federal revelou que o Departamento de Justiça intimou o banco central a prestar depoimento relativamente às obras de renovação da sua sede e ao testemunho que prestou no Senado sobre o assunto.

“Vemos o aumento da interferência no Fed como um fator determinante para a alta dos metais preciosos em 2026”, afirmou Carsten Menke, diretor de research de próxima geração do Julius Baer Group, à Bloomberg, acrescentando que a prata é um mercado mais pequeno e tende a reagir “de forma mais forte a este tipo de preocupações”.

Zain Vawda, analista da MarketPulse, explicou à Reuters que a investigação está a “levar os investidores a procurar ativos tangíveis”, numa altura em que a independência da Reserva Federal está “agora abertamente contestada”.

Investigação criminal

A investigação criminal foi aberta pelo Ministério Público Federal do Distrito de Columbia e centra-se na remodelação da sede da Reserva Federal e no depoimento de Powell a uma comissão do Senado. Numa declaração em vídeo divulgada na noite de domingo, Jerome Powell confirmou ter recebido intimações do Departamento de Justiça que poderão resultar numa acusação criminal, classificando a investigação como uma “ação sem precedentes” que deve ser “vista no contexto mais amplo das ameaças e pressões contínuas do governo” sobre o Fed.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou no domingo qualquer conhecimento prévio da investigação, numa declaração à NBC News. “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom a construir edifícios”, afirmou. A investigação representa uma escalada na longa tensão entre Trump e Powell, que o presidente tem criticado repetidamente por não reduzir de forma agressiva as taxas de juro.

Decisão de Trump sobre substituição de Powell na presidência da Reserva Federal para breve

Este processo surge também numa altura em que se aproxima a decisão de Trump sobre a substituição de Powell na presidência da Reserva Federal. Embora ainda não tenha anunciado o nome escolhido, Trump disse ao New York Times, na semana passada, que já tomou uma decisão. Entre os nomes apontados como potenciais sucessores estão o seu conselheiro económico Kevin A. Hassett, o antigo governador do Fed Kevin M. Warsh e o atual governador Christopher J. Waller.

Outros fatores

Para além do contexto político e institucional, outros fatores têm contribuído para a escalada dos preços. Em 2025, a prata acumulou uma valorização de até 150%, enquanto o ouro subiu cerca de 65%. Entre os principais motores deste movimento estão os cortes nas taxas de juro e a instabilidade geopolítica, incluindo a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e os recentes protestos no Irão.

No caso da prata, a procura industrial tem desempenhado um papel relevante, impulsionada pela sua utilização em setores tecnológicos como a produção de veículos elétricos e os centros de dados associados à inteligência artificial. A pressionar ainda mais o mercado estão as novas restrições às exportações impostas pela China, um dos principais exportadores mundiais de prata, que entraram em vigor no início deste ano. Estas medidas foram criticadas por Elon Musk, enquanto analistas da Goldman Sachs referiram recentemente que os limites poderão deslocar a prata de um “sistema global comum para inventários regionais isolados”, tornando os preços “sujeitos a oscilações bruscas e localizadas”. A volatilidade do metal tem sido agravada pelo receio de que Donald Trump imponha tarifas sobre a prata, levando a um afluxo significativo do metal para os cofres dos Estados Unidos e criando escassez no principal centro de negociação de Londres.

Conor Murray/Forbes Internacional

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