Captura de Nicolás Maduro: Conheça aqui algumas das reações públicas

Após ter sido divulgado o ataque dos Estados Unidos a Caracas, capital da Venezuela, e a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, foram várias a reações públicas, internacionais e nacionais, de várias figuras públicas. A União Europeia, por exemplo,  pediu “contenção” e o respeito pelo Direito Internacional, após ataques aéreos…
ebenhack/AP
Depois do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, e a consequente captura de Nicolás Maduro, várias foram as reações nacionais e internacionais sobre a ofensiva, que muitos consideram já ser ilegal face ao Direito internacional.
Economia Líderes

Após ter sido divulgado o ataque dos Estados Unidos a Caracas, capital da Venezuela, e a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, foram várias a reações públicas, internacionais e nacionais, de várias figuras públicas. A União Europeia, por exemplo,  pediu “contenção” e o respeito pelo Direito Internacional, após ataques aéreos norte-americanos na Venezuela, enquanto reiterou a falta de legitimidade do líder venezuelano, Nicolás Maduro, cuja captura foi reclamada pelos Estados Unidos.

“Falei com o secretário de Estado [norte-americano] Marco Rubio e o nosso embaixador em Caracas. A UE está a acompanhar de perto a situação na Venezuela”, afirmou, numa mensagem na rede X, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas. “A UE afirmou repetidamente que o senhor Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados”, disse, acrescentando: “Pedimos contenção”. Na mesma mensagem, Kallas sublinhou que a “segurança dos cidadãos da UE no país é a máxima prioridade” de Bruxelas.

António Costa presidente do Conselho Europeu disse ainda apoiar os esforços da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, “em coordenação com os Estados-membros” da UE, “para garantir a segurança dos cidadãos europeus no país”.

Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, expressou “grande preocupação” com a situação na Venezuela, alvo de ataques dos Estados Unidos, e apelou a “uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional”. “Estou a acompanhar a situação na Venezuela com grande preocupação. A União Europeia apela à desescalada e a uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, disse o ex-primeiro-ministro português, numa mensagem na rede X. A União Europeia, sublinhou, “continuará a apoiar uma solução pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela”. Costa disse ainda apoiar os esforços da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, “em coordenação com os Estados-membros” da UE, “para garantir a segurança dos cidadãos europeus no país”.

António Guterres, Secretário de Estado da ONU, já se mostrou preocupado com a situação vivida na Venezuela. Numa mensagem publicada, o líder diz que esta ofensiva na Venezuela abriu um precedente perigoso. Diz ainda que é preocupante o facto das leis internacionais não terem sido respeitadas.

Prioridade do Governo português é segurança dos portugueses

Entretanto o Governo português declarou como prioritária a segurança dos portugueses na Venezuela e apelou à redução das tensões e ao respeito pelo Direito Internacional. “A prioridade do Governo é, e continuará a ser, a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela”, afirmou hoje, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Portugal, acrescentou, “apela à redução das tensões, ao respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas, bem como à promoção da segurança e da tranquilidade públicas”.

O candidato à presidência Marques Mendes, disse a propósito deste tema internacional que é cedo para tirar conclusões ou “catalogar a natureza” da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e defendeu que a prioridade deve ser a situação da comunidade portuguesa neste país. Em declarações aos jornalistas no final de uma ação de pré-campanha no mercado de Benfica, em Lisboa, e citado pela agência Lusa, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse estar a acompanhar a situação na Venezuela há algumas horas “com atenção e preocupação”.

Questionado sobre a natureza da intervenção dos Estados Unidos neste país, Luís Marques Mendes remeteu uma posição para mais tarde, visto haver ainda pouca informação. Ainda assim, o candidato admitiu que “é mais ou menos óbvio que esta intervenção não segue o direito internacional”.

“A primeira palavra é, de facto, de preocupação e tem a ver com a comunidade portuguesa, que é uma comunidade muito grande, 300 mil ou mais cidadãos portugueses. Neste momento, todas as informações que consegui obter é que a comunidade está bem, está tranquila, está serena”, disse.

Questionado sobre a natureza da intervenção dos Estados Unidos neste país, Luís Marques Mendes remeteu uma posição para mais tarde, visto haver ainda pouca informação. Ainda assim, o candidato admitiu que “é mais ou menos óbvio que esta intervenção não segue o direito internacional”.

Outras reações ao ataque dos Estados Unidos

Outros candidatos à Presidência da República Portuguesa mostraram a sua posição face ao ataque desta madrugada. João Cotrim Figueiredo, ouvido pela Lusa, diz que espera que os portugueses que estão na Venezuela estejam a ser apoiados e protegidos, depois da intervenção militar dos Estados Unidos. “A comunidade portuguesa na Venezuela deve ser protegida, portanto, espero que os serviços diplomáticos portugueses, incluindo a Presidência da República, estejam já em campo para assegurar todo o apoio que seja necessário aos portugueses que ainda estão na Venezuela e aos portugueses que, agora, possam ter a ideia de regressar à Venezuela depois de um exílio forçado nos últimos anos”, afirmou o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, no final de uma visita ao Mercado de Loulé, no distrito de Faro.

Além disso, o eurodeputado considerou que qualquer infração ao direito internacional é, por si só, criticável, acrescentando que a ação militar dos Estados Unidos não foi precedida por qualquer consulta com nenhum aliado ou instituição multilateral.

Catarina Martins expressou solidariedade com a população da Venezuela e preocupação, em particular, com a comunidade portuguesa, defendendo a necessidade de assegurar “que todos os meios estão a ser usados” para a sua salvaguarda.

Já Catarina Martins pede condenação do ataque à Venezuela. Defendeu hoje que Portugal “não precisa de ficar à espera da Europa” para condenar de forma inequívoca o ataque realizado pelos Estados Unidos na Venezuela, que considerou representar um perigo global. “Portugal não precisa de ficar à espera da Europa para condenar uma operação que viola o direito internacional e que aumenta o risco de guerra global”, defendeu a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao mercado de Olhão, Catarina Martins começou por expressar solidariedade com a população da Venezuela e preocupação, em particular, com a comunidade portuguesa, defendendo a necessidade de assegurar “que todos os meios estão a ser usados” para a sua salvaguarda.

Por outro lado, acrescentou que, enquanto Presidente da República, a sua segunda palavra sobre o ataque realizado hoje pelos Estados Unidos em Caracas seria de “condenação inequívoca”. “Assim como nós não aceitamos que Vladimir Putin diga que vai fazer uma operação especial porque quer ficar com riquezas da Ucrânia, também não podemos aceitar que Donald Trump diga que quer ficar com o petróleo da Venezuela e, por isso, entra pelo país adentro. Isto é semear a guerra global”, sublinhou.

Já André Ventura, candidato presidencial e líder do Chega disse a propósito que “o derrube do regime de Nicolás Maduro“, após uma intervenção militar dos Estados Unidos da América na Venezuela, é “um sinal de esperança” para o povo daquele país e as comunidades portuguesas. “O derrube do regime de Nicolás Maduro é um bom sinal para a liberdade em toda a região”, lê-se numa publicação na rede social X.

Intervenção ilegítima, diz Gouveia e Melo

O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou também ilegítima a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, apesar das dúvidas sobre a democracia do Governo de Caracas, e alertou para os riscos da nova conjuntura internacional. Estas posições foram transmitidas aos jornalistas por Henrique Gouveia e Melo na Feira de Monte Abraão, em Sintra, após ter sido confrontado com o “ataque em larga escala” ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resultou na captura do chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro.

Para o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, em termos de cumprimento das regras internacionais, a intervenção militar norte-americana na Venezuela “é ilegítima”. “É preocupante que países invadam a soberania de outros e que se resolvam, através da força, determinadas situações”, salientou. Perante os jornalistas, o almirante apontou que, em fevereiro de 2022, contra a Ucrânia, “houve uma operação Z russa, e agora há uma outra operação, desta vez norte-americana, com o mesmo formato e com o mesmo feitio, para mudar o Governo, independentemente se é legítimo ou não esse Governo” de Caracas. Gouveia e Melo afirmou não estar a pôr no mesmo plano Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, mas, antes, a salientar que “houve uma mudança no sistema internacional preocupante”.

“A nossa comunidade de Venezuela preocupa-nos. É uma comunidade muito grande. Esperemos que a situação se resolva sem vítimas e sem problemas para além dos que já existem”, declarou Gouveia e Melo.

Em relação à posição da diplomacia nacional, Gouveia e Melo disse que importa acompanhar a situação e vincou que Portugal é um aliado dos Estados Unidos. “A nossa comunidade de Venezuela preocupa-nos. É uma comunidade muito grande. Esperemos que a situação se resolva sem vítimas e sem problemas para além dos que já existem”, declarou.

Também ouvido pelos jornalistas, o candidato presidencial Jorge Pinto pediu ao Governo português que não apoie o que considera ter sido um “ataque ilegal” dos Estados Unidos à Venezuela e mostrou-se preocupado com a população portuguesa no país. Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Mercado da Graça, em Ponta Delgada, Açores, Jorge Pinto defendeu que, “independentemente do que se possa achar sobre Maduro e o seu regime“ o “que está em causa é um ataque ilegal ao direito internacional que deve preocupar a todos”.

“Espero bem que do lado português, do lado europeu, da NATO, não haja qualquer apoio a este ataque. Hoje é a Venezuela, quem será amanhã? O que acontece se amanhã quem for atacado for, por exemplo, a Gronelândia? O que dirão os outros países? Acredito na defesa do direito internacional em qualquer parte do planeta. Não acredito em bons ou maus imperialismos, em boas ou más agressões”, disse o candidato à Presidência da República apoiado pelo Livre, em declarações captadas pelas televisões.

António Filipe, candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV  condenou com “toda a veemência” a “brutal violação” do direito internacional que foi o ataque à Venezuela pelos EUA e “o sequestro” do presidente Nicolas Maduro. “Eu quero condenar com toda a veemência esta brutal violação do direito internacional que é o ataque à Venezuela, à soberania e ao povo da Venezuela e o sequestro do seu presidente e da sua esposa”, afirmou António Filipe, à entrada de um almoço com apoiantes na Amadora, distrito de Lisboa.

 

(Com Lusa)

Mais Artigos